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O fim como novo começo

Redação DM

Publicado em 29 de novembro de 2017 às 23:53 | Atualizado há 9 anos

 O álbum será lançado hoje, com show no Bolshoi, que celebra ainda os 10 anos de carreira da banda

Morte, renascimento, cul­tura pop e até passagem bíblica. São estes assun­tos, a primeira vista antagônicos, que regem a essência do terceiro CD da Rapsódia, intitulado “Lá­zaros”. Em noite de reencontros, a banda goianiense lança o novo trabalho amanhã, às 21 horas, no Bolshoi Pub. Com show que alia o mais recente álbum a canções de todas as fases da carreira, o quin­teto ainda celebra 10 anos de traje­tória exalando uma alma ao mes­mo tempo madura e revitalizada.

Formada por Alex Lacerda (ba­teria), André Constantino (guitar­ra), Jorge Hilton (guitarra), Moacir Caetano (baixo) e Vânia Spindola, a banda, que agora esbanja ener­gia, passou este ano por um mo­mento de incertezas. “Estávamos pensando em acabar com a ban­da, mas antes pensamos em fa­zer este trabalho comemorativo pelos 10 anos, que mudou tudo”, explica Moacir Caetano.

Juntamente com o período de composição do trabalho, a ban­da teve a ideia de trazer no encar­te do CD um livro de 70 páginas contando a história da Rapsódia, e foi na produção desta proposta que a magia voltou. “Com este tra­balho de pesquisa e levantamento da nossa trajetória começamos a nos apaixonar de novo pela ban­da. Por isso, consideramos o dis­co novo como o começo de um novo ciclo”, conta Moacir Caetano.

Com o ânimo renovado, nasceu então a música que o baixista defi­ne como a melhor composição da banda até agora e que até intitu­lou o mais recente trabalho. “‘Lá­zaros’ é muito especial e diz muito sobre o que é este novo CD e nossa sonoridade atual. O CD fala sobre morte e renascimento. É verdade que pode até soar um pouco som­brio, mas tem muita energia e diz muito sobre este momento de in­certezas na banda que nos fez re­nascer”, disse o baixista.

A letra de “Lázaros” é no mínimo ousada: une o evangelho de João – no qual Jesus dá novamente vida ao amigo morto Lázaro – a zum­bis. “Ninguém fala sobre como foi a vida de Lázaro depois da ressur­reição. Na nossa cabeça e na letra da música a gente encara esse re­torno de Lázaro como uma mal­dição. Pois ele vagava por aí como um zumbi, uma aberração rejeita­da e solitária”, conta Moacir.

Toda esta tônica “The Walking Dead” do trabalho não é gratuita e traz uma crítica pertinente à apatia da sociedade atual. “A gente vê este período que a humanidade está vi­vendo atualmente como se tivesse todo mundo vagando, sem saber como e por que viver. Só perambu­lando sonâmbulo, sem ter noção de sociedade”, argumenta o baixista.

Além da faixa título, a banda promete tocar todas as 10 can­ções autorais de “Lázaros.” “A úni­ca letra que não é nossa no disco é Mad Girl’s Love Song, que é ain­da a única em inglês do trabalho e foi extraída do poema homônimo da Sylvia Plath”, comenta o artis­ta, completando que o show terá também canções dos álbuns an­teriores, além de covers de Eras­mo Carlos e Beatles.

Na apresentação, que terá aber­tura do blues da Acorde 7, a Rapsó­dia também contará com alguns convidados especiais para mostrar o novo trabalho. Ou melhor, convi­dadas. É que no palco, para cantar com a banda e relembrar sua estra­da, vão entrar as duas primeiras vo­calista da banda: Daniele e Helena.

“Daniele, que foi vocalista na nossa primeira formação, mas teve que sair antes de fazermos shows, vai cantar a música Pai­sagem. Já Helena, que ficou mais tempo com a gente e fez alguns shows, vai cantar Em Convite. Te­nho certeza que vai ser bem emo­cionante”, prevê Moacir.

DESPRETENSIOSA

O tom de retrospectiva vai cercar sim todo o show, afinal, para os mú­sicos é uma vitória a banda estar na ativaatéhoje. PoisosamigosAlex, An­dré e Moacir montaram a Rapsódia em novembro de 2007, sem nenhu­ma pretensão. A ideia era tocar co­vers e ser feliz, o que nem significa­va que nesta época eram músicos.

Mas isso foi mudando. Aos pou­cos começaram a se profissionalizar, e um marco na carreira da Rapsódia foi começar a fazer as próprias can­ções. “Como eu tinha muitas poesias, e tenho até um livro publicado, co­meçamos a gravar nossas músicas. Comopassardosanostocamosme­nos covers e mais músicas autorais”, relembra o baixista, que depois des­ta guinada tocou, juntamente com a banda, em festivais importantes da cidade, como Goiânia Noise, Gri­to Rock, Rockriativo, Sons de Beco, Goiaba Rock e outros.

“Tocamos, praticamente, em to­dos os lugares de Goiânia e só falta­va o Bolshoi. Temos muito orgulho da nossa história. Poucas bandas de rock completam 10 anos em Goiâ­nia. E teremos muitas outras histó­riasdaquiparafrente”, afirmaMoacir.

LANÇAMENTO “LÁZAROS” DA BANDA RAPSÓDIA

Quando: Hoje, a partir das 20 horas

Onde: Bolshoi Pub (Rua T-53, 1140 – St. Bueno)

Ingressos: R$ 20 (anteci­pados), R$ 40 (ingresso + CD Lázaros) e R$ 60 (In­gresso + CD + camiseta)

 

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