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Arthur Nogueira cria cenários poéticos no clipe Era só você

Redação DM

Publicado em 13 de março de 2018 às 00:05 | Atualizado há 8 anos

Considerado “o artista con­temporâneo responsável por renovar a tradição dos poetas na canção brasileira” (O Glo­bo), com obras interpretadas por cantoras como Gal Costa e Ana Ca­rolina, Arthur Nogueira apresenta o clipe Era só você. De sua autoria, essa faixa integra o álbum “Rei Nin­guém”, quarto título da discografia do cantor e compositor paraense, produzido com patrocínio Natura Musical.

No novo clipe, Arthur Noguei­ra se movimenta de forma a criar os efeitos de luz e sombra que ser­vem de cenário a uma memorável história de amor. “A letra da músi­ca descreve muitas imagens. Con­ta uma história que se passou em um cenário específico, no caso, as praias do Paraíso e do Marahu, perto de Belém, a cidade onde nasci. No entanto, o mais impor­tante não é esse cenário absoluto – o céu, o mar, o sol, etc. –, mas o sentimento partilhado em meio àquela paisagem, entre duas pes­soas específicas. Por isso, ao invés de se valer de imagens reais do lu­gar, o vídeo aposta em um jogo vi­sual que, assim como a letra da música, evoca a matéria de ma­neira poética”, conceitua o artista.

Dirigido por Luan Cardoso, res­ponsável por todo o conteúdo em vídeo do projeto “Rei Ninguém”, que inclui ainda um documentá­rio e cenas das gravações da faixa Consegui, o clipe de Era só você é coerente com o trabalho de Ar­thur Nogueira, que, segundo o di­retor, é “sensível e minimalista”. “Como influência para conceber o vídeo, posso citar, por exemplo, o fotógrafo israelense Moshe Bra­kha, referência no uso de cores e sombras”, conta Luan. O diretor es­clarece que nenhum trabalho de sobreposição de imagens foi rea­lizado durante a pós-produção. Todos os resultados de luz e som­bra partiram dos movimentos de Arthur, captados entre os refleto­res montados no Teatro da Rotina, em São Paulo.

Sobre o álbum “Rei Ninguém”

Em “Rei Ninguém”, patrocinado pelo Natura Musical e lançado em CD com o selo Joia Moderna, Ar­thur Nogueira inaugura novo mo­mento de sua carreira, ao deixar de lado a eletrônica dos discos “Pre­sente” (2016) e “Sem medo nem es­perança” (2015) e apostar em uma sonoridade mais orgânica.

Gravado ao vivo durante uma imersão em um estúdio no interior de São Paulo, o CD tem produção do próprio Arthur e arranjos cria­dos em parceria com a banda, for­mada por Allen Alencar (guitarra), Filipe Massumi (violoncelo), João Paulo Deogracias (baixo e synth), Richard Ribeiro (bateria e percus­são) e Zé Manoel (piano e teclado).

Nas letras, o compositor abre novos universos poéticos, em mú­sicas criadas para versos de Euca­naã Ferraz e Rose Ausländer (poeta de língua alemã e origem judai­ca), na versão em português de um clássico de Bob Dylan (You’re gon­na make me lonesome when you go) e em homenagens a Ferreira Gullar e Waly Salomão. O álbum in­clui também duas novas parcerias com o poeta Antonio Cicero, elei­to recentemente Imortal da Acade­mia Brasileira de Letras, intituladas A hora certa e Consegui (esta canta­da em dueto arrebatador com Fafá de Belém).

Como fica claro na letra de Era só você, o álbum “Rei Ninguém” cele­bra as coisas que se realizam plena­mente na hora certa, isto é, que aca­bam quando têm que acabar e não se alongam em “estado de decom­posição” ou “se enterram bem an­tes de acabadas”. “Nas canções do disco”, escreve o jornalista Leonar­do Lichote, “tudo se desfaz, tudo se refaz – e se desfaz, e se refaz”.

“Rei Ninguém” foi lançado em CD em 2017, com um circuito de shows que passou por São Paulo, Belo Horizonte e Belém. A espera­da versão LP, que conta com pro­jeto gráfico da artista plástica Elisa Arruda, está prevista para chegar ao mercado ainda no primeiro se­mestre de 2018.

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