Entretenimento

Fernando Boi: Goiás através do samba

Fernando lança, nesta quarta-feira, 14, seu sétimo álbum, o "Retratos da vida", contando com a participação de Marcelo Barra, Pádua, Heróis de Botequim e Dani França.

diario da manha
Foto: Divulgação

Goiás é nacionalmente conhecido pela música sertaneja. Mas o que alguns não sabem é que outros ritmos e gêneros musicais são tão presentes quanto o próprio sertanejo, um deles é o samba. Embora estejamos acostumados a assimilar o samba ao Rio de Janeiro – mais um estereótipo nacional, o gênero também é apreciado pelos goianienses.

Prova disso é o cantor e compositor goianiense Fernando Boi, que lança nesta quarta-feira, 14, seu sétimo álbum, chamado “Retratos da vida”.

Apaixonado pelo samba desde criança, influenciado principalmente pelo gosto musical de sua mãe, passou bons anos de sua vida ao som de Clara Nunes, Roberto Ribeiro, Paulinho da Viola, entre muitos outros.

Em 2007 formou o grupo Alvorada, na intenção de cultivar e tocar o gênero, passou a tocar e cantar em bares goianos.

O primeiro álbum do grupo saiu três anos depois, em 2010, intitulado “Raiz do boêmio”, com doze múdicas inéditas. Mais tarde, em 2012, lançou o CD solo, que levou o nome de “A lenda da batucada”, com a proposta de cultuar o samba em Goiás. Ao longo dos anos, lançou os álbuns “Coração de malandro”, “A faces do amor” e em 2017 gravou seu primeiro DVD, disponível em seu canal no YouTube: Fernando Boi Solo.

Em 2018 teve a honra de ser um dos selecionados para o FICA (Festival Internacional do Cinema Ambiental), na cidade de Goiás,  como uma das atrações, onde junto com sua banda, revelou seu talento para mais pessoas, com música autorias.  

Nos anos de 2018 e 2019 participou do Goiânia Canto de Ouro, festival da música produzida em Goiás, promovido pela Prefeitura, como um dos selecionados, interpretando sambas consagrados e músicas autorais inéditas. 

Em 2021, lançou o álbum “Encontros”, com músicas autorais e em forma de dueto com vários artistas de Goiás, além de ter gravado outro álbum, chamado de “Negror”, mais tarde, gravou também seu segundo DVD em estúdio.

Novo álbum de Fernando Boi. (Foto: Divulgação)

Agora Fernando lança seu sétimo álbum, o “Retratos da vida”, contando com a participação de Marcelo Barra, Pádua, Heróis de Botequim e Dani França.

Confira agora a entrevista que Fernando Boi concedeu ao Diário da Manhã.

Goiás é um estado conhecido pelo sertanejo. Mas como sambista, como você enxerga a cultura do samba em território goiano?

Goiás tem um trabalho muito bonito e referência no sertanejo, mas essa porta do samba vem abrindo há tempos para os sambistas, compositores e instrumentistas do samba do nosso Estado. O samba é uma realidade em Goiânia e em Goiás.  As rodas de samba, em todas suas vertentes estão pegando fogo nos bares da cidade, principalmente aos sábados e domingos.

O samba nos remete ao Rio de Janeiro, pelo ritmo e pela divulgação em massa da cidade junto ao gênero musical. De que forma você cultua o Goiás através do samba?

Quando se fala de composição, o samba é, antes de tudo, uma música  do cotidiano, muito popular.  É do povo feita para o povo, como dizia o grande poeta Candeia. Eu cultuo Goiás nas composições, através das letras, das melodias, da integração e influência da música regional produzida aqui em Goiás. 

Ao longo de sua carreira, você soma seis álbuns e dois DVDs, consequência de sucesso, tanto que participou do FICA, se apresentou no Teatro SESI, e no Goiânia Canto de Ouro. A se deve esse sucesso? Quais são suas referências musicais?

Esse sucesso e esse espaço se deve a longos anos de trabalho sério com o samba. Também se deve ao amor à música e a nossa resiliência em cultuar, ensinar e estimular o samba no Estado de Goiás. Esse espaço foi conquistado  devido a  longos anos de rodas de samba, de estudo do samba,  de respeito ao samba. Minhas referências  nacionais do samba  são  Roberto Ribeiro, Paulinho da Viola, Candeia, Cartola,  Wilson Moreira, Nei Lopes, Chico Buarque, Caetano Veloso, Clara Nunes, Paulo Cesar Pinheiro, Martinho da Vila, João Nogueira, Monarco, Mauro  Diniz, Fundo de Wuintal e tantos outros bambas que compõem a história do samba.

Como foi o processo criativo do novo álbum? Quais as mensagens que você quer passar ao público através das músicas?

Eu falei para mim mesmo há tempos que não escreveria mais músicas de amor! Ouço sambas a vida toda e “decidi “que não iria escrever sobre o amor. Tinha gente demais escrevendo e os temas recorrentes me irritavam.  Sempre achei um “piegas” as músicas de amor, principalmente as músicas felizes de amor. (…) Fui fazendo minhas músicas em estado de necessidade  e  quando dei por mim , tinha mais que um álbum para gravar somente de canções de amor. Novamente o amor  batia na porta! Foi difícil escolher as  catorze canções que compõem esse álbum, mas o fiz.

“Retratos da vida” é antes de tudo um álbum que celebra a  vida  e questiona o amor. Não o  amor  certinho, mas  o revertido ,  o   amor torto,  o amor escondido em uma fotografia envelhecida ,  guardado no meio  de um livro, o amor representado por um sachê  guardado na gaveta  que tem os alfinetes enferrujado. (…) Mas  certamente   a mensagem  do álbum é uma mensagem de esperança, fugindo da abordagem tradicional. 

Suas músicas estão disponíveis nas plataformas de mídia, bem como seu conteúdo é disponibilizado em seu site fernandoboisamba.com.br, além de fotos e vídeos em seu Instagram @fernandoboisamba.

Comentários