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LGBTQI+ podem ser os mais afetados por Catfish

É importante ficar atento sobre quem confiar na internet

diario da manha
Muitas vezes as vítimas não denunciam o ocorrido, por vergonha do fato. Foto/reprodução

Catfish é uma gíria usada para pessoas que usam perfis fakes na tentativa de enganar outras na internet. Eles podem estar em todos as plataformas, desde jogos a apps de relacionamentos.

Depois que os celulares ficaram mais modernos, passando a ter câmera embutida, o Catfish se tornou cada vez mais difícil, mas não raro de acontecer. Os perfis fakes aproveitam da fragilidade de quem está do outro lado da tela para muitas vezes os enganar amorosamente.

Pessoas LGBTQIA+ estão mais suscetíveis a esse tipo de golpe. Nas entrevista feita ao iG, algumas vítimas contam como foram manipuladas as mentiras dos Catfish. A falta de uma rede de apoio pode potencializar ainda mais a dor de quem passa por um trauma de ser enganado na web. 

Uma estudante de Direito, de 19 anos, mais a namorada dela, contam que conheceram Ramona no início de 2020, em um game chamado Tibia. Tudo começou com uma amizade virtual. Com o passar do tempo a estudante começou a se apaixonar pela moça a qual ela descreve que era “lindíssima”. A namorada dela sempre desconfiou e começou a perceber que ela estava mentindo demais, “dizia que era vegetariana, mas estava lá comendo carne no dia seguinte”, comenta.

“Eu e minha namorada pressionamos essa menina contra a parede, perguntando se aquilo tudo era real, ela falou que a gente era louca e nos bloqueou. Obviamente que estava mentindo e ainda descobrimos que ela usava fotos de um perfil do México para nos enganar”, conta. “Depois disso, descobri que minha namorada estava tão envolvida com esse perfil fake que falou para ela que eu transava mal. Essa tal Ramona até hoje aparece com novos perfis falsos para perguntar se eu já aprendi a transar. Isso começou a me deixar um pouco assustada porque eu não sabia quem era”, lamenta.

Outra estudante também passou pelo mesmo caso. Após conhecer uma menina no aplicativo de relacionamento.

“Não cheguei a me apaixonar, mas tinha interesse em conhecer a pessoa, achava estranho o fato de não ter outras redes sociais (como Facebook ou Instagram), mas não era uma desconfiança. Apesar de morar em São Paulo, os rolês LGBTQIAs por aqui são poucos, então normalmente são sempre as mesmas mesmas pessoas. Em um determinado dia, eu estava meio enjoada disso e resolvi ir em um lugar que era destinado a LGBTs, mas nunca tinha ido. Madrugada adentro, quando me dou conta, vejo a menina que eu supostamente conversava e fui falar com ela, obviamente. A garota não me reconheceu e foi aí que tudo começou: mostrei o perfil no Tinder e o número do WhatsApp. Nesse momento percebemos que era um perfil falso”, conta a moça.

A psicóloga Cíntia Moreira explica que “a insegurança é uma das características de um mentiroso compulsivo que encontra na mentira uma forma de fantasiar um ideal de eu que não existe, geralmente apresentando externamente um perfil que contraria radicalmente o conteúdo interno da insegurança”.

A profissional ainda salienta que existem “padrões” no mundo virtual do catfish e é importante ficar atento à realidades que privilegiam muito a imagem, dizendo ser uma pessoa perfeita, muito bem sucedidos, influentes e cobiçados. Em situações traumáticas que envolvem questões de mentiras/traições é necessário que a vítima consiga compreender que a culpa não são delas e sim de quem as prática. Pois uma das questões que reforçam o fator traumático desse tipo de situação é a culpa pelo o que aconteceu. Por isso é importante procurar um psicólogo, discorre.

Para especialistas em crime cibernéticos, “as mentiras utilizadas pelos criminosos são as mais diversas como, por exemplo, usar a desculpa de que deseja conhecer pessoalmente a vítima e então pedir dinheiro emprestado a ela para comprar supostas passagens; ou então o estelionatário diz que está enviando um presente (joia, ouro, dólares), mas que para retirar o pacote será necessário pagar uma taxa, fornecendo então uma conta bancária de pessoas de confiança do próprio golpista”, exemplifica.

Além disso, é recomendado que os casos sejam levados às autoridades para que essa rede de enganações não continue. É importante não apagar nenhuma da conversas realizadas com o possível criminoso e tirar cópia de todas estas conversas e comprovantes de depósitos ou transferências bancárias realizadas, caso tenha acontecido.

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