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50 anos de 68

diario da manha
No Brasil, a morte do estudante secundarista Edson Luiz mobilizou vários setores progressistas

800 metros de distância entre 1968 e 2018. Entre o “ano que não terminou” e o ano em que “todos esperam para acabar” existe um abismo de aconte­cimentos políticos que apesar de ain­da estarmos em março de 2018 pode­mos temer a volta da nuvem cinza da repressão que atacou 1968.

Edson Luís era paraense, vinha de família pobre e morreu sendo se­cundarista no Rio de Janeiro à tiros no peito por estar se manifestando nas ruas da cinelândia. Marielle Franco era a quinta vereadora mais bem vo­tada no Rio de Janeiro, era militante negra e morreu à tiros queima de ar­quivo nas ruas da lapa.

Edson Luís desencadeou uma co­moção entre quem percebia que o di­reito de existir estava sendo usurpado por forças que tentavam destruir nos­sa breve e ilusória democracia, não se enganem, as pessoas não sabiam (e algumas até hoje não sabem) que vi­viam em uma ditadura militar. Imagi­ne como foi sentir os primeiros pingos da trovoada que seria encarar o AI-5 em pleno verão de 1968. Um ato em luto pela morte do estudante foi realizado um dia depois, marcharam diversas vertentes da esquerda-centro levan­do o caixão até a porta da Assembléia Legislativa Estadual do Rio de Janeiro (ALERJ). Ainda se vê os resquícios dos stencils “a bala mata a fome?”.

Marielle Franco era militante negra, feminista e defensora dos direitos hu­manos, vereadora pelo PSOL. No dia 19 de fevereiro o comandante do Exército, general Villas Bôas diz que os militares precisam de “garantia para agir sem o risco de surgir uma nova Comissão da Verdade”. Em 28 de fevereiro Marielle ti­nha sido nomeada relatora da comissão que iria acompanhar a intervenção mi­litar no rio, no dia 10 de março ela de­nunciou a violência policial em acari.

Entre a ALERJ–onde o corpo de Ed­son foi levado em marcha que levou 50 mil pessoas às ruas para protestar a morte do estudante e a Câmara Muni­cipal no centro do Rio de Janeiro–onde o corpo de Marielle foi levado em pro­testo por cerca de 250.000 mil pessoas, são 800 metros. Entre a Guerra do Viet­nã e a Guerra na Síria, as crescentes im­plantações distorcidas do comunismo e a imposição do laboratório neoliberal comandado por golpes por toda Améri­ca Latina, entre o golpe de 1964 e o golpe de 2016, o que podemos esperar? Ain­da estamos em março…

“Quando não será o Exército um va­lhacouto de torturadores?” disse o de­putado Márcio Moreira Alves contra a ditadura em 68.

800 metros entre mortes que mar­cam o período de repressão escanca­rada. Quiçá um breve dia fecham-se os congressos e assemblEias, trocam os representantes de cargos públicos por marionetes da estrutura militar sob o pretexto de “segurança pública”, cen­suram os jornais e artistas, colocam reuniões políticas na ilegalidade, sus­pendem o habeas corpus… Talvez cen­tralizem o poder nas mãos do próximo ‘presidente’. Só espero que o povo resis­ta às mudanças impostas por uma in­tervenção militar.

 

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