TOMB RAIDER – A ORIGEM
Redação DM
Publicado em 24 de março de 2018 às 00:37 | Atualizado há 1 ano
Não sou um jogador assíduo, mas tenho tantos amigos que são que tudo deste universo dos games aprendo com eles. Tomb Raider surgiu nos jogos, migrou para os quadrinhos e seguiu caminho óbvio para a tela grande. Antes deste novo longa, a personagem recebeu duas adaptações com Angelina Jolie como protagonista. O resultado foram filmes esquecíveis, sem diferenciais, e que buscaram na imagem de Angelina – e sua beleza – o sucesso. Com bilheteria modesta, Tomb Raider perdeu o interesse de produtores após o segundo filme – de 2003 –ter arrecadado um valor de pífios US$ 156 milhões mundialmente, valor baixíssimo considerando o orçamento de US$ 95 milhões.
São 15 anos de diferença desde a última versão cinematográfica, e todas as transformações que aconteceram tanto nos jogos, quanto no cinema, foram favoráveis para este novo filme. Nos últimos anos, as histórias de Lara Croft ganharam nos games mais ritmo, a trama da personagem foi melhor delineada e as cenas de ação, naturalmente, ficaram bem mais imersivas devido a evolução da tecnologia.
Ao entrar na sala de cinema para assistir a este Tomb Raider – A Origem, fui sem levar comigo os jogos, afinal de contas, nunca os joguei. Mas com a carga dos dois outros filmes que tivemos, esta nova adaptação para o cinema de Lara Croft é narrativamente e visualmente melhor que os dois longas-metragens estrelados por Angelina Jolie. A proposta em nenhum momento é tornar a personagem um símbolo sexual. Aqui, ela é uma mulher interessada, decidida, que a partir de suas ações, emerge neste universo de aventuras com a mesma feição de espanto, e surpresa, do público espectador. Lara sabe lutar, tem força de vontade, mas nunca vivenciou situações de perigo até o momento em que se encontra diante dele. Este aprendizado durante o desenrolar da trama são uma das características que fazem desta nova Lara Croft – interpretada com carisma e empenho por Alicia Vikander – tão interessante de acompanhar.
A direção de Roar Uthaug também extrai o melhor da ação. O roteiro é simples até demais, mas este tom frenético e a maneira pulsante com que Uthaug conduz as cenas, principalmente nos momentos de perseguição, luta e – o meu favorito – a cena do avião abandonado, tudo é construído visando nossa imersão naquele mundo. O resultado é bastante positivo. Apenas a trilha sonora composta por Junkie XL (que trabalhou na trilha incrível de Mad Max e fez o tema icônico da Mulher-Maravilha) que, infelizmente, é genérica e nada memorável, o que desperdiça a oportunidade de criar uma melhor identidade para o filme.
No entanto, Tomb Raider – A Origem é uma grata surpresa! Um entretenimento que cumpre seu papel, nos empolga e nos deixa apreensivo quando necessário e, o mais importante, consegue trabalhar com os clichês favorecendo o filme. Já quero uma continuação!



