Com “Backrooms”, YouTuber de 20 anos se torna uma das vozes mais promissoras do cinema de terror
Redação Online
Publicado em 1 de junho de 2026 às 20:57 | Atualizado há 2 meses
Expectativas estão altas para a estreia de Parsons com “Backrooms” - Foto: Divulgação
João Pedro Santos
O futuro é brilhante para o jovem Kane Parsons. Em 2022, aos 16 anos, Parsons iniciou uma série de curtas experimentais no seu canal no YouTube sobre as Backrooms, lenda urbana da internet que consiste em espaços liminares infinitos povoados por entidades bizarras. Somente um ano depois, a A24, distribuidora responsável por vencedores do Oscar como “Tudo em Todo Lugar Ao Mesmo Tempo”, o contratou para comandar uma versão em longa-metragem, fazendo dele o cineasta mais novo a assumir um filme da produtora.
Agora, com o lançamento de “Backrooms: Um Não-Lugar” nos cinemas nesta quinta (28/05), Parsons se junta a Danny e Michael Philippou (“Fale Comigo”), Mark Fischbach (“Iron Lung: Oceano de Sangue”) e Curry Barker (“Obsessão”) como o cineasta mais recente a migrar da criação de conteúdo para a direção de longas-metragens de terror. Ambientado na mesma continuidade dos curtas do YouTube, o longa acompanha uma terapeuta (Renate Reinsve, ‘Valor Sentimental’) que adentra nas Backrooms para resgatar um de seus pacientes (Chiwetel Ejiofor, ‘12 Anos de Escravidão’).
As expectativas estão altas para a estreia de Parsons na direção, com “Backrooms” tendo uma previsão de abertura de US$50 milhões no primeiro final de semana, contra um orçamento de menos de US$10 milhões. Caso a estimativa se concretize, o longa irá se juntar à “Iron Lung: Oceano de Sangue” e “Obsessão” como um trio contínuo de filmes de terror comandados por YouTubers que foram sucessos de bilheteria em 2026.
Trajetória
Kane Parsons iniciou seu canal no YouTube, Kane Pixels, em abril de 2015, onde postava gameplays de Minecraft e memes. Porém, com a pandemia de COVID-19, ele se familiarizou com o software Blender, usado para criar animações, modelos e efeitos visuais em computação gráfica. Com esse conhecimento, em 2021, realizou seis curtas animados recriando momentos marcantes da série de mangá e anime “Attack on Titan” em um estilo similar à fotografias de guerra. Os seis vídeos acumularam mais de 50 milhões de visualizações, e foram muito elogiados pelos fãs de mangá e anime.
Um ano depois, em 2022, Kane postou o vídeo “The Backrooms (Found Footage)” no seu canal. O curta de nove minutos, renderizado completamente no Blender, acumulou mais de 78 milhões de visualizações, inspirando Parsons a transformar o conceito em uma série. Ao longo de 22 curtas, somos apresentados à ASync, um instituto de pesquisa que abre um portal para as Backrooms e conduz diversos experimentos, com o intuito de comercializar o espaço. Os vídeos misturam técnicas de falso documentário (à la A Bruxa de Blair) com filmagens de arquivo, criando uma atmosfera inquietante que traz calafrios à espinha do espectador através da veiculação eficaz do medo do desconhecido.
Em fevereiro de 2023, Parsons fez história ao se tornar o cineasta mais jovem a ser contratado para dirigir um filme da A24, aos 17 anos de idade. Além do prestígio da distribuidora, “Backrooms: Um Não-Lugar” também conta com a produção de diretores influentes do gênero, como James Wan (“Jogos Mortais”), Shawn Levy (“Stranger Things”) e Osgood Perkins (“Longlegs”). O filme marca uma mudança de estratégia: enquanto as Backrooms dos vídeos são criadas digitalmente, uma versão física de 2,8 mil m2 precisou ser construída para o longa-metragem, levando diversas pessoas a se perderem dentro do set.
Mesmo com um futuro promissor nas telonas, é impressionante notar que Parsons não abandonou o seu canal no YouTube, dando origem a mais duas séries de curtas originais: “The Oldest View” (A Vista Mais Antiga) e “People Still Live Here” (Pessoas Ainda Moram Aqui). A primeira, lançada em 2021, acompanha um YouTuber que descobre uma escada que leva à um shopping subterrâneo; enquanto a segunda, lançada em 2025, repassa eventos presenciados entre os anos 1930 e 1940 por um pesquisador em uma dimensão alternativa. (Especial para o DM)