Alok vai botar som no Parque Agropecuário de Goiânia neste sábado (16/5)
Redação Online
Publicado em 15 de maio de 2026 às 19:35 | Atualizado há 2 meses
Alok em Copacabana: artista se acostumou a grandes plateias - Foto: Filipe Miranda (Yotto)/Divulgação
Marcus Vinícius Beck
Alok vai botar o som na Pecuária. Não, você não leu errado. O DJ leva seu set aclamado mundo afora ao evento que se tornou vitrine da cultura goiana. É hoje, por volta das 21h.
Com 25 milhões de ouvintes mensais no Spotify, o goiano explodiu na última década. Extrapolou fronteiras, grudou no ouvido das pessoas, chegou ao topo. “Hear Me Now”, composição indie do músico Zeeba, mudou tudo em 2016. Enfim, Alok chegou lá.
Não foi fácil, no entanto. A música, transformada em hit pop, foi deixada de lado pelas gravadoras brasileiras. Até que, por que não?, acabou oferecida ao selo holandês Spinnin’. De cara, pegou. Afinal, era a chance de a carreira ganhar um impulso rumo ao estrelato.
Mas Alok tinha medo. Iam entendê-lo mal. “Hear Me Now” pulsa uma batida pop, na vibe Coldplay, com um quê melancólico e de conforto emocional. A instrumentação entrelaça violão e beat eletrônico, como se as memórias pretéritas fossem revividas durante a audição.
Se você me ouvir agora, todos os medos desaparecerão. Esse era o recado alokiano. Assim, tudo se ajeitou: pintavam shows, viagens, reconhecimento. Foi a licença para o festival Villa Mix. O goiano, então, pensou: “O lance é fazer uma parada minha, com o meu coração.”
Ainda assim, a coisa era punk. As crises depressivas o derrubavam. Os pensamentos o angustiavam. Além disso, conforme relata em entrevista ao jornal “Folha de S. Paulo”, perguntava-se: “O que vem depois da morte?” Não sabia. Quer dizer, acreditava em algo.

‘Sentido da vida’
A questão, para Alok, era outra: “Eu queria saber o sentido da vida.” Jogado aos pés da música pop, o goiano descobriu satisfação em fazer as pessoas felizes na pista. Na ótica do artista, isso valia mais do que ingressar na vanguarda. Até seu set começou a se modificar.
De Alceu Valença a Legião Urbana, o DJ instituiu uma grande festa em suas apresentações. Ele convidou, em Brasília, durante show na Esplanada dos Ministérios, em 2024, o cantor Nando Reis para dividir o palco. Sob uma base remixada, o ex-titã cantou “Segundo o Sol”.
Esse show, aliás, teve uma parte dedicada a representantes de oito etnias indígenas. Na ocasião, o artista lançava o disco “O Futuro é Ancestral”, no qual relê músicas originárias dos povos Yawanawá, Huni Kuin e Guarani Nhandeva. O projeto, todavia, vai além.
Nele, o goiano mapeou canções em seus estilos originais. As obras foram registradas pelas populações originárias. De acordo com a revista “Rolling Stone”, até novembro de 2024, 130 composições tradicionais tinham sido documentadas. Quase um trabalho antropológico.
No Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), unidade do Rio de Janeiro, o artista criticou a liquidez da pós-modernidade. “A gente sabe que o que está hypando, o que está em trend, vai durar só seis meses”, disse, sobre o álbum ao qual esteve ligado por cerca de dez anos.
“Nesse projeto, eu não queria jogar o jogo da indústria da música”, explicou o goiano, que buscava uma mensagem de conscientização. Alok conheceu o povo Yawanawá quando se sentiu deprimido, em 2014. “Aí eu vi uma música deles num vídeo e quis conhecê-los.”
DJ percorreu odisseia para conhecer povos da floresta
Alok não imaginava ter de pegar três voos, andar por treze horas na rodovia e mais nove numa canoa. Ao chegar lá, porém, transformou a forma como lidava com a própria arte. Se o goiano fazia música para o top 10 do e-sport, os ancestrais a escreviam para curar.
Quando no estúdio, em 2021, mostrou-se emocionado. E expressou isso aos Yawanawás, com quem ali se achava: “Nossa, que música linda.” Em seguida, perguntou: “Quando vocês a fizeram?” Disseram-lhe: “Essa aqui, pelo que nos lembramos, tem 500 anos.”
Com “O Futuro é Ancestral”, o goiano tinha a ambição de ampliar as causas dos povos indígenas, guardiões das florestas. O disco, inclusive, concorreu ao Grammy Latino 2024 na categoria Melhor Música Eletrônica Latina, com “Pedju Kunumigwe”. Não venceu, porém.
Em entrevista coletiva, Alok — novamente em tom crítico — minimizou a derrota. Para ele, caso o disco fosse baseado em ganhar um Grammy, a obra seria frágil. “Para mim, o futuro é usar a minha plataforma pra fazer a diferença e transformar o mundo em um lugar melhor.”
Antes dessa obra, no entanto, o goiano conheceu o vocalista dos Rolling Stones, Mick Jagger, em uma festa secreta. Na pandemia, Jagger avisou o DJ de que os Stones lançariam uma música após oito anos e perguntou se ele toparia fazer o remix de “Living in a Ghost Town”.
Alok topou, claro. Mas foi um trabalho exaustivo, já que o cantor é perfeccionista. O DJ, segundo a “Rolling Stone”, brincou: “Agora entendo por que você fez essa música ‘(I Can’t Get No) Satisfaction’, porque você nunca está satisfeito.” Foram dez versões até a definitiva.
Nascido em Goiânia, Alok Petrillo viveu parte da infância na Chapada dos Veadeiros, em Alto Paraíso. Logo depois, mudou-se para Brasília, onde teve contato com o meio urbano. Hoje, já com experiência, deixou o underground. É badalado e, mais do que isso, ouvido.