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Cozinhando com um click

diario da manha

Existem artigos tecno­lógicos que fazem par­te da nossa rotina diá­ria. Uma geladeira, o celular, televisão, máquina de lavar e outros. A função de cada um destes produtos todo mundo sabe, mas será que todos sa­bem como estes funcionam? O forno micro-ondas é um desses aparelhos que temos em casa, mas sempre ficamos com a dúvida sobre como uti­lizar, o funcionamento deste e como ele surgiu. A descober­ta e invenção são de autoria do engenheiro Percy LeBaron. Tudo aconteceu no ano de 1945, nos laboratórios da Ray­theon Corporation, enquan­to Percy realizava pesquisas sobre radares na época da 2ª Guerra Mundial. Ele utilizava magnetrons, tubos de vácuo para produzir radiação de mi­cro-ondas, e conseguiu perce­ber que uma barrinha de doce, no seu bolso, havia derretido durante os experimentos.

Logo em seguida, Percy co­locou um milho de pipoca e de­pois um ovo, próximo ao tubo de vácuo, para ver a reação. Tanto o milho quanto o ovo estouraram após um tempo de exposição. O engenheiro percebeu que as mi­cro-ondas que vinham do tubo de vácuo cozinhavam alimen­tos mais rapidamente do que os fornos convencionais que fun­cionam a gás ou eletricidade. Apesar da descoberta das micro­-ondas ter ocorrido em 1945, so­mente no ano de 1954 o primeiro forno micro-ondas foi produzi­do pela empresa Rhaytheon. Era grande e muito caro. Porém, em 1967, o primeiro micro-ondas doméstico começou a ser comer­cializado, com vendas lentas nos primeiros anos, devido ao preço relativamente caro em relação aos outros fornos.

O micro-ondas começou a ser mais acessível no ano de 1971, quando diminuíram os preços das unidades de bancada e suas capacidades foram expandidas. Atualmente, várias casas pos­suem um aparelho como esse. A utilização é diária: para esquen­tar o almoço, preparar uma pi­poca ou simplesmente um chá. No entanto, sempre restam dúvi­das sobre o que pode ou não ir ao micro-ondas e também o que ele provoca no alimento que iremos ingerir. O professor do departa­mento de Engenharia de Mate­riais do Centro Universitário FEI esclarece alguns mitos e verdades sobre o aparelho doméstico mais popular ao redor do mundo

Ilustração demonstrando como as micro-ondas aquecem o alimento
Percy ao lado do primeiro modelo do forno micro-ondas

Confira abaixo a entrevista

 

Como funcionam as micro-ondas?

De acordo com o professor Bal­tus Bonse, as micro-ondas são uma forma de radiação eletromagnética, como o infravermelho e as ondas de rádio. “As micro-ondas ricochetam nas paredes internas do forno, que são de metal, atravessam papel, vidro e plástico, mas são absorvidas pelos alimentos, mais especificamente pela água do alimento. Esta absorção faz com que as moléculas oscilem para frente e para trás, criando calor e co­zinhando o alimento de dentro para fora, de fora para dentro ou uniforme­mente, dependendo de onde a água se encontra”, explica.

Objetos metálicos proibidos, mas existem algumas exceções?

Há muitos mitos acerca de quais materiais são permitidos ou proibi­dos de ser utilizados dentro do for­no de micro-ondas. Os mais conheci­dos são os objetos metálicos, já que as micro-ondas são refletidas pelos me­tais, ou seja, muita radiação é emiti­da de volta ao transmissor gerador da radiação de micro-ondas, causando seu superaquecimento, que pode le­var a uma explosão ou fogo.

No entanto, o professor explica que há um mal entendido em relação ao senso comum de que nenhum metal pode ser usado em um aparelho de micro-ondas. “Recipientes metálicos rasos (como pratos rasos) não impe­dem que as micro-ondas alcancem a comida pela parte superior. Eles po­dem, portanto, ser usados para a pre­paração de comida no aparelho. Já os recipientes mais fundos (como pane­las) causam problemas”, destaca. Po­rém, como frequentemente não está claro o que seria suficientemente raso, recomenda-se não usar nenhum objeto metálico no micro-ondas.

E o papel alumínio?

Os campos elétricos em micro-on­das provocam um fluxo de correntes de eletricidade através do metal. Peças grandes, como as paredes de um for­no de micro-ondas, geralmente con­seguem tolerar essas correntes sem problemas. O perigo está no tamanho. “Peças finas de metal, como uma folha de alumínio, não aguentam essas cor­rentes e aquecem muito rapidamente, podendo pegar fogo. Além disso, se a folha estiver amassada de forma a ter arestas pontiagudas, a corrente elétri­ca que corre através da folha causará faíscas”, explica o prof. Baltus. É im­portante ter atenção, também, com porcelanas antigas, que geralmente contêm tinta metálica, e pratos com bordas decorativas de metal.

Uva e ovos podem explodir?

Sim. Segundo o professor da FEI, as uvas e ovos podem explodir, se não estiverem furados. Uvas con­têm em torno de 80% de água, cla­ras de ovo 90% e gemas 50%. Com o cozimento a água presente vira va­por d´água, que aumenta a pressão dentro do alimento. Se não tiver um furo para aliviar essa pressão, o alimento explodirá. Além disso, é preciso ter cuidado com as pimen­tas secas, que podem pegar fogo e liberar gases nocivos.

Potes plásticos quando aquecidos podem liberar substâncias tóxicas?

Há muita desinformação a respei­to disso. Em primeiro lugar alegava­-se que o plástico no micro-ondas liberava substâncias químicas can­cerígenas, chamadas dioxinas, nos alimentos. Na verdade, os plásticos não contêm dioxinas. Essas substân­cias são liberadas quando lixo, plás­tico, metais, madeira e outros mate­riais são queimados. Assim, a não ser que você queime seus alimentos em um micro-ondas, você não está se expondo a dioxinas.

Em segundo lugar, não existe um material único específico chamado plástico. Existem vários tipos de plás­tico. Frequentemente, adicionam-se substâncias aos plásticos para modifi­car suas propriedades ou para moldá­-los mais facilmente. Essas substân­cias chamadas plastificantes podem eventualmente migrar do recipiente, quando aquecido, para o alimento.

E quanto ao bisfenol-A (substância química orgânica que constitui a uni­dade básica de polímeros e revesti­mentos de alto desempenho)?

O bisfenol-A é basicamente encon­trado em um tipo de plástico, chamado policarbonato, que era usado para fazer mamadeiras e garrafas de água retorná­veis. Segundo o professor, dificilmente essa substância será encontrada em ou­tros plásticos usados no dia a dia, pois estes plásticos, contrariamente ao po­licarbonato, não precisam de bisfenol­-A para a sua produção. Então, a maioria dos plásticos já era bisfenol free, e trata­-se mais de uma questão de marketing. Assim embalagens bisfenol free também podem liberar plastificantes para o ali­mento. Recomenda-se sempre checar na embalagem se consta que o material é seguro para uso em fornos micro-ondas.

Afinal de contas, quais materiais po­dem ser levados ao micro-ondas?

Os mais seguros são recipientes de vi­dro ou cerâmica rotulados para uso em fornos de micro-ondas, explica o prof. Baltus Bonse. Caso esteja em dúvida quanto à embalagem plástica ou reci­pientes no micro-ondas, transfira os ali­mentos para recipientes de vidro.

DICAS IMPORTANTES:

*Não deixe que filmes plásticos toquem os alimentos durante o co­zimento no micro-ondas, porque podem derreter. Use como alterna­tivas papel de cera, papel manteiga e toalhas de papel branco.

*A maioria dos recipientes para viagem, garrafas de água, potes de margarina, iogurte, e alimentos como queijo, creme, maionese e mostarda não são seguros para mi­cro-ondas. Sacos plásticos de su­permercado também não devem ser utilizados.

*Não ligue o micro-ondas sem nada dentro. Isso prejudicará o funcionamento do aparelho.

 

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