Agroecologia é o futuro do agronegócio
Redação DM
Publicado em 1 de setembro de 2018 às 22:58 | Atualizado há 1 ano
O Planalto Central se constitui em uma caixa d’água para o Brasil. As nascentes de importantes bacias hidrográficas brasileiras estão situadas no Estado de Goiás, como as nascentes do Rio Araguaia e Tocantins bem como as nascentes de alguns rios que vão dar origem à bacia do São Francisco, vez que se localizam entre o Estado de Goiás e o Estado da Bahia.
Por sua vez, as nascentes dos rios que vão compor a bacia do Paraná, que formam a Bacia do Prata, segunda maior bacia hidrográfica da América do Sul, se originam no Estado de Goiás.
É o que ensina Bruna Venceslau, candidata a vice-governadora na chapa de Marcelo Lira pelo PCB/Goiás.
Ela enfatiza a importância do Planalto Central como pilar estratégico na proteção e na defesa dos recursos hídricos, não só do Brasil como da América do Sul.
“Precisamos que o Estado crie, de forma mais ampla, a unidade de conservação”, afirma Bruna.
Sobre os parques estaduais de proteção do meio ambiente, ela avalia que eles existem no Estado de Goiás, mas a maioria foi criada de uma forma precarizada. “Foram criados na ponta do papel, além do que existem muitos proprietários de terras que estão dentro das unidades de conservação, e não há do Estado, nenhuma medida eficiente para se retirar práticas que não são compatíveis com aquele tipo de unidade de conservação de dentro das áreas dos parques. Deste modo, elas não cumprem portanto sua função ambiental, que é proteger os ecossistemas, produzir água e qualidade ambiental”, avalia.
Bruna afirma que é preciso criar e ampliar unidades de conservação bem como corredores ecológicos que as interliguem, porque não basta criar unidade de conservação cercadas pelo agronegócio, como no caso do Parque Nacional das Emas.
“Do ponto de vista ambiental, as unidades de conservação se constituem em isolamento de espécies da fauna e flora, e isso não consegue promover efetivamente a proteção daquele fragmento de bioma”, avalia.

DANO AMBIENTAL
Em relação à questão da água, ela defende a elaboração de um programa de recuperação dos recursos hídricos.
Bruna Venceslau afirma: “Infelizmente podemos observar no Estado de Goiás áreas de veredas, que são áreas de produção de água, úmidas, completamente desmatadas ou drenadas em função do fornecimento de água para as propriedades produtivas do agronegócio, o que é proibido do ponto de vista legal. Isso acontece porque elas não são fiscalizadas, e quando são fiscalizadas, as punições não se efetivam, o que não dá a garantia de que o dano ambiental seja revertido”.
CRISE HÍDRICA
Bruna contesta a divulgação pela mídia em geral que enfrentamos uma crise hídrica onde é imputado à população uma responsabilidade coletiva, principalmente dos habitantes das cidades, em diminuir a escassez de água no espaço urbano e impedir a passagem para um cenário ainda mais grave de escassez de água nos próximos meses.
Ela define tal pensamento como uma construção de um discurso da culpa, ou seja, “a culpa é daquele que lava a calçada ou a casa com um litro de água”, rebate. Ela explica que na realidade, o consumo de água, quer no Estado de Goiás quanto no Brasil e no mundo inteiro, possui uma proporção que varia muito pouco dentro da seguinte porcentagem: 70% da água que é consumida vai para a agricultura, 20% da água potável é consumida pela indústria e 10% pelo consumo doméstico.
“Isso significa que o menos culpado é o morador da cidade. Esta propaganda é enganosa e a procura de uma solução para a crise hídrica não passa pelo consumo urbano.”
Bruna é incisiva ao afirmar que há um enorme dano nas nossas bacias hidrográficas produzido pelo agronegócio e pelo setor industrial.
“Quem deve ser fiscalizado e cobrado é quem consome os 90% da água potável disponível”, defende. “E isso passa pela implementação de mais tecnologia. É possível que se produza um outro tipo de agricultura que demande muito menos irrigação. Mas isso passa pela defesa de um outro tipo de agricultura, de um outro tipo de propriedade da terra e de distribuição da terra.”
“Latifúndios que produzem monocultura em larga escala não conseguirão se sustentar se não houver aquela irrigação clássica de onde se tira milhões de metros cúbicos de água dos rios e se utiliza o pivô central para dispersar a água, quando a maior parte dela evapora antes de chegar na planta. É uma completa irracionalidade”, enfatiza.
“A solução para o problema da água passa pela discussão da distribuição fundiária e pelo modelo de agricultura. Por isso não há solução fácil, e por isso somos rotulados como radicais. Não adianta falar em resolução da questão hídrica do Estado de Goiás se não falarmos de um modelo de apropriação da natureza e distribuição de terra que é responsável por esse modelo predatório de consumo de água”, enfatiza Bruna.
REFORMA AGRÁRIA
Bruna Venceslau enfatiza que é preciso implementar uma reforma agrária que consiga instituir no Estado de Goiás uma agricultura familiar, camponesa, agroecológica, que produza alimento de qualidade para as cidades, sem veneno, empregando a população do campo e produzindo um espaço verdadeiramente equilibrado. Daí a importância em se promover a Reforma Agrária através da desapropriação de terras improdutivas. Ela também defende o enfrentamento de uma outra situação, que trata da desapropriação das terras flagradas no trabalho escravo.
AGROECOLOGIA
Bruna defende a implementação de uma agricultura em outro paradigma ecológico, com esteio na assistência técnica de qualidade, para que o pequeno agricultor, que é responsável pela produção de 70% da comida que chega ao nosso prato, seja beneficiado.
“Não observamos nenhuma política pública que atenda aos interesses da classe camponesa”, e isso é essencial para que aquelas parcelas consigam produzir alimentos com alta qualidade e garantir a renda monetária para que vivam em boas condições e possam superar a pobreza que existe no campo. É preciso que haja fortalecimento de programas de qualificação profissional no campo e para o campo, e não só fortalecer programas onde o agronegócio é beneficiado”,
EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA
Bruna Venceslau também propõe um redirecionamento das políticas educacionais dos Institutos Federais, especialmente do Institutos Federais de Educação Tecnológica, os IF’s goianos, que visam formar profissionais preparados para atender ao agronegócio e não formam profissionais com tecnologia capaz de atender aos pequenos proprietários.
“É preciso criar política públicas que visem atender aos interesses do pequeno agricultor, visando o desenvolvimento sustentável desta parcela da população”, finaliza.

