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A irreverência de Rivera

Redação DM

Publicado em 4 de junho de 2018 às 04:43 | Atualizado há 1 ano

Dentro da lista de casais po­lêmicos que juntos fizeram história, estão os mexicanos Diego Rivera e Frida Khalo. Pintores do século XX que revolucionaram na arte e no modo de viver. Longe de ser um casal convencional, Die­go e “Friducha”, como o marido cha­mava a pintora, tiveram uma bela e turbulenta história.

Diego Rivera, nascido no Méxi­co no ano de 1886, retratava em suas obras a vida do proletariado mexi­cano. Diferente de sua esposa Fri­da que iniciou seus estudos das ar­tes sem muitos recursos, Diego teve a oportunidade de estudar pintura em grandes escolas. Começou em uma academia em seu país e depois zarpou para a Europa.

Por causa das suas andanças pelo velho mundo fez amigos e recebeu toda sorte de influências em seu tra­balho. Entre os amigos que fez está um dos boêmios da arte plástica, o famoso Pablo Picasso. Mas seu trabalho passou a chamar atenção quando inspirado pelo pintor Paul Cezane largou o cubismo por for­mas mais simples e cores fortes.

O gosto de Diego por murais era seu grito contra a arte voltada para a burguesia, sempre teve aspirações comunistas e queria mostrar isso com sua arte. Ele queria ultrapassar o limite da pintura de galeria, não queria suas obras estocadas espe­rando adquirir valor de venda. Sua ideia era retratar o povo, as contra­dições históricas e sociais que aba­teram o México.

O AMOR PLURAL DE DIEGO E FRIDA

O casamento destes dois pinto­res de traços e personalidade fortes foi repleto de traições, brigas e lon­gas separações. Diego não acredita­va na fidelidade como uma expres­são de amor e teve inúmeros casos. Mas Frida também dava seus pas­seios e assim como o marido teve vários homens e mulheres duran­te seu casamento.

Se casaram em 1929, Frida era pupila de Rivera. A relação deles misturava amor, militância política e paixão pelas artes. Muita coisa foi superada mesmo aos trancos pelo casal, mas um romance entre Diego e Cristina, irmã de Frida foi um gol­pe muito forte. Esse fato afastou os dois por um bom tempo.

Um caso famoso dos dois foi o envolvimento da pintora com Leon Trotsky. Com medo de ser assassinado por agentes de Sta­lin, ele pediu exílio aos compa­nheiros da esquerda mexicana. Tendo recebido Trotsky em sua casa, Frida logo sentiu interesse pelo revolucionário sessentão e acabaram se envolvendo.

Há teorias que dizem que o fator que motivou Frida a “seduzir” Trot­sky foi a vontade de atingir o marido depois da traição com a irmã. Como uma mulher perderia a chance de ter um caso com o ídolo e amigo de seu marido infiel? Muitos esquecem que ela sempre foi um ser em ebuli­ção, cheia de talento e desejo.

SUBVERSÃO NO ROCKFELLER CENTER

Diego Rivera foi contratado por Nelson Rockfeller, em 1930, para pintar em seu edifício um mural que retratasse a esperança no rosto do homem comum. Tudo bem que ele não era a primeira opção pro tal pai­nel e sim o europeu Pablo Picasso, que não estava disponível. Mesmo assim confiaram ao pintor à cria­ção de três murais em Nova Iorque no Rockfeller Center.

Rivera não se conteve em sub­verter a banalidade da obra enco­mendada e acabou indo bem mais longe. Acabou jogando tudo na pa­rede do edifício, a burguesia, o pro­letariado, o exército, as máquinas. Mas o grupo Rockfeller não pôde suportar que ao lado do retrato dos trabalhadores surgiu a figura do re­volucionário russo Lênin, um pou­co a sua esquerda lá está Trotsky, perto de Karl Marx.

A empresa de engenharia, que tinha feito o contrato, man­dou parar toda a obra e dispen­saram os serviços de Diego Rive­ra. O pintor se recusou a apagar os rostos dos revolucionários da esquerda, condição para manter a obra. Tudo que restou do pai­nel original foram fotos em pre­to e branco, usadas para recons­truir a pintura no México.

PRA CONHECER UM POUCO SOBRE A PERSONALIDADE DESTE ARTISTA MEXICANO, FRASES MARCANTES SOBRE A VIDA, CRENÇAS E SEU TRABALHO

“Eu nunca acreditei em Deus, mas acredito em Picasso”

“Nunca antes uma mulher colocou tal poesia agonizan­te sobre a tela como Frida fez”

“Toda boa composição é acima de tudo um trabalho de abstração. Todos os bons pin­tores sabem disso”

“Eu a amava, mas eu queria machucá-la. Frida foi apenas a vítima mais óbvia desta carac­terística nojenta”

 


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