Fica começa nesta terça-feira (16) na Cidade de Goiás com ecologia e cinema
Redação Online
Publicado em 14 de junho de 2026 às 21:39 | Atualizado há 30 minutos
Teatro recebe cerimônia de abertura nesta terça (16/6) - Foto: Joédson Alves/ABr
Marcus Vinícius Beck
Em clima de Copa, o Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (Fica) chega, nesta terça-feira (16), à Cidade de Goiás. Serão seis dias de cultura, ciência e debates ecológicos. A música toma conta da antiga capital, com shows de Vanessa da Mata e Xande de Pilares.
A abertura ocorre às 19h, no Cine Teatro São Joaquim, Centro Histórico. Depois disso, o festival inicia as mostras competitivas, cujo destaque é a Internacional Washington Novaes, que se volta para temas ambientais, sociais e culturais em alta na pós-modernidade.
Além das competições, o evento traz as mostras paralelas Fica Animado, Mostra Fiocruz e Cinema Indiano. Haverá ainda um espaço dedicado ao Césio-137, intitulado “O Brilho que Ficou”, e sessões com “Filmes para Adiar o Fim do Mundo”. Todas as atrações são gratuitas.
Neste ano, o tema “Água e Clima no Brasil das Nascentes” guia a programação. O foco da edição recai sobre a relação entre recursos hídricos, equilíbrio climático e sustentabilidade. Para a organização, discutir a preservação ambiental é discutir o futuro climático global.
Se o Cerrado é tido como “berço das águas”, o Brasil — por todo o seu território — concentra nascentes que representam um patrimônio natural estratégico ao futuro da Terra. Desde já, no entanto, os desafios estão postos: desmatamentos, queimadas e uso do solo.
São problemas comprometedores, seja em matéria hídrica ou até mesmo climática. Além disso, esses dilemas põem em risco a biodiversidade e a qualidade de vida das populações. Ou seja, talvez o debate ecológico se revele, à Humanidade, o maior desafio deste século.

Estudo
Conforme estudo da Universidade de Brasília (UnB), o Cerrado ocupa 2.036.448 km², ou 22% do território brasileiro. Apresenta paisagens belas, mosaicos e vegetações, bem como rios e cachoeiras, espécies de animais, estendendo-se por todas as regiões brasileiras.
Essa imensidão da fauna e da flora mapeada pela UnB ganha uma morada no cinema. É nas curvas e nos sons desse bioma destruído onde se acha o drama verde, como mostram os filmes selecionados pela curadoria do Fica para as diferentes mostras de sua 27ª edição.
Ao todo, o festival exibe programação competitiva com 38 produções, espalhadas pelas mostras Cinema Indígena e Povos Tradicionais, Cinema Goiano e Becos da Minha Terra. O destaque, porém, vai para as obras projetadas em sessões dentro da Washington Novaes.
Dentre os filmes, seis longas de países como Brasil, Canadá, Polônia e Áustria estão na mostra. Há também oito curtas e médias filmados em Goiás, Rio de Janeiro, São Paulo, Bélgica, Colômbia e Irã. As produções enfocam os impactos sociais da crise climática.
Titular da Secretaria de Estado da Cultura, Yara Nunes fala sobre o papel do festival. Segundo ela, o Fica é um espaço de convivência entre saberes, linguagens e experiências. Yara declara ainda que se trata de um patrimônio cultural, além de referência mundial.
“Nesta edição, construímos uma programação plural, que reúne produções audiovisuais de excelência, convidados de referência nacional e internacional, atividades formativas e debates fundamentais para o nosso tempo”, afirma a secretária. “É um convite para que o público vivencie a cultura, o cinema e a reflexão sobre o futuro do planeta”, destaca.
No fim de semana, shows movimentam Cidade de Goiás

Além dos debates e sessões, o Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (Fica) leva à Cidade de Goiás uma agenda de shows. Na sexta-feira (19/6), dia em que a Seleção Brasileira joga contra o Haiti, às 21h30, o cantor Xande de Pilares vai soltar o batuque.
Conhecido como a principal voz do Grupo Revelação, Xande animará a galera na Praça de Eventos. Será uma noite de futebol e samba no Fica. Antes de o artista subir ao palco, o torcedor assistirá à partida decisiva da Seleção Brasileira pelo Grupo C do Mundial.
Depois da peleja, o sambista apresenta repertório entre clássicos do samba e composições autorais de sucesso. Foi essa combinação, aliás, que o tornou popular em meio a ouvintes de diferentes gerações. Por isso, acumula 3,9 milhões de ouvintes mensais no Spotify.
Já no dia seguinte, sábado (20), a cantora Vanessa da Mata chega à antiga Vila Boa com a turnê “Todas Elas”. O espetáculo traz canções inéditas e sucessos de mais de duas décadas de carreira, marcada por temas ligados à afetividade (romântica ou não) e a questões sociais.
Como será
Sob direção de Jorge Farjalla, Vanessa percorre uma jornada barroca da Santa à Maria Sem Vergonha. No show, a artista fala sobre uma mulher em busca do amor — ou, quem sabe, apenas o enfrentando. Segundo a artista, o concerto mostra o Brasil e sua cultura popular.
Também no sábado — mas durante a tarde, às 16h30 —, a chef de cozinha Bela Gil participa de roda de conversa no Parque da Carioca, junto da cientista Márcia Cristina Bernardes Barbosa. Elas trazem reflexões sobre preservação ambiental e segurança alimentar.
Ainda no bate-papo, Bela e Márcia Cristina tratam dos desafios para a proteção dos biomas brasileiros. De acordo com dados do MapBiomas, o Cerrado perdeu, nos últimos 40 anos, pelo menos 40,5 milhões de hectares, equivalente a 28% de sua vegetação nativa.