Brasil

61% das escolas municipais não formaram professores para aulas online diz estudo

Redação DM

Publicado em 19 de junho de 2020 às 17:43 | Atualizado há 5 anos

As aulas presenciais estão temporariamente suspensas há mais de três meses em grande parte do território brasileiro, em decorrência do isolamento social, uma das políticas adotadas para conter o avanço do coronavírus.

Com a pandemia, mudanças sociais, que já estavam em desenvolvimento, como a expansão do e-commerce, a telemedicina e a educação à distância, foram forçadas a se ampliarem. Os que não estavam preparados perderam e continuam perdendo. É o caso da educação pública.

“A educação não pode esperar”, estudo realizado pelo Instituto Ruy Barbosa em parceria com o Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional (IEDE), envolveu mais de 100 auditores de 26 Tribunais de Contas do país, para avaliar as estratégias pedagógicas de 82% dos municípios brasileiros.

Participaram da amostra 249 redes de ensino, de todas as regiões do Brasil, sendo 232 municipais e 17 estaduais. As informações foram coletadas através de entrevistas com os secretários de Educação.

“Nós queremos com isso ter elementos para contribuir com os gestores educacionais. Identificando as suas principais dificuldades, e procurando colaborar na superação dos problemas do momento. Usar esses bons exemplos, essas experiências exitosas, na medida do possível, em outras regiões e estados. É esse o grande objetivo do trabalho que está sendo apresentado”, explica Cezar Miola , presidente do Comitê de Educação do Instituto Rui Barbosa.

Preocupações

Os dados coletados revelaram que 61% das escolas municipais não formaram seus professores para as aulas online. Com apenas 39% das redes de ensino ofertando essa formação.

Alguns municípios afirmaram não ter realizado nenhum planejamento para aulas online, porque muitos estudantes não tem sequer acesso à internet e computadores para acompanhar as aulas. Outro ponto mencionado foi a falta de recursos para investir nesses processos.

Para amenizar estes obstáculos, muitas escolas optaram por entrar em contato com os alunos através das redes sociais, um canal para o envio de materiais de estudos e oferta de conteúdo em páginas online.

82% das redes municipais oferecem conteúdos aos estudantes durante a pandemia. Para os estudantes do ensino fundamental, o envio é feito diariamente por 31% das redes que constaram na pesquisa. Já no ensino médio, todas as redes pesquisadas disseram que ofertam atividades não presenciais. Destas, 28% fazem isso diariamente.

Para os alunos que não tem nenhum acesso à internet, o único recurso está sendo a impressão do material, retirados pelas famílias na própria escola, ou entregues nas casas dos estudantes. Para isso, são usados os ônibus do transporte escolar e até carros próprios das secretarias de Educação.

Quando as aulas presenciais voltarem

Os desafios da volta às aulas presenciais, além da segurança para evitar o contágio do coronavírus, também leva em conta o nível educacional dos alunos a evasão e os impactos emocional da pandemia, tanto dos alunos como dos gestores e professores.

84% das redes municipais estão preparando o retorno e 82% pretendem avaliar o nível de aprendizagem dos estudantes quando as escolas reabrirem. Tal contexto impacta principalmente os estudantes de baixa renda, segundo o diretor fundador do IEDE, Ernesto Faria.

“A importância [do estudo] está no combate às desigualdades. Acho que é um período muito complicado que a gente está vivendo, mas principalmente em relação a saúde, e isso rebate na aprendizagem. E é muito preocupante que isso tende a impactar mais ainda nas famílias de alunos de baixa renda. Tanto de saúde quanto aprendizagem”.

*Com informações do G1


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