Atletas do Milan e da Inter de Milão são investigados por rede de prostituição na Itália
Aline Drumond - Estágio DM
Publicado em 22 de abril de 2026 às 13:54 | Atualizado há 2 meses
Caso apurado em Milão aponta possível envolvimento de jogadores em esquema ilegal | Foto: Getty Images
Um esquema de exploração sexual com possíveis ramificações no futebol italiano passou a ser investigado pelo Ministério Público de Milão. As autoridades apuram a atuação de uma empresa suspeita de comercializar pacotes de festas que incluíam serviços de prostituição e o uso de óxido nitroso, substância conhecida popularmente como “gás do riso”.
De acordo com informações divulgadas pelo jornal Gazzetta dello Sport, cerca de 50 jogadores da elite do futebol do país estariam, de alguma forma, ligados ao caso. Entre os citados, haveria atletas que atuam em clubes tradicionais como o AC Milan e a Inter de Milão.
Como funcionava o esquema
As investigações apontam que os encontros eram organizados em hotéis e casas noturnas, tanto na Itália quanto na ilha de Mykonos. O esquema seria comandado por Emanuele Buttini e Deborah Ronchi, casal que atualmente cumpre prisão domiciliar. Ambos são acusados de envolvimento com exploração de serviços sexuais e lavagem de dinheiro. A base da operação funcionava em Cinisello Balsamo, município localizado na região metropolitana de Milão.
Além de jogadores de futebol, a promotoria investiga a possível participação de empresários, celebridades e até pilotos de Fórmula 1. Um dos elementos analisados pelos investigadores é a interação de atletas com a agência nas redes sociais, como o fato de seguirem o perfil do grupo.
Interceptações telefônicas também revelaram detalhes das negociações. Em uma das conversas, há referência à oferta de uma mulher brasileira: “Vou mandar a brasileira para ele”, diz um dos trechos sob análise.
Segundo os autos, a empresa teria iniciado suas atividades em 2019 e continuado a promover eventos mesmo durante o período mais restritivo da pandemia de Covid-19. Testemunhas afirmam que havia uma espécie de boate clandestina operando na sede do grupo, funcionando inclusive durante o lockdown.
O inquérito ainda indica que diversas mulheres eram submetidas à exploração sexual. Elas seriam selecionadas pelos clientes e ficariam com metade do valor pago pelos serviços. A estimativa é de que mais de 100 mulheres, de diferentes idades e nacionalidades, tenham sido envolvidas no esquema.
Uso de “gás do riso” e legislação
Outro ponto sob investigação é o uso recorrente do óxido nitroso durante as festas. A substância, que pode provocar sensação de euforia, seria utilizada por participantes por não deixar rastros detectáveis em exames antidoping, conforme apontam os investigadores.
Na legislação italiana, a prostituição em si não é considerada crime quando exercida de forma voluntária. No entanto, práticas como a intermediação, o favorecimento e a exploração de terceiros são tipificadas como ilegais, o que sustenta as acusações no caso em apuração.