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Vida Padronizada

Redação DM

Publicado em 18 de março de 2018 às 01:28 | Atualizado há 1 ano

Grande escala, atenção espe­cial às cores e formas e uma estranha camada de silên­cio lançada sobre as cenas diarias da vida pós industrial. Movido por um interesse de documentar a existên­cia através de grandes mosaicos que reforçam a repetição e o compor­tamento em escala, o alemão An­dreas Gursky é hoje um dos fotógra­fos mais cultuados do planeta. Além do cuidado milimétrico que dedica às suas imagens, Gursky também é conhecido por ter elevado o merca­do da fotografia a um novo patamar, quando em 2007 teve uma de suas obras, 99 cents, vendida por mais de 3 milhões de dólares em uma mol­dura de mais de dois metros de al­tura. Nos últimos anos, Andreas tem se dedicado a imagens minimalis­tas, e atualmente exibe em Roma, com a série Bangkok.

Na galeria do site Artsy, Gursky é descrito como um importante tradutor visual daquilo que repre­senta a atualidade, em vários as­pectos e detalhes. “Em suas res­plandecentes fotografias de larga escala, Andreas Gursky captura o mundo moderno, suas paisa­gens, pessoas, arquitetura e in­dústrias em detalhes persuasi­vos”, explicam os autores. Outro talento atribuído ao fotógrafo é o de contextualizar cenas corri­queiras com um aspecto român­tico e imersivo. “Clicadas de uma perspectiva elevada e produzidas em uma escala épica, as imagens de Gursky mostram o individual ou granulado – produtos de su­permercado, jogadores de fute­bol, janelas em uma construção ou ilhas no oceano – imersas pe­las massas ou pelo ambiente”.

O trabalho dos fotógrafos Bernd e Hilla Becher teve gran­de mérito no despertar do inte­resse de Gursky para a estrutu­ra da fotografia. Conhecidos por seu método distintivo e neutro de catalogar sistematicamente máquinas e arquitetura indus­trial, o casal criou uma verda­deira escola de seguidores que buscam de maneira ‘fria’ tes­temunhar o mundo através de imagens. “Desenhando influên­cias de seus estudos com Bernd e Hilla Becher, Gursky compõe rigorosamente suas visões para envelopar os espectadores com escala vertiginosa, detalhe e cor – efeitos que obtém através de manipulação digital. Seu traba­lho possibilita uma comparação próxima ao de outros membros da Dusseldorf School, particu­larmente Thomas Struth, Axel Hüte e Candida Höfer”.

Através de um trabalho mili­métrico, Gursky concentra várias imagens, todas com um foco uni­forme, criando quadros perfei­tos e biônicos de seus objetos de estudo. Várias das obras de Gur­sky tem dado destaque ao seu modo particular de registrar des­de o final dos anos 1980. A foto­grafia Dolomites, Cable Car, de 1987, que mostra um bondinho imerso na neblina de uma paisa­gem ensurdecedoramente am­pla, é um de seus primeiros clássi­cos. A imagem de destaque desta matéria, Paris, Montparnasse, de 1993, destaca a geometria repe­titiva de um edifício modernista na França. Outra imagem, Gree­ley, de 1992, tem um formato alto e menos largo que o de costume, e mostra um pasto com gado co­lorido nos Estados Unidos.

MERCADO

Os grandes quadros criados a partir de fotografias de Gur­sky ajudaram a valorizar o preço de trabalhos fotográficos desde que passaram a ser arrematadas por preços mais salgados que o comum. O trabalho 99 Cent II Diptychon, composto por duas fotografias panorâmicas e em lar­ga escala de um supermercado, ficou famoso como a fotografia mais cara do mundo quando foi vendida, em fevereiro de 2007, por US$3,4 milhões. O tamanho original da fotografia é de 2 me­tros de altura por 3,37 de largura. De acordo com o catálogo da exi­bição, a imagem busca referência em vários valores atuais, como o consumismo. “Executada em grande escala, sua fotografia ins­peciona a paisagem pós-capita­lista, buscando por significados que definem nossa rotina”.

“No fim, decidi digitalizar as imagens e remover elementos que me incomodavam”, declarou Gur­sky a respeito de sua série de foto­grafias Rhine, de 1999, que inclui uma das imagens que mais tarde, em 2011, atingiu o recorde de pre­ço mais alto pago por uma fotogra­fia em leilão. Este feito teve gran­de impacto na indústria da foto. Na ocasião, a imagem, que mos­tra o Rio Reno, na Alemanha, foi arrematada por US$ 4.338.500 na Casa Christie’s, em Londres. Flo­rence Waters, no jornal britânico The Telegraph falou da represen­tatividade da imagem na história da fotografia alemã. “Esta imagem é uma vibrante, bonita, memorá­vel e inesquecível viagem no fa­moso gênero alemão: as paisagens românticas e o relacionamento entre homem e natureza”.


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