UM LUGAR SILENCIOSO
Redação DM
Publicado em 13 de abril de 2018 às 00:52 | Atualizado há 1 ano
Sempre gostei de John Krasinski como ator. Carismático, ficou conhecido quando participou da versão norte-americana da série The Office, e no cinema, participou de muitas comédias sem muitas receptividades, com personagens pouco marcantes, mas que colaboraram em levar simpatia ao filme. Em 2016 estreou como diretor com o divertido drama/comédia Família Hollar, e agora muda completamente de gênero ao embarcar no suspense com este Um Lugar Silencioso.
Na trama, o mundo foi invadido por monstros alienígenas cegos que atacam apenas mediante a emissão de som. O roteiro acompanha esta família formada por um casal e duas crianças que seguem diariamente regras minuciosas para evitar barulhos e sobreviver.
O roteiro assinado por Bryan Woods, Scott Beck e o próprio Krasinski é simples. Possui um conceito básico usado em uma história simplória de sobrevivência, mas que encontra sua força na linguagem do cinema. Imaginar uma vida sem som, em sua concepção, já é algo inimaginável. No cinema, e nas mãos de Krasinski, o filme consegue momentos gloriosos de suspense, tanto em sua forma mais pueril como quando utiliza o som súbito para levar o espectador ao susto, quanto em nossa torcida pelas personagens em cenas onde se tem uma construção cênica pautada em posições de câmera chaves, e claro, na valorização do silêncio.
O silêncio, diga-se, é um dos grandes personagens de Um Lugar Silencioso. O filme usa o som como ferramenta essencial ao seus objetivos, mas a ausência dele é o contraponto que leva o público a fixar os olhos na tela. Krasinski entende a necessidade de trabalhar o suspense de forma ascendente, e o faz com maestria, e com a segurança de um diretor veterano. Também entende que é importante o público se identificar com as personagens da história, pois, sem isso, a angústia e, consequentemente, a empolgação na torcida pela sobrevivência de cada um não teriam efeito.
Um Lugar Silencioso é o exemplo eficiente do ditado: “Menos é mais.” Uma obra-prima do suspense que utiliza cada um de seus elementos de maneira eficaz e precisa, e cujo resultado é um filme empolgante durante todos os seus 90 minutos de duração. Recomendado!


