Gui Hargreaves imprime a construção poética sobre o tempo em Eternidade
Redação DM
Publicado em 23 de dezembro de 2017 às 21:33 | Atualizado há 9 anos
O tempo da poética não é o mesmo que o do relógio. Não se imprime em datas, não é antes nem depois: esse é o caminho do inconsciente. É desse modo que trabalha o artista Gui Hargreaves, e dessa construção poética nasce seu novo single, não por acaso, chamado Eternidade, que também presenteia os fãs com uma produção audiovisual.
O mundo deu voltas e Gui deu voltas no mundo até chegar a Eternidade. Passou por uma temporada na Itália, que emendou com uma temporada riquíssima na Inglaterra, onde registrou o disco Volta (2017), seu mais recente trabalho lançado, com verdadeiro dream team da música mundial.
Só que para ele dream team são os parceiros que escolhe para projetos específicos e não uma relação de músicos com currículos de peso. O atual time dos sonhos de Gui Hargreaves é ele, Leo Marques e pronto. O que importa na verdade (e no momento) é o timing da canção.
Ela aparecera em registro comovente ao vivo em apresentação no Palácio das Artes, em 2015, mas os arquivos se perderam. Foi a chance de mergulhar no próprio baú de sua vida e resgatar memórias e registros passados para modelá-los em formato sonoro.
Para os arranjos de Eternidade, Gui resgatou fitas-cassete de quando tinha 3, 4 anos de idade, e os costurou harmonicamente à canção. Para o videoclipe, buscou também arquivos gravados em VHS de quando estava na primeira infância e transformou em “de volta para o futuro” audiovisual.
A própria canção pedia isso. Mais. Ela exigia um alto nível de contraste entre sua temática densa e seu arranjo e sonoridades envolventes. Precisava da referência de conforto uterino para deitar poesia áspera e calorosa. Isso enquanto abre um outro contraste de expor questões universais sob ponto de vista pessoal.
Da gênese de Eternidade passando pelos dois trabalhos que vieram em sequência – além de Volta, gravou também Braseiro –, o single faz sentido nessa revolução temporal de Gui Hargreaves.
“Essa música só existe porque eu tive de atravessar os momentos que me fizeram o que sou. O que me aconteceu como menino, como homem, como filho, um dia quiçá como pai; é desse universo que parto, literalmente.” Pois parta.