CBF apoia pressão do Corinthians contra Amarilla e cobra investigação da Conmebol
Redação DM
Publicado em 25 de junho de 2015 às 04:31 | Atualizado há 11 anosO Corinthians não está sozinho em sua briga com o árbitro Carlos Amarilla e o auxiliar Rodney Aquino. A CBF enviou nesta quinta-feira um ofício à Conmebol, cobrando a investigação de supostos irregularidades na arbitragem paraguaia da partida entre o clube brasileiro e o Boca Juniors, na Libertadores de 2013. O ex-presidente da Associação de Futebol da Argentina (AFA) Julio Grondona, falecido em 2014, deu a entender que Amarilla favoreceu intencionalmente o time argentino, em escutas telefônicas divulgadas nesta semana. Aquino era um dos auxiliares naquela partida, no Pacaembu, que terminou empatada em 1 a 1 e acabou classificando os argentinos às quartas de final.
— O caso é grave e precisa ser apurado. Temos um clube brasileiro que pode ter sido prejudicado e é dever da CBF defendê-lo até as últimas consequências. Temos plena confiança na Conmebol e no presidente Juan Angel Napout e temos certeza de que tudo será esclarecido — afirmou o presidente da CBF Marco Polo Del Nero.
O diálogo suspeito, que faz parte das investigações da justiça argentina desde 2012 sobre a Máfia do Futebol, foi entre Grondona, que também foi vice-presidente da Fifa, e Abel Gnecco, representante argentino no comitê de árbitros da Conmebol. Aconteceu em 17 de maio de 2013, dois dias depois de o Boca eliminar o Corinthians no Pacaembu.
– Estive falando com Alarcón (Carlos Alarcón, representante paraguaio na Comissão de Árbitros da Conmebol) e ele me disse: ‘Estão querendo o Amarilla aí na Argentina?’ Veja, se querem eu não sei, eu quero. Coloque ele e deixe de me encher o saco. Alarcón, ponha o Amarilla e deixe de me ferrar. Bom, foi assim, ele colocou e bom… E saiu bem porque, bem, tem de ser assim – disse Gnecco a Grondona.
– No fim, se saiu bem. Ninguém queria este louco de m…, e o maior reforço que o Boca teve no último ano foi Amarilla – dsse Grondona.
CORINTHIANS NÃO QUER MAIS JOGOS COM AMARILLA
Amarilla e o auxiliar paraguaio Rodney Aquino foram suspensos preventivamente de partidas do campeonato paraguaio “até que sejam sanados os supostos feitos denunciados pela mídia”, de acordo com comunicado da Associação Paraguaia de Futebol. Aquino atuou como bandeirinha no último domingo, na vitória do Brasil sobre a Venezuela, por 2 a 1, pela Copa América, no Chile.
Na terça-feira, a diretoria do Corinthians informou que pedirá à Conmebol para nunca mais escalar Carlos Amarilla, Rodney Aquino e o auxiliar Carlos Cáceres, também do Paraguai, em jogos da equipe. Os três tiveram atuação muito criticada no jogo contra o Boca Juniors, em 2013, no Pacaembuquando o time paulista reclamou de um pênalti não marcado em Emerson Sheik e de um gol mal anulado de Romarinho. À época, a imprensa argentina chegou a reconhecer a arbitragem polêmica de Amarilla, que ajudou na classificação do Boca Juniors para as quartas de final.
O técnico Tite, que reassumiu o comando do Corinthians neste ano, afirmou que espera nunca mais ver Amarilla na vida. Na época da partida polêmica, Tite já havia reagido com irritação à atuação do árbitro paraguaio.
— Foi a primeira vez na vida em que fui cínico, muito cínico. Fui até o árbitro e disse a ele: “Parabéns”. Fui muito cínico, falso, botei meu lado podre e espúrio para fora. Apertei duas vezes a mão dele, apertei forte – afirmou Tite à época. — Não gostaria nunca mais de tê-lo como árbitro. Meus olhos observam detalhes.