diario da manha
Por Adriana Moreira

Tretas, polêmicas, romances, muitas lágrimas, discussões sérias (e outras nem tanto), personagens marcantes. O BBB 21, cujo vencedor será conhecido nesta terça-feira, 4, – Juliette, Camilla ou Fiuk – entregou para o telespectador tudo o que se espera de um reality show.

O Big dos Bigs, com o número recorde de 20 participantes e 100 dias de confinamento, faturou alto com publicidade: já antes da estreia, a previsão era de um faturamento de R$ 550 milhões para a TV Globo, 50% a mais que a edição anterior. Nos últimos episódios, o intervalo comercial do programa custava mais de R$ 500 mil.

Mas, para o telespectador, não importa o tamanho do faturamento, e sim o entretenimento que ele proporciona. Por isso, reunimos aqui 10 fatos que marcaram esta edição do programa.

Cultura do cancelamento

Uma pauta foi discutida desde os primeiros dias de programa: a cultura do cancelamento. Pipoca e Camarote não esconderam o medo de serem julgados pelo tribunal da internet e cancelados quando saíssem do reality show. O assunto foi tema até de um dos Jogos da Discórdia da edição.

Isso não impediu, no entanto, que os próprios participantes “cancelassem” um membro do elenco logo nas primeiras semanas. O tratamento dado pelos brothers a Lucas Penteado revoltou o telespectador – e fez com que Lucas, mesmo desistindo do programa e sendo o segundo integrante a sair, depois de Kerline, ganhasse a admiração do público e contratos publicitários.

Recordes de rejeições

Antes do BBB 21, a recordista de rejeição num paredão triplo do BBB era Patrícia Leitte (BBB 18), com 94,26% dos votos. Patrícia foi superada três vezes só nesta edição. A primeira vez foi por Nego Di (98,76%) – Patrícia até brincou com o fato, entregando a coroa virtualmente a ele depois da eliminação.

Mas o reinado do humorista gaúcho durou pouco: logo ele foi superado por Karol Conká, que teve 99,17% dos votos recebidos. Viih Tube saiu com 96,69% e entrou para o top 3 de rejeições. Mesmo sem quebrar recordes, Projota também foi eliminado com uma rejeição alta, de 91,89%.

Alguns beijos, poucos romances

Selinhos entre os participantes foram comuns na edição, mas não houve grandes romances nesta edição. Arthur e Carla Diaz viveram uma relação atribulada, que não emplacou com o público – a declaração de amor da atriz de joelhos na volta do paredão falso, com um “Partiu” como resposta fez o telespectador sofrer de vergonha alheia.

Thaís e Fiuk se beijaram, mas a relação não foi além e os dois não chegaram a ser um casal. Arcrebiano – que prefere ser chamado de Bill, embora o público goste mesmo de chamá-lo de Arcrebiano – e Karol Conká se beijaram, mas o romance não apenas não engatou como gerou atritos e constrangimentos (dentro e fora da casa).

O beijo que realmente conquistou o público foi entre Gil e Lucas Mas os brothers puseram em dúvida as intenções e a bissexualidade de Lucas. O fato foi o estopim para o ator pedir para sair do programa, depois de dias de desentendimentos com os brothers.

Racismo em pauta

A discussão sobre o racismo permeou toda a edição do BBB. Foi a edição com o maior número de participantes negros – 9, ao todo. E muitas polêmicas em torno do tema. Lucas Penteado propôs aos brothers negros uma união para eliminar os brancos primeiro, causando a primeira grande revolta da casa com o ator. O colorismo entrou em pauta quando Nego Di disse que Gil não podia se considerar negro, pois tinha a pele clara. Lumena levantou a discussão sobre privilégio branco.

Mais recentemente, Rodolffo comparou o cabelo de João à peruca do castigo do Monstro, que era de um homem das cavernas. João acabou desabafando sobre o episódio durante o Jogo da Discórdia, e Camilla de Lucas passou horas explicando ao cantor sertanejo porque aquele tipo de comparação era racista e não poderia ser feita. Rodolffo não pareceu entender muito bem, e Tiago Leifert voltou a explicar o significado do Black Power na cultura negra depois do encerramento da votação, na terça-feira.

O BBB das duplas

Poucos romances, mas muitas duplas marcaram esta edição. Sarah e Gil, Camilla de Lucas e João, Caio e Rodolffo (Os ‘Bastião’), Projota e Arthur, Viih Tube e Thaís formaram os grandes “casais” do BBB 21 e protagonizaram cenas de grande companheiros e extrema emoção – principalmente quando seus pares deixaram a casa. Depois que Sarah saiu, Gil se aproximou mais de Fiuk, e o momento em que os dois pularam nus na piscina para celebrar a volta de um paredão foi memorável.

Tretas memoráveis

Enquanto algumas tretas causaram tristeza e desconforto ao telespectador, outras arrancaram gargalhadas e fizeram o público vibrar. O episódio em que Karol Conká manda Lucas sair da mesa para “comer em paz” foi um dos mais difíceis de assistir e contribuiu bastante para a eliminação recorde da rapper.

Outro episódio em que a cantora esteve envolvida deixou Gil descontrolado – ou melhor “indignado”-, e foi angustiante ver o desespero do economista por ver sua palavra ser desacreditada. Nesse mesmo dia, Karol brigou também com Camilla de Lucas. “Aqui dentro tem outra braba”, respondeu Camilla.

Outras brigas viraram memes maravilhosos. “Não vou perder pra basculho não”, disse Gil para Pocah. Vestida de samambaia por causa do castigo do Monstro, Pocah cobrou satisfação dos brothers por ter sentado em pêlos pubianos deixados no vaso sanitário. No começo, o grupo tentou se manter sério, mas logo todos caíram na gargalhada.

Dummies nos holofotes

Os dummies, assistentes mascarados que auxiliam nas provas, não deveriam chamar a atenção. Mas nesta edição eles se destacaram. Carla Diaz usou suas habilidades de atriz para voltar à casa depois do paredão falso não apenas vestida como um deles, mas também agindo de acordo. Boninho também usou a vestimenta para acompanhar o show de Pabllo Vittar e Preta Gil – os próprios brothers desconfiaram daqueles dummies que dançavam e curtiam o show e especularam quem poderia estar por baixo da fantasia.

Sexualidade

Esta edição também foi diversa na sexualidade. João e Gil se declaram homossexuais; Lumena, lésbica; Karol Conká e Pocah já afirmaram ser bissexuais em entrevistas, antes de entrar na casa Kerline se declarou bissexual depois de sair.

A primeira grande confusão na casa, inclusive, começou quando alguns dos homens se maquiaram e desfilaram. Caio fez trejeitos afeminados, o que desagradou Lumena por desrespeitar a comunidade transexual.

Apesar disso, quando Lucas Penteado beijou Gil, sua bissexualidade foi colocada em dúvida até mesmo por participantes LBTQIA+. Lumena acusou o ator de usar o episódio para “se promover” em torno da pauta da diversidade. Juliette disse que o brother “não se decidia”, mas João deu uma aula sobre bissexualidade.

Em outro episódio, Rodolffo disse a Sarah que não poderia levar Fiuk para as baladas de Goiás por ele usar vestido. O comentário magoou Gil, que colocou o sertanejo no paredão naquela semana e rachou a aliança entre duas duplas: “os bastião” e Gil e Sarah.

Novo vocabulário

Algumas expressões usadas pelos brothers acabaram incorporadas no vocabulário do público. “Basculho”, “cachorrada”, “indignado”, “o Brasil tá lascado” – todos ditos por Gilberto – caíram nas graças do público. Fica a dica para o próximo elenco: é bom já ir pensando em um bordão.

Spin-off de BBB

Pela primeira vez, o programa ganhou uma espécie de “spin-off”: o documentário A Vida Depois do Tombo, feito em tempo recorde sobre a vida da campeã de rejeição da história do BBB, a rapper Karol Conká. O documentário foca nos passos da rapper depois da saída da casa, e como fatos de sua vida podem ter influenciado seu comportamento na casa.

O reality que substituirá o BBB, No Limite, também pode ser considerado uma espécie de spin-off. Com estreia em 11 de maio, ele terá apenas ex-BBBs no elenco – incluindo Arcrebiano, do BBB 21.

Comentários