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Redação DM

Publicado em 6 de outubro de 2015 às 04:05 | Atualizado há 11 anos

RIO, 5 (AG) – Submetidos à concorrência desleal das dezenas de câmeras, confrontados pela agressiva pressão dos jogadores brasileiros, postos em xeque por dirigentes. Os árbitros se tornaram os personagens mais frágeis do futebol no país. O episódio da “desexpulsão” do palmeirense Egídio no último domingo, em Chapecó, foi uma das faces da insegurança e hesitação que tem marcado a atuação dos juízes. Para a CBF, evitar novos desgastes é prioridade. Para tanto, agilidade nas decisões virou palavra de ordem.

A entidade entende que Jaílson Macedo Freitas e os assistentes acertaram ao rever a marcação de falta e a expulsão de Egídio no jogo contra a Chapecoense. Acredita, ainda, que o procedimento foi correto ou, ao menos, a versão defendida pela equipe de arbitragem. Segundo os relatos dos árbitros e do delegado do jogo, o equipamento de comunicação falhou. Assim, o quarto árbitro, Daniel Bins, dirigiu-se a Jaílson para informar que a marcação fora incorreta. No entanto, a CBF está convencida de que a demora de mais de quatro minutos criou um desgaste, reforçando a suspeita da opinião pública de interferência externa ou uso indevido de vídeo.

A recomendação é que a tomada de decisões siga o mesmo procedimento, só que de forma mais rápida. A CBF afirma estar certa de que os membros da equipe de arbitragem não usam qualquer equipamento para receber informações externas. E quer evitar, com decisões céleres, que se dissemine a desconfiança.

– Prefiro acreditar nas pessoas, nos árbitros. E eles dizem que não há influência. Mas o que aprendi na arbitragem é que, além de ser honesto, tem que parecer honesto. O problema foi o procedimento. A forma como tudo foi feito deu motivo para duvidar que não houve interferência – disse Leonardo Gaciba, comentarista de arbitragem. – Se o árbitro tem tanta certeza, entra correndo em campo.

Daniel Bins, quarto árbitro e responsável por ter avisado Jaílson do erro na expulsão de Egídio, deu sua versão.

– A demora suscitou dúvidas com relação à interferência externa. Mas não teve isso. A demora aconteceu porque todo o banco da Chapecoense foi reclamar e eu tive que fazer contenções – explicou Bins, em entrevista ao canal “Fox Sports”.

Outro ex-árbitro, Carlos Eugênio Simon disse ter orientado Bins a, na próxima vez, ir imediatamente ao campo avisar o árbitro. Simon concorda que, hoje, o árbitro está vulnerável:

– O jogo envolve milhões e o árbitro é o único amador. Ninguém quer saber como se prepara, se tem que trabalhar, como paga seus remédios ao se lesionar. É preciso usar tecnologia a favor do árbitro, discutir profissionalização e ter um comando forte na comissão de arbitragem, que prepare e defenda o juiz. Colocar na geladeira e escalar outro é fácil.

A interferência externa seria capaz, até, de provocar a anulação de um jogo. Mas teria que ser comprovada, conforme prevê o Artigo 84 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva. O pedido de anulação tem que ser feito ao presidente do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), acompanhado de provas dos fatos alegados. Até hoje, as tentativas de anular jogos por supostas interferências externas foram rejeitadas pelos tribunais esportivos por falta de provas.

As pressões sobre os árbitros vêm de todos os lados. E a reta final do Brasileiro, com decisões em todas as regiões da tabela, acirra ânimos e torna atraentes todos os instrumentos de pressão.

– Sou favorável à tecnologia, mas, enquanto a Fifa não aprovar, é contra a lei – disse Eduardo Preuss, gerente de futebol da Chapecoense.

– A comissão de clubes é a favor da tecnologia. Prefiro parar o jogo um minuto e ter a decisão correta – defende Romildo Bolzan, presidente do Grêmio.

Até questões políticas são trazidas à tona na hora decisiva.

– Interferência externa é o que acontece em Santa Catarina. O Delfim (Peixoto, presidente da Federação Catarinense e vice da CBF) está pressionando os árbitros. E foi o delegado do jogo, que é catarinense, quem expulsou o Jorge Henrique – reclama o presidente do Vasco, Eurico Miranda, citando o cartão dado ao atacante, que estava no banco no jogo com o Avaí.

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