Esportes

Abriu o Mar Vermelho

Redação DM

Publicado em 10 de dezembro de 2015 às 00:11 | Atualizado há 1 ano

O baiano Moisés Oliveira Brito iniciou o ano de 2015 sendo uma das sensações da equipe do Anápolis, na disputa da Divisão de Acesso do Goianão. Com jogadas insinuantes pelas pontas, o baixinho infernizava as zagas adversárias e fez gols importantes que fizeram com que o Galo da Comarca passasse ao quadrangular final e ao acesso para a primeira divisão estadual.

Esses lances chamaram a atenção do Vila Nova que, visando a montagem de um time forte para a disputa da Série C, contratou o jogador, além do zagueiro Igor e o volante Ramires, trazendo quase uma “espinha dorsal” do Anápolis para o Onésio Brasileiro Alvarenga. Logo no primeiro jogo, contra o Cuiabá, no Serra Dourada, Moisés já deixou sua marca, ao fazer um lindo gol de bicicleta, garantindo a vitória colorada na primeira partida da competição.

Desde então, Moisés mostrou o mesmo futebol que chamou a atenção dos dirigentes colorados, sendo batizado pelos torcedores do Tigrão, de “Profeta”, em alusão ao Moisés da Bíblia, que abriu o Mar Vermelho.

O jogador tem contrato com o Anápolis até o final do Goiano, mas deve ser negociado com o futebol sul-coreano, e cedido  ao Tigre para o Estadual.

Na conversa com o atacante, na terceira reportagem do especial “Das Cinzas à Glória”, o jogador revela o desejo de permanecer no Vila, devido  a ter sido recebido bem quando de sua chegada ao clube.

Entrevista – Moisés

DM: Você acompanhou a campanha do Vila, na Divisão de Acesso, sendo adversário, vestindo a camisa do Anápolis. Como foi a recepção dos companheiros na sua chegada, mesmo com toda a rivalidade que foi criada entre Vila e Anápolis?

Moisés: “Cheguei meio ressabiado, pensando se os jogadores iriram receber a gente de uma forma diferente, com ofensas, mas os jogadores experientes como o Robston e o Frontini, viram que nós (Moisés, Ramires e Igor) íamos ajudar e somar com eles, e nos abraçaram e foi gratificante a maneira que eles nos receberam, principalmente o próprio Robston que falou que nós íamos defender uma camisa só e que contava com a gente, e isso pra mim particularmente foi excepcional”

DM: Qual a importância dos líderes do Grupo, o Gustavo, o Robston, o Frontini na sua chegada, vindo do Anápolis?

Moisés: “Foi importante, já tinha jogado só não contra o Gustavo e o Édson, já o Frontini e o Robston, atuei contra eles em outras competições. São pessoas que no Vila Nova, são os “testas de ferro”, que quando chegam o jogador, conversam, explicam como é o clube até para o jogador que estiver chegando poder se adaptar mais rápido o possível ao Vila.”

DM: Na sua chegada, você já foi titular contra o Cuiabá e fez um gol. Qual a importância de estrear com gol, dentro do Serra Dourada?

Moisés: “Para mim foi uma felicidade imensa. Eu mesmo acredito que minha contratação foi contestada por parte da imprensa e também por alguns torcedores, porque não tiro a razão deles, já que vim de um clube do interior e poucos acreditam, e na situação o Márcio já me deu a oportunidade de ser titular e tive uma grande responsabilidade de já vestir a camisa 10 do Vila, já usada por grandes craques que passaram por aqui e eu fui feliz. Esse gol me deu a confiança de poder trabalhar, das pessoas poderem acreditar em mim e isso faz com que o jogador cresça durante a competição”

DM: O que você mentalizou para driblar a desconfiança do torcedor e conquistar o carinho dele?

Moisés: “O trabalho, o dia a dia. As vezes é ruim de você trabalhar com desconfiança, mas eu tive pouco tempo já que eu cheguei na semana da estreia. Então, quando foi divulgado algumas coisas pela imprensa, eu acompanhei, mas isso faz parte da nossa profissão e a gente acostuma com isso no dia a dia. Você prova para você mesmo, não é para ninguém, e o apoio da família é o diferencial”.

DM: Qual foi o jogo mais difícil da fase de mata-mata?

Moisés: “O primeiro jogo contra a Portuguesa. As pessoas já acreditavam mais, então até mesmo o gol do Ramires eu costumo falar, que foi a torcida que fez, pois foi naqueles vinte minutos de apoio total deles e nós não estávamos pressionando por um gol.”

DM: Muitos disseram que você estava chorando no primeiro jogo contra a Portuguesa, devido o apoio do torcedor. Qual a importância do torcedor colorado nessa campanha da equipe?

Moisés: “Essa sensação que eu tive eu acho que  todos os jogadores tiveram. Chegando no Serra Dourada, a festa da torcida foi maravilhosa. Eu mesmo falei que estava parecendo uma final de Libertadores entre Boca Juniors e River. Então foi coisa diferente, só de falar, você já arrepia ao ver uma torcida demonstrando aquele apoio em uma Série C. Não tem como não se arrepiar, por trás do jogador, existe o ser humano que sente, tem emoção e sente o carinho do torcedor e isso faz com que a gente transfira esse sentimento para dentro de campo. Isso foi o diferencial no jogo contra a Portuguesa e na campanha toda”

DM: Na campanha da Série C, qual foi o jogo “divisor de águas” que impulsionou a equipe, rumo ao título?

Moisés: “Acredito que foi jogo a jogo. Desde o início, contra o Cuiabá, nós jogadores nos fechamos, sabíamos que um precisava do outro, mesmo os atletas que não estavam atuando,  isso seria importante porque a vaidade ela as vezes atrapalha muitas vezes o grupo. Já trabalhei em grupos em que você ganha, duas a três partidas e a vaidade começa a tomar conta de um jogador e isso acaba comprometendo o grupo todo. Isso fez com que a gente se focasse mais, em um momento em que a torcida já estava jogando com a gente, fazendo com que as dificuldades que apareciam, nós resolvêssemos dentro do próprio elenco, para não sair para a imprensa e se tornar algo desagradável. Esse grupo foi merecedor de todas as conquistas”

DM: Qual a importância do Robston para a equipe, como capitão e como líder nas horas boas e ruins?

Moisés: “O Robston é um cara que não tenho palavras para falar dele. Essa é a primeira vez que eu tenho a oportunidade de trabalhar com ele e é um cara excepcional, que quando vence ele não fala nada e quando perde ele é o que mais fala, na minha opinião, isso é ser o líder. Liderança quando se vence é fácil,  qualquer jogador pode ser líder. Já ele não, ele só falava em uma derrota ou quando vinha críticas de fora. As vezes a garotada baixava a cabeça e ele sempre apoiou a meninada para levantar a cabeça. O Robston foi um dos principais jogadores, dentro de campo e fora de campo. Ele foi o líder que o Vila Nova precisou nessa Série C”

DM: Projetando 2016, o Moisés fica no Vila?

Moisés: “Tenho contrato com o Anápolis a ser cumprido, sempre fui muito correto nas minhas coisas, muito profissional. Falta apenas resolver a questão do Campeonato Goiano”.

 

Tigre fecha com novo fornecedor esportivo

 

A diretoria do Vila Nova apresentou a nova fornecedora de material esportivo para a temporada de 2016. Depois de rescindir com a Pulse, que tinha contrato com o Tigre até o final do ano que vem, os dirigentes colorados confirmaram a Rinat como nova empresa responsável pela confecção dos materiais esportivos colorados.

A empresa Rinat é mexicana e está no mercado há 28 anos, investindo primeiramente no Brasil, com uniformes e luvas para goleiros, mas após estudos realizados, a marca irá fornecer materiais esportivos.

O diretor comercial da empresa, Tarcísio Gaipo, explicou como funcionará o fornecimento de materiais esportivos ao clube e também justificou a escolha pelo Tigre para fornecer uniformes em 2016.

“O Vila Nova Futebol Clube será a primeira equipe nacional a vestir a marca Rinat. Vamos disponibilizar ao torcedor toda a linha do clube e também camisas retrô. O porquê de termos escolhido o clube é bem simples! A torcida do Vila Nova. A paixão e presença da torcida no estádio acompanhando o clube nas partidas”, disse Tarcísio.

O presidente Guto Veronez foi outro que fez alusão à torcida colorada. Guto disse que a “renovação” dos materiais esportivos visa atender melhor os desejos da torcida colorada.

“Essa parceria vem consolidar mais uma vez a força da nossa torcida e do Vila Nova. O ano de 2016 está batendo na porta e fazia parte da nossa programação a renovação dos materiais esportivos. Buscamos sempre melhor atender os nossos torcedores”, falou o presidente colorado.

A nova linha de material esportivo feito pela Rinat será lançada na próxima quinta-feira na boate Woods. O torcedor que quiser participar do evento poderá adquirir o ingresso para o coquetel, no valor de R$ 200, e de quebra ganhará a nova camiseta do Tigrão.

Moisés na Série C

  • Moisés Oliveira Brito (29 anos)
  • Na Série C
  • 20 jogo
  • 7 cartões amarelos
  • 8 gols marcados
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