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Gabriel Nascente lança ‘O Costureiro de Sombras’ na Travessa, no Rio de Janeiro

Redação Online

Publicado em 3 de setembro de 2026 às 20:45 | Atualizado há 1 hora

Autor afirma que internet adoeceu humanidade | Foto: Marcus Vinícius Beck
Autor afirma que internet adoeceu humanidade | Foto: Marcus Vinícius Beck

Marcus Vinícius Beck

Gabriel Nascente lança nesta sexta-feira (4), a partir das 17h, na Livraria da Travessa, no Leblon, no Rio de Janeiro, “O Costureiro de Sombras” (Editora Batel, R$ 89,00). Em uma conversa entre seus silêncios e leitores, o poeta informa que a nova obra reúne anotações, exercícios literários, reflexões filosóficas e pensamentos sobre o próprio universo interior.

“O Costureiro de Sombras” se constrói a partir de uma linguagem marcada pela dimensão poética e confessional. Gabriel define o livro como “um pano de palavras”, formado pelo movimento de uma “alma-menina” diante dos estertores de uma esperança despedaçada.

“A cabeça da humanidade está doente. A internet destruiu o cérebro humano. A era da poesia se agoniza no apogeu do apocalipse eletrônico. O computador esfacelou o infinito”, alarma-se. “O Costureiro de Sombras” chega aos leitores como a “linha de um carretel puxado pela verve cognitiva das palavras, com a missão de reconstituir o devaneio”.

O poeta diz que o livro é ele próprio se “lendo por dentro”, como que a ouvir a fonética das palavras a se agrupar nas frases. É um pedaço de seu fôlego, ou ressurgências daquilo que povoa as incógnitas de seu íntimo. “[É] um livro desordenado e louco”, avisa o autor.

Ou, reflete ele, trata-se da “pura imaginação de um atelier de costura, com botões de poesia, pijama de cinzas, e agulhas que descobrem o labirinto”. Feito as estalactites de gruta, Gabriel cria mosaico de palavras e o costura aos tecidos da linguagem em sua nobre função artística.

Momento simbólico

O lançamento no Rio de Janeiro ocorre em momento simbólico da trajetória do escritor. Em 1966, aos 16 anos, Gabriel Nascente publicou “Os Gatos”, seu ponto de partida literário. A obra inaugurou a odisseia desse poeta-operário pelas estradas tortas e incertas das letras.

Parido em um “jorro brutal”, o livro debutante germinou-se no inconsciente nascentiano. “Se eu fizesse uma garimpagem daqueles versos, para eliminar alguns cascalhos de obscuridade (nociva à lucidez do texto), eu salvaria, com sete pés de orgulho de humildade, mais de oitenta por cento das poesias ali publicadas”, disse, em recente entrevista ao DM.

“Os Gatos” (R$ 49,00) está em pré-venda, com lançamento para 20 de setembro. O título, reeditado pela 7 Letras, recupera os poemas escritos pelo autor ainda jovem, nos quais já aparecem temas como infância, amor, solidão, fome, morte, memória e desigualdade. É uma voz poética que atravessou seis décadas sem se acovardar diante da vida e do ofício literário.

Capa de ‘O Costureiro de Sombras’, editado pela Batel | Foto: Divulgação

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