Economia

Sócios da Sete Brasil adiam decisão de pedir recuperação judicial

Redação DM

Publicado em 19 de janeiro de 2016 às 05:21 | Atualizado há 10 anos

RIO – Em uma tensa reunião realizada na tarde desta terça-feira na sede da Sete Brasil, no Rio, os seus sócios controladores decidiram por adiar por mais 30 dias a decisão de entrar na Justiça com pedido de recuperação judicial. Em reunião dos cotistas do FIP Sondas, fundo de investimento que tem 95% do capital da Sete (a Petrobras tem os outros 5%), dois dos acionistas votaram contrários à decisão, o fundo de investimentos Petros e o banco Santander.

Segundo uma fonte próxima às negociações, o voto que pesou na decisão foi da Petros, que tem 18% de participação no FIP Sondas. Ao todo são 12 cotistas no FIP Sondas, e para essa decisão teria que se alcançar 85% da maioria dos votos. O Santander tem apenas 6% de participação e seu voto, segundo o executivo, não pesaria na decisão.

Segundo o executivo, o futuro da Sete, criada em 2010 para viabilizar a construção de sondas para o pré-sal no país, continua incerto “e à deriva”. O problema, segundo esse executivo, é que a Petrobras vem dificultando cada vez mais um acordo entre as duas partes em relação à contratação das sondas. Nos contratos originais estavam previstas a construção de 28 sondas, mas agora, com dificuldades financeiras, atingida pelo escândalo de corrupção da Lava-Jato, a Petrobras vem reduzindo investimentos e projetos. Desde o ano passado, a empresa vem renegociando com a Sete a redução do afretamento de sondas das 28 originais para apenas 14, das quais seis estão em fase de construção bem adiantada.

Segundo o executivo, durante a reunião desta terça-feira não chegou a ser discutido a questão de negociar com os bancos credores (Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, itaú BBA, Bradesco e Santander) o adiamento das dívidas que chegam a US$ 3,6 bilhões.

— Os bancos não querem executar (as dívidas), querem uma solução. Essa discussão de negociar o adiamento da cobrança é irrelevante. O problema é que a Petrobras não demonstra interesse em resolver a questão — disse a fonte.

Ao mesmo tempo existe a hipótese também de o conselho de administração da Sete se dissolver, uma vez que só há 11 dos 14 membros iniciais, e recentemente vários conselheiros manifestaram o interessem em renunciar ao cargo.

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