Esportes

Deputado Cairo Salim quer restringir atletas transsexuais de competições

"O binarismo foi muito mais perceptível na organização de jogos e atividades lúcidas coletivas. O jogo também adquiriu um lugar central nos mecanismos de interação, reforço e relação afetiva entre pais e filhos" (CARAVACA-MORERA, PADILHA. p. 317-318. 2005)

diario da manha
Foto: Reinaldo Canato/VEJA.com

O deputado Cairo Salim (Pros) propôs nesta terça-feira (5) na Assembleia Legislativa de Goiás, um projeto que proíbe a participação de atletas transsexuais em equipes, times e eventos esportivos em Goiás. De acordo com Salim, “a pessoa inconformada com o sexo biológico ao qual pertence, opta pela alteração cirúrgica do corpo a fim de emular o sexo biológico oposto ao seu ou pela alteração do registro civil”.

Por outro lado, a presença da atleta transsexual Tifanny Abreu na Superliga de Vôlei Feminino foi o auge do processo de transição de gênero em 2012. A atleta, por sua vez, iniciou carreira esportiva em quadras de voleibol em Goiânia. Em 2010 e 2011, ainda jogava na equipe masculina de vôlei, e foi classificada para a fase final da Liga Nacional de Vôlei, sendo o maior pontuador na Superliga B.

O processo de transição de Tifanny ocorreu aos 29 anos, por meio de procedimentos cirúrgicos e tratamento hormonal realizados na Espanha. No entanto, somente em 2015 o Comitê Olímpico Internacional (COI) regulamentou a comprovação de mulheres trans para poder competir em equipes femininas. Assim, será necessário a comprovação sobre o novo gênero há pelo menos quatro anos e a quantidade controlada de testosterona – inferior a 10 nmol/L. A atleta foi a primeira transexual a competir oficialmente pelo Brasil.

Em entrevista ao Diário da Manha, o gestor esportivo da Liga Goiana de Vôlei, Weiber Alosno, discorre sobre a participação de atletas transexuais nas competições.

“A gente trabalha baseado na na lei. Foram os parâmetros que a Tiffany trouxe isso pra gente. Então a Confederação Brasileira de Vôlei fez uma regulamentação desses atletas transexuais que tão participando, dos documentos tem que ser trocados, a troca de nome e o tratamento hormonal. A cada três meses eles tem que apresentar toda toda etapa é assim que o projeto tá de tratamento hormonal”, disse ao DM.

Exclusão e transsexualidade

Por outro lado, caso o projeto seja aprovado na Câmara, atletas transexuais serão vetados de participar de competições esportivas ou oficiais. Além disso, se torna um dos fatores de exclusão por preconceito acerca daqui que é normativo, social, cultural, espírito-religioso e simbólico de uma sociedade. (CARAVACA-MORERA, PADILHA. 2015)

Com isso, a separação dos espaços públicos e privados constitui-se principalmente em um cenário político, que (re)produz caminhos sociais cujos direcionam à exclusão, de fato. Assim, interferem na tomada de decisões que englobam o direito ao voto e herança de poder social e econômico.

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