O surgimento da doutrina espírita
Redação DM
Publicado em 19 de abril de 2018 às 00:44 | Atualizado há 1 ano
Uma viagem no tempo aos primórdios da codificação da doutrina espírita: estreia na próxima sexta-feira, dia 20, às 20h, na sede da Federação Espírita de Goiás, o espetáculo Kardec – a codificação. A peça transporta o público para meados do século XIX, momento em que Allan Kardec, o codificador da doutrina, se dedicou a estudar os fenômenos espiritualistas que se manifestavam na Europa. Para falar sobre a estreia, o DMRevista recebeu Luca de Lima, que, além de autor da peça, interpreta Allan Kardec.
Munido de efeitos especiais e de diálogos que pretendem cativar o público de todas as religiões, o espetáculo conta a história e os desafios de um segmento religioso que se espalhou por várias partes do mundo, partindo de um início cercado de preconceito, intolerância e desconfianças. Os ingressos podem ser adquiridos na livraria da Federação Espírita de Goiás, que fica na Rua 1133, Setor Marista, ou pelo site www.feego.org.br. Metade da renda arrecadada pelo espetáculo será destinada para as obras assistenciais realizadas pelas casas espíritas da capital.
O ator e autor da peça revela que o enredo parte do momento dos primeiros estudos dos fenômenos espirituais que se manifestavam na sociedade europeia. “Já aconteciam fenômenos na América, esses fenômenos chegaram à Europa. Lá, viraram brincadeiras de salão. Com isso, Kardec passa a pesquisar aquilo com mais seriedade”, conta Luca. Da dedicação de Kardec às comunicações intermateriais, que chamaram sua atenção na década de 1850, surgiu o grande legado da doutrina, as chamadas Obras Básicas. “A partir dessa manifestação de espíritos, Kardec codifica, ou seja, faz o código, de toda a doutrina espírita através dos livros. Ele começa pelo Livro dos Espíritos, depois vem o Livro dos Médiuns, O Evangelho Segundo o Espiritismo, O Céu e o Inferno e A Gênese”.
A peça mostra, segundo o autor, a coragem e a ousadia de Kardec em enfrentar os religiosos conservadores da época. “É um espetáculo que coloca Kardec dialogando, embora seja um monólogo, com os vídeos dos detratores da doutrina daquela época: materialistas, céticos e principalmente os religiosos, ou seja, os padres”. Luca revela que naquela época as obras básicas passaram por um rigoroso processo de censura. Na Espanha, um bispo vetou as publicações, num episódio que culminou na queima de vários livros codificados por Kardec.
CONCEPÇÃO
De acordo com Luca, Kardec – a codificação é uma oportunidade para que os adeptos da doutrina, principalmente os novos, possam se familiarizar com o princípio de tudo. Para isso, a produção foi adaptada a uma linguagem mais dinâmica, através do trabalho da direção de arte. “Na história real, a codificação se realiza por meio de psicografias e foi feita por jovens médiuns que escreviam. No espetáculo existe uma licença poética, na qual o próprio Kardec conversa com os espíritos. Ele faz as perguntas e anota. É um momento muito bonito, pois existe uma aparição muito grandiosa. Todo o cenário é projetado para isso”.
A obra não é destinada apenas ao público espírita, pois possui uma forte presença cênica, reafirmada pelos efeitos especiais e pelo texto. “É um espetáculo para todas as idades. Além de ter uma plasticidade muito bonita, os diálogos e as aparições dos espíritos encantam todo o público. Principalmente àqueles que estão começando na doutrina e ainda não sabem como tudo foi feito”, afirma Luca. Além de recriar os primeiros passos da doutrina espírita, a peça também transporta o público para meados do século XIX, quando o movimento espírita teve início através de Kardec na França. “A peça conta tudo isso de uma maneira lúdica, revivida em época. Existe toda uma reprodução das vestimentas, dos móveis, etc. É uma aula de história e da doutrina espírita.”
No momento de concepção do espetáculo, Luca recorreu ao estúdio Sia Santa, em Campinas-SP. “Toda a montagem foi feita em Campinas, local onde trabalhei durante 30 anos – embora a toda a produção seja originária de Goiânia.” Um dos fundadores da companhia Sia Santa, Jorge Fantini, responsável pela direção de Kardec – a codificação, é uma figura bastante conhecida do meio teatral no eixo Rio-São Paulo.
CIRCUITO
Uma pré-estreia foi realizada no último dia 7 para dirigentes de casas espíritas para que eles possam apresentar a proposta ao público. Luca conta que o espetáculo deve passar por várias cidades do interior de Goiás. “Depois das apresentações em Goiânia, que podem ser prolongadas de acordo com a primeira recepção, o espetáculo percorre vários municípios do interior. Itumbiara, Rio Verde, Mineiros, Jataí, Anápolis, Pirenópolis, Goianésia, Águas Lindas, Luziânia estão no circuito. O autor revela ainda que a turnê de Kardec – a codificação, também é aguardada em outros estados do Brasil. “Já temos marcadas apresentações em Brasília e no Sudeste: Campinas, região da Grande São Paulo, Vale do Paraíba, entre outros”.
Luca de Lima também falou sobre a receptividade goianiense para as doutrinas de cunho espiritualista, e da familiarização do público goiano em relação a esse tipo de obra. “Em Goiânia sempre é especial. Aqui temos 148 casas espíritas. O público da cidade já está acostumado com as produções, espetáculos, filmes. Embora em vários lugares do Brasil existam movimentos espíritas muito fortes, aqui em Goiás esse movimento é um dos mais relevantes do Brasil.” De acordo com o Censo demográfico do IBGE de 2010, 4,29% da população da capital de Goiás declarou ser adepta do espiritismo, um número que se sobressai em comparação aos dados de outras grandes cidades do País, como São Paulo (3,29%), Recife (3,59%) e Rio de Janeiro (4%).


“KARDEC – A CODIFICAÇÃO”
Onde: Rua 1.133 nº 40, Setor Marista
Quando: Sexta e sábado, dias 20 e 21 de abril
Horário: 20h
Entrada: R$ 40,00 (metade da renda será revertida a obras assistenciais)
Direção: Jorge Fantini