Clubes discutem paralisação do Brasileirão após proibição de patrocínios das bets
Aline Drumond - Estágio DM
Publicado em 30 de setembro de 2026 às 09:25 | Atualizado há 9 horas
Clubes brasileiros discutem medidas após decisão que proíbe a atuação das casas de apostas no país | Foto: Divulgação
Clubes brasileiros avaliam paralisar o Campeonato Brasileiro em reação à decisão do Governo Federal de proibir a atuação das casas de apostas no país. A possibilidade passou a ser discutida na última segunda-feira (28), em meio à preocupação dos dirigentes com a perda de receitas de patrocínio e com os efeitos da medida sobre o planejamento financeiro das equipes.
As bets estão entre as principais fontes de receita comercial do futebol brasileiro. Por isso, os clubes querem negociar alternativas antes que os contratos sejam encerrados e defendem a criação de um período de transição. A proposta é permitir que os acordos continuem por mais seis meses a um ano, enquanto as equipes buscam novos patrocinadores.
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A paralisação seria uma forma de pressionar o governo a ampliar as medidas de auxílio aos clubes. Entre as propostas está uma linha de crédito com juros baixos, que já vinha sendo negociada antes da decisão sobre as casas de apostas.
A mobilização dos dirigentes também levou ao cancelamento de uma reunião que ocorreria nesta terça-feira (29), em Brasília, com representantes do governo. O encontro perdeu adesão depois que presidentes de clubes sinalizaram que não participariam.
Pressão também envolve a CBF
Além das medidas financeiras, os clubes querem ampliar a participação da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) nas negociações. Nesta terça-feira (29), o Sindicato Nacional das Associações de Futebol Profissional (Sinafut) pediu para participar, no Supremo Tribunal Federal (STF), do processo que questiona a medida provisória responsável pela proibição das bets.
A entidade representa clubes e federações e tem influência da CBF. A movimentação foi interpretada pelos dirigentes como um sinal de maior envolvimento da confederação na discussão.
A possibilidade de interromper o Brasileirão também aumenta a pressão sobre o governo porque o calendário do futebol brasileiro já está apertado até o fim do ano. Uma eventual paralisação poderia provocar novos impactos na organização das competições.
Fim das bets preocupa contas para 2027
O impacto financeiro não se restringe aos valores que os clubes ainda receberiam em 2026. Algumas equipes já incluíram receitas de patrocínios de casas de apostas na previsão orçamentária para 2027.
Com o fim dos contratos, os dirigentes terão de procurar novos parceiros comerciais para compensar os valores que estavam previstos. A mudança pode obrigar os clubes a rever o planejamento financeiro da próxima temporada.
O Corinthians está entre as equipes que participam das negociações. O clube paulista também discute uma linha de crédito com juros baixos para o pagamento de dívidas e mantém conversas com a Caixa Econômica Federal sobre alternativas relacionadas ao financiamento da Neo Química Arena.
Mesmo com o cancelamento da reunião desta terça-feira (29), as discussões sobre o modelo de crédito e outras formas de reduzir os impactos da saída das bets continuam entre clubes e governo.
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