Entretenimento

Mario e Donkey Kong completam 40 anos!

Quarentões surgiram em 1981 em um clone para King Kong. Na época, Mario era “Jumpman” e enfrentava “Donkey Kong”. Criação da Nintendo ainda lidera vendas de games

diario da manha

Em um ano dominado por jogos como “Deathloop”, “It takes two”, “Metroid Dread”, “Psychonauts 2”, “Ratchet & Clank: Rift Part” e “Resident Evil Village”, um dos jogos que prometia muito em 2021 era “Super Mario 3D World + Bowser´s Fury” – nova incursão da franquia para este ano que começa a se encerrar.
No Metacritic, “Super Mario 3D World + Bowser´s Fury” recebeu 89 de Metascore e 8.7 dos usuários. O jogo é, na verdade, uma adaptação para Switch de um jogo que saiu para Wii U, o console menos popular da Nintendo. Tem fôlego? Tem. Mas chegou cansado em 2021.
A recepção do game está aquém da grandiosidade de Super Mário, personagem que completa 40 anos de existência. A nova geração de gamers estaria pronta para virar a página?
A data comemorativa passa despercebida por um motivo simples: na verdade é “Jumpman” que surgiu em 9 de julho de 1981 no jogo de arcade “Donkey Kong”.
O nome Mario aparece em “Mario Bros”, clássico de 1983 feito para arcade e que dois anos depois migrou para o console Famicon – que se transformou em Nintendo Entertainment System (NES), o líder da geração 8 bits.


Mesmo assim é inegável que chegamos a uma data de 40 anos de seu aparecimento! A comunidade gamer comemora a data para “Donkey Kong”. Muitos, inclusive, tratam o antagonista de bigodinho como se fosse um qualquer na indústria cultural. Mas era Mario!
No início, Mario é carpinteiro (depois muda de profissão para encanador), que tem um macaco de estimação – Donkey Kong, inegável joia da Nintendo muito bem explorada nas segundas e terceiras gerações de consoles. Parabéns para ele que também celebra agora seus 40 anos.
Criados pelo genial Shigeru Miyamoto e sua equipe, Mario (e, claro, Donkey Kong) salvou a indústria de games que quebrou em 1983. Atravessou as gerações de console e reinou no início deste século.
Trouxe com ele algumas das principais características da indústria atual – que pouco se parece com os pioneiros jogos Tennis for Two (1958), Spacewar (1961) e a sequência de jogos do primeiro console – o legendário Magnavox Odyssey (1972).
Mario chega quando a indústria estava dividida entre arcades (os jogos enquadrados em caixas de madeiras que recebiam fichas) e consoles de segunda geração – Atari 2600, Intellivision, Odyssey, etc.
Os sucessos da época eram “Tetris” (1984), “Pac-man” (1980) e “Space Invaders” (1978). Mario será o quarto sucesso desta geração que ainda mesclava arcades com máquinas que rodavam em casa.


Quando chegou, “Donkey Kong” trazia toda a carga simplória e subalterna de subproduto da indústria cultural. O nome só não foi King Kong, referência explícita ao personagem criado para o cinema, em 1933, por conta das ameaças judiciais.
A parte que figura como clone de King Kong não tem nada de novo. O surreal começa mesmo quando a câmera foca em “Jumpman”. Anos depois, nos tribunais, a Nintendo provou que não tinha criado um “plágio”. Mas é verdade que antes tentou, isto sim, adaptar para os games a narrativa de Popeye.
No jogo, Pauline era apenas uma “senhora”. O jogador deveria assumir o papel de Jumpman e resgatar a garota.

Primeira aparição, como Jumpman, em “Donkey Kong” (1981)
Mario em 1983

Humor
O game foi uma explosão de criatividade: inaugurou a rentável categoria dos jogos de plataforma, inseriu de vez o humor numa arte que carecia de estratégias sensíveis, popularizou (não criou) as cutscenes/cinemáticas e chamou atenção da sociedade para um dos novos modelos de criatividade humana, que antecipou a inserção da sociedade na cibercultura e desterritorialização das sociabilidades e lazer.
Graças a Mario (ou talvez a centelha de Donkey Kong) surgiram as antíteses, como “Sonic the Hedgehog”, “Mega Man”, “Castlevania”, etc.
Mario foi tão essencial que ‘tocou’ a criatividade gamer. Sonic só tem um tênis descolado, uma trilha sonora irada e uma imagem juvenil por conta de tudo o que não queria ser em Mario: adulto, conservador apaixonado, ítalo-americano (humano). E assim a multipluralidade de “Jumpman” segue firme na indústria. No ano passado, um cartucho sobrevivente daqueles anos iniciais de Mario – de 1987 – foi comercializado por US$ 140 mil (R$ 755 mil).

Comentários