Argentina lamenta fim do clássico, mas celebra caminho sem o Brasil na Copa
Fernando Henrique - Estágio DM
Publicado em 6 de julho de 2026 às 09:37 | Atualizado há 1 hora
Torcedores argentinos em Atlanta comentam a eliminação do Brasil e projetam o duelo da Argentina contra o Egito pelas oitavas de final | Foto: Reuters
Palco do próximo compromisso da Argentina na Copa do Mundo contra o Egito, na terça-feira (7), a cidade de Atlanta, na Geórgia, já começa a receber uma série de “hinchas” argentinos que vêm desembarcando nos últimos dias vindos de Miami, onde a alviceleste derrotou de maneira dramática o estreante Cabo Verde.
Ao fim da partida que resultou na eliminação da seleção brasileira, possível rival da atual campeã do mundo na semifinal, torcedores argentinos aceleravam os passos saindo dos bares e restaurantes em busca de refúgio para tentar escapar –sem sucesso na maioria dos casos– da tempestade que se aproximava, após a sensação térmica beirar a casa dos 40ºC durante o dia.
Torcedores admitem alívio por evitar o Brasil
Em conversas com a Folha que atrasaram os planos de abrigo, os aficionados de azul e branco demonstravam alguma decepção pelo maior clássico sul-americano não ter mais a possibilidade de acontecer, mas também tinham certa satisfação por não ter que cruzar com o Brasil no caminho rumo ao título.
“Nunca me deem o Brasil numa Copa do Mundo, não quero enfrentá-los. Talvez não seja o melhor Brasil, talvez não seja o melhor momento deles, mas nunca me deem isso. Então, um concorrente a menos e o caminho fica um pouco mais livre para a Argentina”, afirmou o jovem torcedor Valentín Torres.
“Para ser honesto, é uma mistura de sentimentos. Por um lado, não gosto porque são nossos irmãos sul-americanos. Na verdade, eu gosto dos brasileiros. Por esse lado, é triste, mas por outro, é um alívio não ter que enfrentá-los mais se a Argentina seguir vencendo”, disse o “hincha” Mariano Bossi.
“Sinceramente, eu não via o Brasil como favorito, mas achei que iriam mais longe, até as quartas de final ou mesmo às semifinais, pelo menos”, afirmou Francisco Krieger, debaixo do tapume de uma lanchonete de fast food, quando a água já caía com força no centro da cidade americana.
“Tenho sentimentos contraditórios. Obviamente, eu preferia que o Brasil fosse eliminado”, disse Krieger, que vê um caminho mais fácil da alviceleste rumo ao tetracampeonato contra México ou Inglaterra. Um deles enfrentará a Noruega em uma das quartas de final.
“Sinto um pouco de pena do Neymar porque ele é um jogador de quem gosto muito e gosto de vê-lo jogar, gosto de vê-lo feliz. Ele terminou a partida chorando. Felizmente, marcou um gol, o que me deixou feliz”, afirmou o torcedor.
Confiança para o duelo contra o Egito
Os fãs disseram também estar confiantes em relação ao próximo duelo da Argentina contra o Egito, que acontece no Mercedes-Benz Stadium, valendo vaga nas quartas de final, esperançosos de que o pior tenha ficado para trás contra Cabo Verde.
“Precisamos encontrar um artilheiro entre os jogadores que não seja o Messi e melhorar nosso desempenho em outras áreas do campo. O jogo contra Cabo Verde foi terrível, foi um dos piores jogos da era Scaloni, se não o pior”, disse Sebastián Fernández.
“Acho que foi um alerta que veio na hora certa, que era necessário”, emendou o amigo Valentín Torres.
“Espero que o jogo contra o Egito seja mais fácil. A partida contra Cabo Verde ajudará a Argentina e Scaloni a fazerem as mudanças necessárias enquanto ainda podem”, opinou Krieger, que também demonstrou preocupação com a excessiva dependência do time em relação ao seu camisa 10.
“Se Messi não marca, parece que os atacantes e meio-campistas não são capazes de fazer muita coisa. Isso me preocupa um pouco, mas Messi é impecável, como sempre.” (Lucas Bombana/FOLHAPRESS)