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Hino Nacional desafia cantor Gusttavo Lima no MotoGP

Redação Online

Publicado em 10 de março de 2026 às 20:57 | Atualizado há 4 meses

Artista diz que está feliz por cantar Hino Nacional no MotoGP - Foto: Divulgalção
Artista diz que está feliz por cantar Hino Nacional no MotoGP - Foto: Divulgalção

O cantor Gusttavo Lima, 36, soltará a voz para cantar o Hino Nacional durante a etapa do MotoGP em Goiânia. Ele foi convidado pelo governador Ronaldo Caiado (PSD) a interpretar a peça musical composta por Francisco Manuel da Silva e Joaquim Osório Duque-Estrada. 

Gusttavo disse a jornalistas, durante visita ao Autódromo Internacional Ayrton Senna, na última quarta-feira (4/3), que está feliz por vocalizar a canção patriótica. “Fiquei muito feliz pelo convite, espero que a gente possa cantar esse hino juntos”, declarou o sertanejo. 

Para ele, trata-se de um momento “ímpar”. “[É] totalmente diferente na minha carreira. Quando eu era criança, todos os dias antes da aula eu cantava o hino nacional”, disse ele, que chegou a cantarolar trecho da música. “Vou matar essa saudade”, completou o artista

Cantar o Hino Nacional em grandes eventos costuma marcar a carreira de artistas. Em 2009, por exemplo, a cantora Vanusa errou a letra ao entoá-lo na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. Após a repercussão, ela atribuiu o problema a medicamentos para labirintite. 

No mesmo ano, Fafá de Belém também se confundiu em apresentação em Mato Grosso. Já Carlinhos Brown esqueceu parte da letra ao interpretá-lo no Brazilian Day, em 2014, nos EUA. “Nunca critico quem se atrapalha”, disse, certa vez, o historiador Leandro Karnal.

Origem

Composto no século 19, o hino acabou oficializado apenas em 1922. Desde então, a letra de Joaquim Osório Duque-Estrada é considerada difícil em razão de seu português arcaico. Sua estrutura tem hipérbatos, além de termos eruditos e metáforas, criando imagens sotisficadas.

O texto traz palavras como plácidas, fúlgidos, impávidos, colosso, florão, garrida e lábaro. São vocábulos que podem provocar dúvidas, de forma a dificultar a compreensão imediata de seu sentido poético. Já se inicia desafiador: “ouviram do Ipiranga as margens plácidas.”

Cá entre nós, a letra assusta — Joaquim Osório a escreveu em um momento no qual o Brasil procurava referências para se firmar um imaginário coletivo. Mas por que há tanto temor? Talvez a história, com suas nuances e seus fatos, possa oferecer algum tipo de explicação. 

A melodia que daria origem ao Hino Nacional brasileiro começou a ganhar forma na década de 1820. Na época, o músico Francisco Manoel da Silva, violinista e violoncelista, compôs uma marcha. Ele se inspirou no espírito de “La Marseillaise”, o hino nacional da França. 

Quando Dom Pedro II chegou à maioridade, em 23 de julho de 1840, a música de Francisco Manoel da Silva ganhou nova letra. Seu autor, no entanto, é desconhecido, o que não a impediu de se consolidar ao longo do Segundo Império como marcha solene e popular. 

Letra foi oficializada em decreto de Epitácio Pessoa

Presidente governo o país entre 1919 e 1922 – Foto: Divulgação

Em 1909, Joaquim Osório Duque-Estrada venceu concurso para escrever versos que se ajustassem à música do Hino Nacional, cuja letra foi oficializada nos anos 1920 por decreto do presidente Epitácio Pessoa. Autor de livros de poesia, crítica e história, e membro da Academia Brasileira de Letras desde 1916, Duque-Estrada passou à história pelos versos.

Nascido em Paty do Alferes, no interior do Rio de Janeiro, em 1870, Osório Duque-Estrada foi poeta, professor e jornalista. Formado em letras na capital fluminense, colaborou com jornais como Correio da Manhã e Jornal do Brasil. Era parnasiano. 

Mas uma semana após a Proclamação da República, em 1889, o novo governo lançou um concurso para escolher um hino nacional. A iniciativa reuniria compositores populares e eruditos, setores que aderiram ao novo regime. No júri, contudo, o pianista Oscar Guanabarino defendia as já conhecidas partituras de Francisco Manuel da Silva. 

Concurso

Como se esperava, a campanha deu resultado. Quatro dias antes da competição, o objetivo do concurso foi alterado: em vez de criar um novo hino nacional, a peleja escolheria o Hino da Proclamação da República. Na prática, portanto, o país terminou com duas composições vitoriosas — a nova peça republicana e a antiga melodia de Manoel da Silva.

“A República brasileira, à diferença de seu modelo francês, e também do modelo americano, não possuía suficiente densidade popular para refazer o imaginário nacional”, declarou o  historiador José Murilo de Carvalho. “Suas raízes eram escassas, profundas apenas em setores reduzidos da população, nas camadas educadas e urbanas.”

Nas primeiras décadas da República, o Hino Nacional Brasileiro era executado sem letra. Em 1909, o poeta Joaquim Osório Duque-Estrada venceu concurso para escrever versos para a melodia de Francisco Manuel da Silva, mas a oficialização só veio em 1922, por decreto do presidente Epitácio Pessoa, na véspera do centenário da Independência.


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