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Como a literatura pode impulsionar a reflexão humana?

Redação DM

Publicado em 11 de janeiro de 2018 às 00:08 | Atualizado há 8 anos

As histórias mais ricas em signifi­cado geralmen­te fazem alusão a con­ceitos imateriais através da simbologia de perso­nagens. Temos grandes exemplos disso em obras como O Pequeno Prínci­pe, no qual a mensagem principal do livro é lem­brar a todos da esperan­ça e amor da infância, por mais que seja uma simples narrativa de um menino com outros per­sonagens “comuns”. No caso de O Cortiço, João Romão representa o ca­pitalista explorador, e Rita Baiana, a mulher brasileira. E como não citar O Retrato de Dorian Gray nesse grupo? A obra é a principal referência literária quando o as­sunto é a vaidade huma­na e suas consequências.

Livros com o poder de representar um panora­ma social ou até mesmo humano através de per­sonagens levam um co­nhecimento aos leitores que talvez passasse ba­tido, se o tema não fos­se abordado de maneira lúdi­ca. Ou seja, se bem pensados e escritos, romances podem ser mais que um hobby praze­roso. Para quem gosta de ler, tornam-se fonte de sabedoria histórica e reflexão.

Aliel Paione em sua obra Sol e Sonhos em Copacabana uti­liza deste recurso para repre­sentar o Brasil e sua situação crítica. No livro, a personagem Verônica simboliza o país físi­ca e imaterialmente, como o autor a descreve:

“Verônica possuía a pele dis­cretamente dourada; os cabe­los eram negros, abundantes, e os olhos verdes claros, da cor de certos matos da Tijuca. […] Tais atributos propiciavam-lhe um semblante em que a beleza e a imaginação induzem a paixões fulminantes, inspiradores de poetas desvairados. […] Verônica seria capaz de levar um homem ao céu ou ao inferno com a mes­ma facilidade com que as folhas secas, caídas sobre o chão, são sopradas pelo vento.”

Verônica é o ideal da repre­sentação brasileira, que tem como elemento a pele bronzea­da do sol tropical e o verde das matas, em seus olhos. Além dis­so, sua personalidade ganancio­sa simboliza o jeitinho brasilei­ro, tão presente na cultura do país, como se fosse um ‘salve­-se quem e como puder’, mesmo que isso implique em um jogo de sedução e interesses.”

Além da poética, Aliel Paio­ne se baseou em fatos para es­crever uma crítica política em formato de história de amor. A narrativa de Sol e Sonhos em Copacabana é construída por aspectos sutis, mas mui­to significativos, os quais so­mente um leitor perspicaz é capaz de captar. A política de Campos Sales, a cultura bur­lesca dos cabarés e a Belle Époque são elementos retra­tados por Aliel como poucas obras brasileiras foram capa­zes de fazer.

SOBRE O AUTOR

Aliel Paione nasceu em Var­ginha, Minas Gerais. É enge­nheiro, mestre em Ciências e Técnicas Nucleares pela UFMG, onde trabalhou no departa­mento. Atualmente é professor de Física na PUC. Porém, são atividades secundárias perante o seu amor e vocação literários.

 


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