Entretenimento

Rolling Stones veem a finitude próxima

Redação Online

Publicado em 10 de abril de 2026 às 20:58 | Atualizado há 2 meses

Ron Wood, Mick Jagger e Keith Richards lançaram “Hackney Diamonds” em 2023 – Foto: Mark Seliger
Ron Wood, Mick Jagger e Keith Richards lançaram “Hackney Diamonds” em 2023 – Foto: Mark Seliger

Marcus Vinícius Beck

Os Rolling Stones veem a finitude se aproximar. Não tem como fugir. Mas ainda dá tempo de mais um riff, mais um rock. As pedras continuam a rolar neste sábado (11/4), quando a banda inglesa põe pra circular, em vinil branco, o esperado single “Rough And Twisted”.

Durante a semana, cartazes foram espalhados por Londres. O lambe-lambe falava sobre um certo The Cockroaches. Havia ali um QRCode. “O que é isso?”, perguntavam os transeuntes.

Simples, é uma ação dos Stones. Os caras já usaram Cockroaches em 1977, num show no bar The El Mocambo, em Toronto, no Canadá. Não queriam alarde. Em 2022, o concerto saiu em vinil e foi disponibilizado nas plataformas de áudio, intitulado “Live At The El Mocambo”.

O site leva a um quarto. À direita, vê-se o LP “The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars” (1972), de Bowie. Depois de se cadastrar, uma mensagem aparece: “Pleased to meet you, hope you guess my name.” É a letra de “Sympathy For The Devil”.

Novo som, novo disco. É assim desde os anos 1960. Os Stones dominam essa arte, esse negócio. Mick Jagger exibe seu timbre rasgante, poderoso. Keith Richards é a base sólida, bluesy, a alma londrina oriunda do sul da América. Não é um grande solista, nem precisa.

Pelo que se diz no jornal “The Times”, a nova faixa começa com um riff de blues elétrico. Jagger fala em dirigir “por uma estrada acidentada e sinuosa até Porto Rico, onde a maré sobe e desce e você sente que algo sexual pode estar acontecendo ao longo do caminho”.

É o amor, baby

É, baby, o amor é forte, e você é doce, você me deixa forte, você me deixa fraco, pra citar a letra do rock “Love Is Strong”, do disco “Voodoo Lounge” (1994). Um vislumbre de você foi o bastante, o olhar estranho que me fisgou. Um desejo através das estrelas, dos sonhos.

O cantor, que energia!, solta a voz: “Você me levou para uma cidadezinha infestada de moscas no meio do nada/ O cheiro era acre e tóxico/ Eu não conseguia respirar o ar.” Keith segura a onda com um riff distorcido que lembra “Start Me Up”, do LP “Tattoo You” (1981).

Eis o single do novo disco dos Stones, creditado a The Cockroaches: arregaçando os ouvidos. É a canção que trabalha o primeiro álbum desde o elogiado “Hackney Diamonds” (2023). Foi produzida por Andrew Watt, que voltou aos estúdios com Jagger, Richards e Ron Wood.

Segundo o “The Times”, a banda tem pelo menos dez músicas prontas. Boa notícia, pois Richards não deveria parar de criar seus riffs nem Ron Wood abdicar dos seus solinhos, que dialogam com as frases rítmicas de seu companheiro. Jagger segue a sangrar pela voz.

Quer dizer, são dez faixas fora as que serão aglutinadas em disco. Fala-se que o material será lançado no meio do ano — junho ou julho. Na quinta (9/4), o jornal argentino “La Nación” disse que os Stones estão em fase avançada para se despedir do público em Buenos Aires.

Banda vai anunciar shows, diz jornalista argentino

Ron Wood, Mick Jagger e Keith Richards lançaram “Hackney Diamonds” em 2023 – Foto: Mark Seliger

Sem show na Argentina, sem show no Brasil. Sempre foi assim. Agora, porém, a situação muda. Os Stones publicaram, na última semana, a foto de um avião. Avião e a língua. Isso foi no site oficial. Seria uma turnê? Seriam datas? Não se sabe. Richards sofre de artrose.

Mas o jornalista argentino Gustavo Méndez crava: não vão apenas anunciar um disco. Os caras podem divulgar algumas apresentações. “Las Vegas, Londres, Buenos Aires…”, diz.

Tudo mudou naquela manhã. No dia 17 de outubro de 1961, enquanto estava na estação ferroviária de Dartford, a 25 km de Londres, Richards se interessou por dois objetos que Jagger levava consigo. Eram dois discos — um de Chuck Berry, outro de Muddy Waters.

Fã dos dois, o músico não demorou a puxar papo. Curtia aquele som, pirava. O rapaz à sua frente ia pra London School Of Economics. Rock e blues importavam mais. Aí já viu. Vamos montar uma banda? No entanto, as pedras só rolaram mesmo no disco “Aftermath” (1966).

Energia suja

Foi quando o mundo conheceu a energia sonora suja dos Stones, com “Under My Thumb” e “Lady Jane” – o hit “Paint It Black”, da mesma época, só saiu na versão norte-americana. Era uma bagunça: músicas entravam numa edição, ficavam fora da outra. Algo bem caótico.

Desde então, a dupla Jagger-Richards virou uma grife. Assinaram hits, confrontaram os caretas, foram presos. Keith Richards achava que a elite britânica queria frear a influência da banda entre os jovens. “We love you”, ironizava o vocalista, numa canção de 1967.

Tinha ainda o multi-instrumentista Brian Jones, fundador dos Stones — ele colocou um anúncio que Jagger e Richards viram. Morto em 1969, aos 27 anos, gostava de Elmore James e Robert Johnson. Sabia-se preterido quando o cantor e o guitarrista começaram a compor.

Richards nunca quis entrar nessa: “Compor é um jogo misterioso. Nunca pensei em ser compositor. Entrei nessa por equívoco e não consigo sair. Gosto de mostrar os lados mais ásperos da vida.” Ainda assim, o guitarrista criou a trilha sonora dos últimos 60 anos.

Para o músico, não é possível ser rápido como no passado. “Na minha idade, o que acho mais interessante na guitarra é que você pode compensar certas limitações e dificuldades de destreza encontrando outras maneiras. E ela te ensina: você nunca para de aprender com esse instrumento. Eu a amo e ela será minha amiga para sempre”, diz à “Guitar World”.


Leia também

Siga o Diário da Manhã no Google Notícias e fique sempre por dentro

edição
do dia

Impresso do dia