Falhas em geradores e ausência de áudio são registradas em relatório sobre queda de helicóptero do cantor Rick
Aline Drumond - Estágio DM
Publicado em 23 de outubro de 2026 às 11:42 | Atualizado há 1 hora
Cantor Rick Sollo morreu na queda de helicóptero em Urubici, na Serra Catarinense | Foto: Reprodução
Uma recomendação para investigar falhas recorrentes nos geradores do helicóptero que caiu em Urubici, em Santa Catarina, não havia sido atendida até o acidente que matou o cantor Rick Sollo e outras quatro pessoas. A informação consta no relatório preliminar do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), que também registra um problema na recuperação das gravações da cabine: o equipamento não continha o áudio do voo em que ocorreu a queda.
O documento foi anexado ao processo de investigação na última terça-feira (21). Apesar de reunir informações sobre o histórico da aeronave e as condições meteorológicas no momento do acidente, o relatório não aponta uma causa definitiva para a ocorrência. Todas as hipóteses continuam em análise.
O histórico de manutenção indica que os problemas nos geradores persistiram mesmo após intervenções técnicas. Em abril de 2026, um dos motores-geradores de partida foi substituído por uma unidade alugada. O equipamento retirado passou por reparos e voltou a ser instalado em maio, quando os dois componentes tiveram suas posições alteradas.
Após esse procedimento, as falhas passaram a atingir alternadamente os dois geradores. Um deles chegou a deixar de fornecer energia elétrica, enquanto o outro manteve o funcionamento do sistema e impediu que as telas da cabine se apagassem.
O mecânico responsável por serviços anteriores confirmou que os defeitos eram recorrentes. Algumas ocorrências haviam sido registradas após voos em nuvens ou sob chuva, mas ele não conseguiu confirmar se a umidade era a responsável pelos problemas. Como as falhas voltaram a aparecer, o profissional recomendou uma nova inspeção na organização de manutenção para identificar a origem do defeito. Segundo o reporte, o retorno não havia ocorrido até a data da queda.
Caixa-preta não tinha áudio do voo
Outro ponto registrado pelos investigadores é a ausência de gravações referentes ao voo do acidente. O gravador de voz da cabine, conhecido pela sigla CVR, armazenava conversas relacionadas a uma intervenção de manutenção realizada em data não identificada.
O equipamento tinha capacidade para registrar 30 minutos de áudio e havia sido instalado no helicóptero em 17 de maio de 2002. Embora a legislação não exija esse tipo de gravador para a operação em questão, a aeronave contava com o dispositivo.
A falta do registro do voo limita as informações disponíveis nesse equipamento, mas não representa, por si só, uma conclusão sobre o que provocou a queda. O Cenipa afirma que exames e análises complementares seguem em andamento e que o reporte preliminar poderá ser atualizado antes da publicação do documento final.
O histórico da aeronave também inclui um pouso de emergência em 30 de março de 2026, em Ibiaçá, no Rio Grande do Sul. Na ocasião, o helicóptero apresentou uma vibração considerada anormal. As verificações realizadas posteriormente, conforme o relatório, não identificaram problemas na vibração do rotor principal.
Condições meteorológicas também são investigadas
Na descrição do acidente, o Cenipa informa que o helicóptero colidiu contra o terreno em uma região montanhosa do Parque Nacional de São Joaquim. A previsão meteorológica válida para o período indicava chuva moderada, visibilidade reduzida a três quilômetros, trovoadas e nuvens com bases baixas. Também havia indicação de obscurecimento de montanhas na Serra Geral.
A presença dessas condições no momento do voo integra os elementos examinados pelos investigadores, mas o relatório não conclui que o tempo tenha sido determinante para a queda.
Proprietária da aeronave, a JTA Empreendimentos e Urbanismo afirmou que o documento não estabelece relação conclusiva entre o acidente, as condições meteorológicas e as possíveis falhas mecânicas. A empresa declarou ainda que o helicóptero estava com os registros de manutenção atualizados e o Certificado de Verificação de Aeronavegabilidade válido. A companhia informou que permanece à disposição das autoridades e pediu cautela na divulgação de interpretações sobre as causas da ocorrência.
O acidente aconteceu em 21 de setembro. O helicóptero havia decolado pela manhã de Porto Belo, em Santa Catarina, e desapareceu durante a tarde. Além de Rick Sollo, conhecido pela dupla com Renner, morreram o empresário e influenciador Bruno Avelar, o videomaker Paulo Soares, o piloto Antônio Roberto Nóbrega de Araújo e o copiloto Leopoldo Barros Teixeira.
A investigação continua aberta. De acordo com o Cenipa, o relatório preliminar apresenta o andamento dos trabalhos e não antecipa obrigatoriamente as conclusões que serão divulgadas ao final da apuração.
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