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Fronteiras da foto

Redação DM

Publicado em 10 de março de 2018 às 00:13 | Atualizado há 1 ano

Desde novembro de 2017 o Museu de Arte Moderna de Nova Iorque (MoMA) mantém em exibição a mostra mais completa já realizada do trabalho de Stephen Shore, um dos fotógrafos mais influentes do país. Com imagens coloridas de cenas do cotidiano dos subúr­bios, o artista fez parte do mo­vimento New American Colour Photography, um marco para a fotografia norte-americana. A exibição traz a obra de forma cro­nológica, transitando das primei­ras fotos, feitas na adolescência do artista com gelatina de prata, até os dias atuais, explorando me­canismos digitais. A exposição, que segue até o mês de maio, co­loca em evidência todo um grupo de fotógrafos que puxou o movi­mento das cores e da fotografia documental, reinventando a for­ma de desenhar a vida através da luz no século XX.

De acordo com artigo publica­do no Artsy – site especializado nas várias vertentes da arte –, a prin­cipal característica do trabalho de Stephen Shore é a forma como ele procura romper as barreiras esta­belecidas no caminho da história da fotografia. “A exposição defen­de a visão singular e a busca in­transigente das possibilidades da fotografia”. Além de ter revolucio­nado a fotografia colorida nos anos 1970, ao lado de ícones como Wil­liam Eggleston, Shore contribuiu em vários momentos para a rein­venção dos temas e formatos que a englobam. “[Shore] tornou-se um grande catalisador da renova­ção da fotografia documental nos anos 1990, tanto nos Estados Uni­dos quanto na Europa, misturan­do influências como pop, concei­tualismo e fotorealismo”.

Neutralidade – era uma das qualidades que Shore buscava atribuir ao seu trabalho. “As ima­gens de Shore parecem conter uma neutralidade perfeita, tan­to na temática quanto na aproxi­mação”. Ele também trabalhava de maneira tradicional, evitan­do manipular as fotos depois de prontas, buscando aproveitar com plenitude o que a luz ofere­ce. “Sua abordagem não pode ser reduzida a um estilo, mas expli­ca-se a partir de alguns princípios dos quais raramente desviou: a busca pela máxima claridade, o afastamento dos retoques e das reestruturações, e o respeito à luz natural”. Seguindo a contramão de outros fotógrafos, Shore bus­cava conviver o máximo possível com o ambiente antes de fazer os registros, limitando-se ao menor número de cliques possível.

INÍCIO

A carreira do fotógrafo come­çou de forma bastante precoce, como nos conta o site Artsy. “Sho­re começou a revelar os negativos de seus pais quando tinha apenas seis anos, e ganhou sua primeira câmera aos nove. Aos 14 vendeu fotografias para Edward Steichen, então diretor do departamento de fotografia do MoMA”. No iní­cio da carreira teve contato com Andy Warhol através do cinema. “No começo dos anos 1960 Sho­re esteve envolvido com filmes, explorando narrativas e experi­mentalismo. Exibiu seu curta­-metragem Elevator em 1965, na cinemateca Film-Makers, onde conheceu Andy Warhol”. O cur­ta-metragem foi restaurado pela equipe do MoMA e será exibido pela primeira vez desde a déca­da de 1960, como parte da expo­sição em andamento.

Com a chegada dos anos 1970, passou a explorar a foto­grafia em cores – uma escolha que na época era feita por pou­quíssimos profissionais da área. “Em março de 1972 começou a fotografar fatos corriqueiros da vida diária, embarcando em junho e julho daquele ano em uma viagem para o sul dos Es­tados Unidos”. Durante esse pe­ríodo, Shore desenvolveu uma relação quase obsessiva com a fotografia, testando adequá-la a qualquer temática possível, como lista o artigo do site Artsy. “Por dois meses ele fotografou o cotidiano de maneira siste­mática – construções ordiná­rias, ruas, rodoviárias, quartos de hotel, telas de televisão, ros­tos, banheiros, camas desarru­madas, e uma grande variedade de detalhes, pratos de comida, fachadas de lojas, etc”.

NOVAS CORES

“Perfeitamente entediante” foi o termo usado pelo autor Hil­ton Kramer, do jornal The New York Times, para definir a exposi­ção do fotógrafo William Eggles­ton no Museu de Arte Moderna em 1976. De acordo com o site Artsy, a exposição é considera­da um marco para a fotografia em cores nos Estados Unidos. Além de Eggleston, outros fotó­grafos, como Joel Sternfeld, Ste­phen Shore e Richard Misrach, ajudaram a criar novas identida­des para o uso da cor na fotogra­fia. A partir daquele momento, os críticos de arte passaram a agru­par esses e outros fotógrafos sob o termo New American Colour Photography. Além de todos eles optarem por trabalhos em cores, tinham em comum a temática da vida cotidiana, apresentando ce­nas do subúrbio como crítica ao “sonho americano”.


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