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Desenhando com luzes

Redação DM

Publicado em 6 de abril de 2018 às 00:00 | Atualizado há 1 ano

Considerado um dos pionei­ros da fotografia colorida, Ernst Haas foi um dos fotó­grafos mais influentes do século XX. Ele nasceu em Viena, na Áustria, em 1921. Sua carreira começou no final da Segunda Guerra Mundial. Seu primeiro trabalho mostra o re­torno dos soldados austríacos após o fim dos combates. Haas também é visto como um dos primeiros ar­tistas a criarem uma ponte entre o fotojornalismo e a fotografia como um meio de expressão e criativida­de. Após ter recusado uma propos­ta de emprego da revista Life para manter a independência de seu tra­balho, foi convidado pelo também fotógrafo Robert Capa para partici­par da cooperativa Magnum Pho­tos, onde esteve ao lado de outros fotógrafos renomados como Henri Cartier-Bresson, and Werner Bishof.

Em 1962, a obra de Haas foi tema da primeira exibição solo de foto­grafia colorida realizada pelo Museu de Arte Moderna de Nova Iorque (MoMA). O fotolivro The Creation (1971), concebido por Haas, é um dos mais vendidos da história – mais de 350 mil cópias. Neste trabalho, o fotógrafo busca através da nature­za e da espiritualidade desenvolver a temática da criação do universo. “A história da criação já inspirou a poesia, a pintura e a música por sé­culos. Nessas páginas, ela é contada pela primeira vez através de fotogra­fias, oferecendo um tipo de ecologia espiritual em elogio à Terra que os homens herdaram e que deveriam proteger ardentemente”, descreve a nota editorial impressa nas edi­ções mais recentes de The Creation.

O fotógrafo sempre foi inspi­rado e fascinado pelo mundo na­tural, e trouxe a temática para sua obra – não como um estilo restrito – durante toda sua carreira. “Ernst tinha crenças de que no mundo atual, nenhum meio poderia in­terpretar a criação de maneira me­lhor que a câmera. Sua opinião é provada por suas magníficas foto­grafias coloridas, organizadas em sequências fluentes, que represen­tam as quatro estações, os elemen­tos, as criaturas e finalmente o nas­cimento do homem”. Considerado um projeto ambicioso, o fotolivro foi desenvolvido durante vários anos. O objetivo de seu criador era interpretar o tema da criação des­crito em vários textos religiosos, como o Antigo Testamento. Uma das grandes inspirações de Haas neste trabalho foi o filme The Bib­le (1966), de John Huston.

CARREIRA INTERNACIONAL

Em 1950, após enfrentar difi­culdades para conseguir um visto para os Estados Unidos, Haas foi nomeado por Robert Capa como vice-presidente da cooperativa Magnum e conseguiu a documen­tação. Em Nova Iorque comprou filme colorido para começar um projeto na cidade. Ele já experi­mentava trabalhar com cores des­de 1949, mas esta seria a primeira oportunidade de trabalhar com aquilo que ainda era considerada uma técnica cara e “assustadora”. Haas passou dois meses fotogra­fando Nova Iorque. Suas imagens vividas foram publicadas pela re­vista Life em 1953. Com o título Images of a Magic City [Imagens de uma cidade mágica]. A histó­ria contada visualmente por ele em 24 páginas foi publicada através de duas edições da revista.

INOVAÇÃO

Na ocasião em que a revista Life publicou a série Images of a Magic City, o crítico de artes Andy Grun­dberg afirmou que as imagens le­varam a fotografia ao campo do expressionismo abstrato. Apesar de nunca ter abandonado o uso do preto e branco, os filmes coloridos e o experimentalismo tornaram­-se um elemento integral de sua obra. De acordo com a publica­ção Painter in a Hurry, de A.D. Co­leman, a ideia de Haas era “trans­formar um objeto daquilo que ele é para aquilo que você quer”. Ele empregava frequentemente téc­nicas variadas de foco e sombras para criar fotografias metafóricas e evocativas. De acordo com o au­tor, a intenção de Haas era refletir “a alegria do olhar e da experiên­cia humana”.

No livro Ernst Haas: Color Correction, de William Ewing, o fotojornalismo foi a manei­ra encontrada por Haas para bancar seus experimentos. Ele financiou seu trabalho pessoal “aventureiro” ilustrando com fotografias reportagens de jor­nais e revistas. Também con­seguiu algum montante atra­vés de propagandas e fazendo fotografias de bastidores do ci­nema. Ao mesmo tempo que se dedicava a tais ofícios, também se entregava às próprias foto­grafias, “traduzindo sua paixão pela poesia, música, pintura e aventura através de imagens co­loridas”. Com o reconhecimen­to da assinatura única que dava às fotografias e com a admira­ção das novas gerações de fotó­grafos, Haas viajou pelo mundo. Fotografei os Estados Unidos, Europa, África do Sul e o su­deste asiático em cores expres­sionistas.


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