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Exposição motiva mais mulheres a seguirem carreira na Matemática

diario da manha
Exposição, no Rio de Janeiro, conta a história da primeira mulher a ganhar uma Medalha Fields(FOTO:S DENISE CASATTI (CRÉDITO DA IMAGEM: DIVULGAÇÃO)

Motivar as mulheres a se­guirem carreira na área da matemática. Esse é um dos objetivos da professora Thaís Jor­dão, curadora da exposição Mar­yam Mirzakhani Memorial, uma homenagem à única mulher a ga­nhar a Medalha Fields, a maior hon­raria da Matemática.

A exposição é uma das atrações do Encontro Mundial para Mulhe­res em Matemática (WM)2, que ocorreu dia 31 de julho. O even­to antecede o Congresso Interna­cional de Matemáticos, o ICM 2018 (International Congresso of Mathe­maticians), que será realizado de 1º a 9 de agosto, também no Riocentro.

A professora Thaís Jordão, do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, explica a importân­cia de realizar essa homenagem. “O fator principal é dar maior vi­sibilidade para a primeira mulher na história a receber uma Meda­lha Fields. Muitos matemáticos, ao prestigiarem a exposição, vão se identificar com os diferentes está­gios da vida de Maryam, que apa­recem nas peças. O público vai en­tender também que, além de uma genialidade, tudo é fruto de muito trabalho e esforço.”

A exposição é uma iniciativa do Comitê para Mulheres em Mate­mática da União Matemática In­ternacional. A professora da USP foi convidada para participar do projeto porque, no ano passado, organizou a exposição Elas ex­pressões de matemáticas brasi­leiras, uma homenagem a nove matemáticas do Brasil.

Curadora da exposição, Thaís Jordão diz que se sente honrada em participar da iniciativa: “Maryam é um exemplo a ser seguido.”

REFLEXÃO

Nos grandes painéis expostos na entrada de um dos auditórios do Riocentro, as imagens e textos so­bre a trajetória de Maryam são um convite à reflexão. Em uma mesa, repousa um livro de condolências, em que os participantes do evento podem deixar uma mensagem para a família da matemática, que mor­reu no ano passado, depois de lutar alguns anos contra o câncer.

Para produzir o memorial, a professora Thaís trabalhou ao lon­go de cerca de dois meses, duran­te os finais de semana, junto com o designer gráfico Rafael Meire­les. Nas pesquisas sobre Maryam, Thaís descobriu que foi o irmão que contribui para despertar o en­canto da garota pela Matemática.

A professora da USP explica que esse é um aspecto comum na traje­tória de vários pesquisadores. “Na verdade, todo e qualquer matemá­tico que eu conheço hoje sempre teve uma pessoa – seja homem ou mulher – que o motivou, seja atra­vés de uma aula, da apresentação de um resultado. Enfim, de algu­ma maneira, ao oferecer o conheci­mento, aquela pessoa fez o receptor envergar uma beleza ali.”

Natural de Teerã, no Irã, Mar­yam nasceu em maio de 1977 e graduou-se em Matemática pela Universidade de Tecnologia de Sharif, onde o professor Ali Tah­zibi, do ICMC, também cursou Matemática. Ele estava no ter­ceiro ano da universidade e era monitor da disciplina Análise Complexa, ministrada para os estudantes do primeiro ano. Foi assim que ele conheceu Maryam. “Eu não me esqueço, até hoje, de como ela resolvia os exercícios em sala de aula: sempre encon­trava a forma mais breve e mais bela. Um talento extraordinário”. Ele conta que, no Irão, a Olimpía­da de Matemática é muito po­pular e que Maryam foi a única garota do país a ganhar duas me­dalhas de ouro.

“É como se ela enxergasse a Matemática com super óculos”, conta Ali. “Porque Maryam do­minava inúmeras áreas diferen­tes da Matemática, o que é muito raro, e conseguiu produzir resul­tados com impactos em todas elas”. Para Ali, ao ganhar a Me­dalha Fields em 2014, Maryam se tornou um incentivo para me­ninas de todo o mundo e para as iranianas, em particular, que ain­da enfrentam muitas barreiras no mundo acadêmico.

PINTURA

Maryam gostava de trabalhar escrevendo sobre grandes folhas papel branco que espalhava pelo chão. Sua filha, Anahita Vondrak, quando a via assim, logo falava: “Mamãe está pintando de novo”. Ao olhar a cena retratada em um dos painéis, Thaís completa: “Tal­vez ela realmente estivesse pin­tando a ciência.”

Aliás, Anahita é um dos des­taques da exposição. No painel preferido da professora Thaís, a garota brinca com a Medalha Fields que a mãe ganhou, um símbolo de que é possível con­ciliar ciência e maternidade.

A exposição ficará em cartaz no pavilhão 5 do Riocentro até dia 9 de agosto. Depois, a ideia é levá-la para outros eventos e es­paços, estimulando mais garotas a seguirem carreira na Matemá­tica, fazendo o que Maryam de­sejou no momento em que ga­nhou a Medalha Fields. “É uma grande honra, eu ficarei feliz se isso encorajar mais jovens cien­tistas mulheres e Matemáticas. Eu tenho certeza de que haverá muito mais mulheres ganhan­do esse tipo de prêmio nos pró­ximos anos.”

Painel destaca o papel relevante do irmão de Maryam

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