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Pedaços de foguete desgovernados podem cair na Terra nos próximos dias

Ele está viajando a uma velocidade de mais de 7km/s, a cerca de 300km de altitude e baixando

diario da manha
O governo dos Estados Unidos, informou que está rastreando a localização do objeto no espaço Foto/Reprodução - Uol Notícias

Nos próximos dias ou semanas um enorme lixo espacial, pesando algumas toneladas, está em uma rota descontrolada de reentrada em nossa atmosfera. Pedaços dele devem cair na Terra, mas não sabemos exatamente onde ou quando.

O governo dos Estados Unidos, por meio de uma mensagem do Comando Espacial no Twitter, informou que está rastreando a localização do objeto no espaço. De acordo com o órgão, o ponto de entrada exato na atmosfera da Terra não pode ser determinado até poucas horas após sua reentrada, que deve ocorrer por volta deste sábado (8).

Pela órbita do objeto, os possíveis pontos de queda ficam em qualquer lugar entre os paralelos 42 Norte e 42 Sul. Ou seja, em latitudes entre Nova York, Madri e Pequim, e entre o Chile e a Nova Zelândia. Isso representa boa parte da área habitada do planeta.

O lixo em questão é um pedaço do foguete Long March 5B, que foi usado recentemente para enviar à órbita o módulo Tianhe, o primeiro da futura estação espacial chinesa. O lançamento foi um sucesso, mas o estágio principal do foguete, que é descartado na subida, não se comportou como planejado.

Composto por um núcleo e quatro motores laterais, o LongMarch 5B não é reutilizável como os foguetes da SpaceX que a Nasa tem usado. O plano era que o estágio central, de 30 metros de comprimento, 5 de largura e 20 toneladas, realizasse queimas de combustível para se afastar da Terra.

Mas isso não parece ter acontecido, e o governo da China não divulgou detalhes do procedimento. Radares militares dos Estados Unidos estão rastreando o objeto, catalogado como 2021-035B.

Ele está viajando a uma velocidade de mais de 7km/s, a cerca de 300km de altitude e baixando. Será um dos maiores lixos espaciais da história a cair no planeta.

Também não é possível prever como nossa atmosfera irá queimar e despedaçar o objeto, tudo depende da densidade, ângulo e velocidade com que ele avançar, entre outros fatores, ou mesmo o tamanho das partes que podem sobreviver à reentrada.

Acredita-se que entre 20% e 40% do foguete possa resistir, principalmente os componentes feitos de materiais resistentes ao calor, como tanques e propulsores. Estatisticamente falando, as chances de um fragmento atingir uma área habitada são pequenas (regiões vazias ou água preenchem cerca de 70% da possível área de impacto), mas danos a construções ou ferimentos a seres humanos não foram totalmente descartados.

O primeiro lançamento do Long March 5B, em maio do ano passado, também enfrentou o mesmo problema. O estágio principal caiu descontroladamente seis dias depois, no Oceano Atlântico. Por uma questão de alguns minutos, não atingiu uma grande cidade dos Estados Unidos. Alguns detritos metálicos, incluindo uma espécie de cano de 12 metros de comprimento, caíram sobre a África Ocidental e chegaram a danificar alguns vilarejos.

O que é lixo espacial?

Lixo espacial é qualquer objeto de origem humana que foi lançado ao espaço e perdeu sua utilidade, mas permaneceu na órbita da Terra. O lixo espacial também é conhecido como “detrito espacial” ou “resíduo espacial”.

Mas como é produzido o lixo espacial?

Pesquisas apontam que os objetos que se tornaram detritos no espaço variam dos menos aos mais inusitados. Alguns exemplos de lixo espacial são pedaços de foguetes, satélites sem combustível, porcas e parafusos, lascas de tinta, sacos de lixo, chave de fenda e uma espátula.

Riscos que o lixo espacial pode trazer:

O lixo espacial vem se acumulando desde que o primeiro satélite criado pelo homem, o Sputnik-1, escapou da atração gravitacional da Terra, em 4 de outubro de 1957.

A ESA (Agência Espacial Europeia) estima que existam 170 milhões de restos de naves, peças, ferramentas e equipamentos espaciais de diferentes tamanhos orbitando a Terra e representando riscos, caso caiam na superfície terrestre.

Imagem gerada por computador pela ESA (Agência Espacial Europeia) de lixo espacial em órbita ao redor da Terra que ainda é possível monitorar
Ilustração/Divulgação – ESA

No outono de 1962, os moradores de Manitowoc, nos Estados Unidos, testemunharam um evento raro: um pedaço do satélite russo Sputnik-4 veio voando pela atmosfera da Terra e caiu no centro comercial da cidade, abrindo uma cratera no asfalto.

Detritos do espaço, ou lixo espacial, caem na Terra com bastante regularidade, mas geralmente vão parar nos oceanos ou em grandes extensões de terra não habitadas por humanos. Embora haja milhares de resíduos orbitando o planeta, somente uma pessoa foi atingida por lixo espacial em queda.

Ainda assim, à medida que a quantidade de lixo aumenta, todas as nações precisam se empenhar para conter o problema crescente.

Uma preocupação dos cientistas é o risco que o lixo espacial representa para os satélites.

Isso porque esses corpos celestes estão envolvidos em muitas das nossas práticas tecnológicas, como uso de celular, acesso à internet, viagens de avião, consulta a boletins meteorológicos e utilização de caixas eletrônicos. Todas essas práticas dependem do bom funcionamento dos satélites.

Na tentativa de lidar com o problema, alguns astronautas, na década de 1980, trabalharam para reabastecer, reformar e consertar satélites, em vez de enviar novos para a atmosfera.

No entanto, a imprevisibilidade do lixo espacial e o enorme espaço que ele consome fazem com que os satélites descartados sejam difíceis de manusear, o que traz riscos para os astronautas em órbita.

*Com informações do Uol Noticias

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