Tombini: alta da inflação decorre da demora no ajuste
Redação DM
Publicado em 8 de outubro de 2015 às 00:32 | Atualizado há 11 anosLIMA – Alexandre Tombini, presidente do Banco Central, afirmou nesta quinta-feira em Lima que parte da alta da inflação no Brasil é decorrente do ajuste fiscal e na demora de sua aprovação. Ele lembrou que o ajuste fez a cotação do dólar subir e levou ao fim de subsídios no setor de energia e a novos impostos sobre combustíveis (Cide), ambos afetando os preços.
— O ajuste fiscal está em velocidade diferente do que imaginávamos e isso tem a ver com questões políticas, mas há um consenso crescente em torno do ajuste fiscal e isso vai ajudar. Mas o ajuste fiscal mais lento teve impacto na taxa de câmbio e isso trouxe certas dificuldades para reancorar as expectativas — disse ele, que participa do seminário “Desafios para os Bancos Centrais da América Latina”, dentro do encontro anual do FMI e do Banco Mundial na capital peruana.
Tombini afirmou, contudo, que vê as expectativas de inflação para longo prazo voltando à meta no Brasil. Ele concordou com colegas que participam do seminário que a região precisa se ajustar ao choque da queda do preços das (produtos básicos de cotação global, como soja, minério de ferro e petróleo) e às novas condições globais, incluindo um freio no crescimento da China e ao aumento da taxa de juros nos Estados Unidos. Ele disse que não cabe apenas ao Banco Central enfrentar estes desafios.
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O presidente do BC afirmou também que o Brasil mantém uma boa estabilidade financeira e que o sistema bancário é sólido. Ele disse ainda que o BC tem, desde 2010, novos instrumentos para combater crises, incluindo uma robusta reserva externa.
— Mas se tem algo que aprendemos nos últimos anos é que as crises econômicas sempre têm custos altos — disse.