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Redação DM

Publicado em 23 de maio de 2018 às 22:13 | Atualizado há 1 ano

Situada na região do Mar Bál­tico, no norte da Europa, a Letônia é uma ex-república Soviética com cerca de 2,2 milhões de habitantes. Sua capital, Riga, é reconhecida pela maior coleção de construções em Art Nouveau do mundo, e seu centro histórico tombado pela Unesco como pa­trimônio da humanidade. O mo­vimento artístico Art Nouveau teve início nos anos 1890, e trouxe em sua filosofia a ideia de que a arte deveria ser um estilo de vida. Riga tem origem na Idade Média, e foi fundada muito antes dessa época, em meados do século XIII, como um centro de comércio viking.

De acordo com o historiador Sil­vija Grosa, autor do livro livro Art Nouveau in Riga, a predominância do estilo arquitetônico na cidade é fruto de um período de prosperi­dade econômica coincidente com o auge da Art Nouveau.

No fim do século XIX, Riga era considerada uma cidade de grande importância para o Império Russo devido ao seu porto marítimo e a rota de comércio a qual integrava – um monopólio da região do mar báltico. De acordo com Silvija Gros­sa, entre 1897 e 1913, a cidade cres­ceu 88%, atingindo uma popula­ção de 530 mil habitantes em 1914. A maioria das construções em Art Nouveau foram erguidas em um curto período de tempo, entre 1904 e 1914. Segundo o historiador Janis Krastins, autor do livro Architectu­re and Urban Development of Art Nouveau – Metropolis Riga, nessa época, uma média de 400 edifícios eram construídos por ano em Riga, a maioria deles no centro da cida­de, e em estilo Art Nouveau.

RECONFIGURAÇÃO

No site The Vintage News, o autor Brad Smithfield fala so­bre Art Nouveau e a importân­cia da cidade de Riga para esse movimento. “Este movimento revolucionário confrontou os estilos ecléticos históricos e a geometria precisa das formas neoclássicas com grande ele­gância e rapidamente tornou­-se sinônimo de progresso, in­fluenciando um grande número de artistas”, explica. Smithfield conta que existem mais de 800 construções em art nouveau na cidade de Riga. “Não demorou muito para as características ecléticas da cidade começarem a desaparecer no início do sécu­lo XX, devido à massiva popu­laridade da art nouveau. Cerca de 40% de todos os edifícios do centro de Riga foram construí­dos no estilo”, calcula.

Em um raio de dez anos, uma grande reconfiguração mudou completamente as característi­cas históricas da cidade. O me­dieval era apagado, dando espa­ço para aquilo que se considerava o futuro, o moderno. “A expan­são de Riga significou a demoli­ção de antigas fortificações que rodeavam o núcleo medieval da cidade, e a construção de novos edifícios, boulevards e jardins no lugar delas”, conta Smithfield. Essa mudança foi impulsionada pela necessidade de afirmação que se debruçou sobre a alta so­ciedade de Riga, e a art nouveau tendenciava esse exibicionismo. “Os cidadãos abastados da cida­de usaram sua riqueza para er­guer construções imponentes, enquanto os arquitetos locais adotaram o estilo europeu que era mais popular naquela época”.

Atualmente, o acervo de art nouveau da capital da Letônia é a principal atração turística do país, e faz parte de uma estratégia econômica do governo para atrair novos visitantes. “Riga atrai mais e mais visitantes a cada ano, de­vido ao preço baixo dos vôos que a Letônia estabeleceu entre a ca­pital e outras cidades europeias”, conclui Smithfield.

VELOCIDADE

O mestre em arquitetura Gus­tavo Neiva Coelho, autor do blog Casa Abalcoada, nos ajuda a en­xergar como a dinâmica do co­tidiano encontrou forma para materializar-se nas artes e no for­mato dos edifícios que passa­ram a ser construídos nas cida­des a partir do século 20. Para o professor, o fluxo veloz e a ob­sessão pelo imediatismo es­tão impressas na paisagem das ruas das metrópoles atuais na forma da arquitetura futurista. “Com considerável antecedên­cia, expunham-se as preocupa­ções que passariam a coman­dar os conceitos arquitetônicos das décadas seguintes: a veloci­dade expressa pela auto-estrada e pela ferrovia, a luminosidade dos mercados abertos e galerias luminosas, a leveza, a praticida­de e o efêmero como oposição ao academicismo da arquitetura européia em geral”, expõe.

No contexto pré-Primei­ra Guerra Mundial, o estilo Art nouveau servia como ponto de ruptura para a criação de vi­suais mais arrojados para a ar­quitetura. Gustavo Neiva Coelho traça, no texto O futurismo de Sant’Elia, publicado em 2009, o enredo do meio arquitetônico do início do século XX: “[expunha­-se] as críticas feitas ao art nou­veau, por seus excessos decorati­vos, mesmo sendo esse a base e o caminho aberto para toda a mo­dernidade que o futurismo pre­gava”. É nessa transição do perío­do neoclássico/art nouveau para os movimentos vanguardas que podemos observar a importân­cia de nomes como Otto Wagner – importante arquiteto do início do século XX, e um catalisador dessa mudança.


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