Bella Campos quebra o silêncio sobre assédio e briga polêmica com Cauã Reymond
Redação Online
Publicado em 28 de abril de 2026 às 16:43 | Atualizado há 2 meses
Em entrevista ao Jornal O Globo, a atriz relembrou um episódio em que o ator levantou o braço e pediu para que ela cheirasse seu sovaco.
A novela ‘Vale Tudo’ acabou, mas as polêmicas em torno da trama global continuam. Bella Campos abriu o jogo e falou pela primeira vez sobre sua relação com Cauã Reymond nos bastidores da produção.
Em entrevista ao Jornal O Globo, divulgada na última segunda-feira (27), a atriz surpreendeu ao contar que o ambiente de trabalho era desconfortável por conta de atitudes consideradas “desrespeitodas e machistas” e do ator.
“Meu maior desafio dentro desse projeto [Vale Tudo] foi ter que conviver com uma misoginia internamente. Acho que isso também era o que no começo me deixava travada, essa sensação de abafamento. As pessoas veem o resultado na tela, mas não fazem ideia das coisas que acontecem nos bastidores e o quanto isso pode afetar o resultado. Eu me senti oprimida no começo”, iniciou.
“Depois que muita m* foi para o ventilador, que todo mundo já sabia o que estava acontecendo, eu falei: ‘É isso, está acontecendo um monte de confusão mesmo. Não vou ficando dando entrevista falando que está tudo bem, porque não estava”, continuou ela.
Na sequência, Bella Campos relembrou um episódio em que Cauã Reymond levantou o braço e pediu para que ela cheirasse seu sovaco. “Não pode ser risível um homem levantar o braço no meio de uma gravação e perguntar: ‘Cheira aqui o meu sovaco e vê se eu estou fedendo’. Isso não pode ser tratado como algo cômico, porque não é. Um homem dizer: ‘Ah, mas você tem cara de que gosta do cheiro do homem’. Isso para mim não é nada engraçado, mas eram por essas coisas que eu estava passando antes de tudo vir à tona”, entregou.
Repercussão
De acordo com a intérprete de Fátima Acioli no remake de Vale Tudo (2025), o clima ficou ainda mais tenso após a repercussão do caso na imprensa. “Depois que tudo veio à tona, as coisas foram um pouco mais controladas, porque daí a pessoa ficou com medo de ser exposta. Aí eu parei de ser tão cercada como eu estava sendo por um lado. Por um outro lado existia um lugar de: ‘Ah, mas você tem que se posicionar e falar que está tudo bem’. Eu não queria fazer isso e não vou fazer nunca, porque a partir do momento em que eu fiz isso eu comecei a receber a receber mensagens de muitas mulheres, de muitas atrizes que já tinham passado por coisas parecidas”.
“Nesse momento, eu entendi que não era sobre mim. Isso me deu uma certa força para continuar fazendo o que eu estava fazendo. Quando eu tomei conta dessa força, eu consegui dar uma força ainda maior para a personagem, a Maria de Fátima. Me fortaleci porque entendi que esse movimento que eu estava fazendo não era só sobre o meu bem-estar, era sobre um bem-estar coletivo de várias mulheres”, disse.
Por fim, Campos refletiu sobre sua coragem em denunciar a postura de Reymond ao complince da Globo. “Querem que a gente tenha medo de uma porta fechada, de um espaço negado. Minha porta não está fechada. Fiquei um pouco chateada com a maneira com as coisas se deram internamente. Solicitei reuniões, mas aí quem está na cadeira do comando? Homens, brancos, que até hoje eu não entendi o pacto tão forte ali entre eles. Não consigo entender”, concluiu.