Volks suspende executivo e Berlim ordena recall de 2,4 milhões de carros
Redação DM
Publicado em 15 de outubro de 2015 às 00:55 | Atualizado há 11 anosBERLIM – A Volkswagen vai embarcar em um dos maiores recalls da História automotiva da Europa ao recuperar 8,5 milhões de carros movidos a diesel depois que autoridades alemães recusaram a proposta da montadora de reparos voluntários. O orgão regulador alemão (KBA, na sigla em inglês) exigiu o recall imediato de 2,4 milhões de carros na Alemanha. Enquanto isso, a fabricante suspendeu o quarto engenheiro sênior por suspeita de envolvimento no escândalo do software fraudador.
Falko Rudolph era chefe da fábrica de componentes em Baunatal, Alemanha, supervisionando o desenvolvimento de motores diesel entre 2006 e 2010. Ele é considerado o pai da transmissão de dupla embreagem da empresa. Outros três engenheiros já foram suspensos.
Promotores em Itália disseram nesta quinta-feira que estão investigando os gestores locais da Volkswagen e seu negócio de carros esportivos Lamborghini por suposta fraude.
PLANO DE RECALL DEVE SER APRESENTADO ATÉ NOVEMBRO
A KBA disse que o recall envolvendo 2,4 milhões de veículos na Alemanha deve começar no início do próximo ano e será obrigatório, ou seja, motoristas não podem escolher se querem ou não levar seus carros para a manutenção. A Volks tem até o final do mês para criar um plano de coreção para os veículos com motor 2.0 litros. Para os os modelos de 1.6 litros e 1.2 litros o prazo é até o final de novembro.
O órgão havia dito anteriormente que 2,8 milhões de veículos da Volkswagen continham o software fraudador que lhes permitiu saber quando os carros estão sendo testados e reduzir temporariamente as emissões de gases tóxicos. Porém, 400 mil deste total já não circulam mais e, portanto, não são alvo do recall.
A montadora alemã informou ainda nesta quinta-feira que faria o recall na Europa de 8,5 milhões de carros. A empresa estima que 8 milhões foram afetados na região, mas decidiu incluir no programa outros 500 mil para manutenção “voluntária” a fim de verificar se contêm o software fraudador.
Globalmente, até 11 milhões de veículos podem conter o dispositivo. O recall desta frota estaria entre os maiores da História por um único fabricante, e similar em escala ao recall de 2009-2010 da Toyota para 10 milhões de carros com problemas de aceleração. A montadora disse que pretende completar uma remodelação de todos os veículos afetados até o final de 2016, ressaltando que alguns recallas exigem reparos mais complexos e caros.
Alguns analistas estimam que o escândalo poderia custar Volkswagen quase € 35 bilhões para cobrir custos de reparação em veículos, multas regulatórias e processos judiciais.
O diretor presidente da Volks, Matthias Müller, disse a diretores da empresa nesta quinta-feira que a mudança na estrutura e cultura da empresa anunciadas na sequência da crise de emissões deve capacitar gerentes regionais para se tornarem mais autônomos em vez de que aguardar a sede em Wolfsburg tome decisões.
— O princípio básico pode ser resumido da seguinte forma: o grupo irá no futuro ser gerido de forma mais descentralizada, e marcas e regiões vão se tornar muito mais independentes — disse Müller em uma reunião em Leipzig. — Nossos concorrentes estão apenas esperando que fiquemos para trás em matéria de tecnologia, porque estamos preocupados com nós mesmos. Mas não vamos deixar isso acontecer.