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Eloquência Introspectiva

diario da manha
Trilhos do trem (1922)

Durante sua carreira de mais de meio século, o artista suí­ço Ignaz Epper dedicou-se à pintura, ao desenho e às artes gráfi­cas. Fazia ilustrações expressionistas em carvão e giz, dedicando-se espe­cialmente ao efeito das luzes. Suas xilogravuras (estampas obtidas atra­vés desenhos talhados em madeira) também tornaram-se bastante co­nhecidas, ganhando atenção espe­cial de críticos de arte de hoje e do passado. A violência e o sofrimento são temas recorrentes em sua obra, uma consequência de sua vivên­cia nos campos de batalha da Pri­meira Guerra Mundial (1914-1918). Suas imagens apresentam princi­palmente questões de cunho social e religioso, mas também podemos encontrar paisagens, nu feminino, natureza morta e inúmeros retratos.

Epper nasceu no dia 6 de julho de 1892 na cidade suíça de São Galo. Passou a infância e a adoles­cência em situação modesta. For­mou-se desenhista de bordados entre 1908 e 1912 numa escola de design de sua cidade natal, onde começou a trabalhar como desig­ner em uma empresa. No ano se­guinte, foi enviado por seu chefe para Berlim, onde foi encarregado de criar esboços para moda. Em seu tempo livre, gostava de registrar suas impressões da cidade grande. Nesta época, decidiu definitiva­mente viver de arte, contrariando os desejos de sua família. Deter­minado, largou o emprego e partiu com o amigo Sebastian Oesch em uma viagem de vários meses entre as cidades de Munique e Weimar.

Assim que seus desenhos come­çaram a ganhar visibilidade, Epper voltou para a Suíça, onde recebeu uma bolsa de arte patrocinada pelo governo federal. De volta a seu país natal, começou a trabalhar com xi­logravuras. No fim de 1913, deu iní­cio aos estudos em litografia na ci­dade de Zurique. Seis meses depois, foi chamado para o serviço militar, em meio à deflagração da Primeira Guerra Mundial. Sua convivência nos campos de batalha influenciou permanente sua visão de mundo. Epper sentiu-se artisticamente de­safiado com os eventos que presen­ciou durante a Guerra. Criou muitas obras em seus momentos de des­canso. Tais trabalhos são conside­rados verdadeiros testemunhos de seu incansável empenho artístico diante dos tempos difíceis.

SUCESSO

Em 1916, conheceu em Zurique o comerciante de artes Hans Coray, o primeiro a reconhecer e promo­ver a alta qualidade de sua obra. No mesmo período conheceu Fritz Pauli (1891–1958), com quem tro­cou experiências e palpites por lon­gas décadas. Em 1919 casou-se com a holandesa Mischa van Ufford. Fi­xaram residência em Zurique, de­pois se mudaram definitivamente para Ascona, uma pequena comu­na no sul do país. Em sua nova mo­rada, participava regularmente de exposições e frequentava os am­bientes do ciclo artístico. Mesmo tendo se fixado em Ascona, con­tinuou a viajar para vários países.

“Uma das características de seu estilo são as formas simples e dis­torcidas e seu envolvimento com o corpo humano”, descreve o site Kunsthandel. A página ressalta ain­da o cuidado que o artista dedicava ao contorno dos ossos.

Nos anos próximos a sua mor­te, Epper já não trabalhava suas pinturas com o mesmo entusias­mo e vitalidade do início de sua carreira. No dia 12 de janeiro de 1969, ele cometeu suicídio, aos 76 anos. Sua contribuição mais re­conhecida à história da arte suí­ça são os trabalhos em madeira, confeccionados principalmente de 1913 ao início dos anos 1920. Na fase mais criativa de sua vida, apresentava obras de cunho ex­pressionista – movimento artís­tico que começou a ganhar força na primeira década do século XX. Diferentemente do estilo agressi­vo dos expressionistas alemães, Epper ajudou a difundir na Suí­ça uma espécie de “expressionis­mo intimista”, que tornou-se uma característica predominante em obras do gênero no país.

Outra opinião sobre o artista e sua obra pode ser encontrada no site da Galeria Widmer. “Seja recriando uma cena bíblica, de guerra, de grandes cidades ou mesmo de um simples cavalo, a expressividade de seus quadros sempre imprimiram sua assina­tura, que vai do sofrimento hu­mano à esperança redentora. As figuras humanas naturalmente dominam sua obra, pois ao longo de toda sua vida conviveu de per­to com aqueles que eram conside­rados fracos ou vítimas. O choque visual proporcionado por seu tra­balho elevou seu nome e marcou permanentemente a história do expressionismo e da pintura na Suíça e no mundo”. Atualmente, Epper é considerado uma peça essencial para o desenvolvimento do expressionismo, e com o pas­sar dos anos, sua história e sua técnica espalham-se pelo mun­do através da internet.

Autorretrato de Ignaz Epper (1892-1969) em xilogravura
Cruzamento de autorretratos (1920), uma das pinturas mais famosas de Ignaz Epper
Desenho que mostra a comuna de Ascona, onde o artista viveu seus últimos dias
São Galo, na Suíça, cidade natal de Epper
A última Ceia (1914)
Túnel Eisenbahn (1919)
Às margens do Ri (1929)

 

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