Esportes

Entre incerteza após rebaixamento, Eurico Miranda só dará coletiva nesta segunda

Redação DM

Publicado em 6 de dezembro de 2015 às 09:00 | Atualizado há 11 anos

Curitiba Predominava o silêncio no vestiário do Couto Pereira e nos corredores que lhe dão acesso, por onde circulavam dirigentes que acompanharam os últimos momentos do Vasco antes da terceira queda. Era possível ouvir um dos supervisores preparando a volta do time ao Rio, com ônibus recebendo o elenco na pista do aeroporto e sob proteção policial.

O silêncio tinha também a marca da incerteza, da reflexão. Qual a consequência institucional, econômica até, para um gigante diante da terceira queda? É inédito. Qual será o elenco? Qual o treinador?

A começar pela presidência. A informação de que Eurico Miranda teria que se afastar para tratamento foi prontamente desmentida após o jogo. Ele fará exames médicos e, segundo assessores diretos, uma licença só é cogitada caso tenha que se submeter a tratamento mais rigoroso. Nos próximos dias, já tem compromissos confirmados: entrevista coletiva hoje e duas reuniões com conselhos do clube até amanhã.

Dos jogadores, Serginho, Rafael Silva, Diguinho e Júlio César têm contratos que terminam antes do início da Série B de 2016. Nenê, com contrato em vigor, tem uma cláusula que permite a saída para o exterior. Ele é visto como símbolo da recuperação do time.

— Fizemos de tudo para recuperar. Quase deu. Mas não dependia só da gente. Dei tudo o que eu tinha — disse Nenê.

O contrato de Jorginho acaba com o fim da atual temporada. Em alta no clube e visto como o grande comandante de uma reação vigorosa, porém insuficiente para compensar o péssimo primeiro turno, ele misturou coragem e tristeza em sua entrevista coletiva após o jogo.

— O sentimento é como se tivesse perdido alguém da família. Peço desculpas. Se houve algo de positivo, além da entrega dos jogadores, foi a forma como a torcida nos abraçou — disse, antes de ir às lágrimas. — Entreguei minha vida, tudo o que tinha de conhecimento de futebol, de experiência em clubes e na seleção. Experiências como esta nos fazem crescer. Nosso caráter foi muito lapidado. Passamos por muita pressão.

O peso da defasagem

Um dos pontos que valoriza Jorginho no Vasco é o fato de jamais ter se desvinculado da má campanha, mesmo tendo comandado o time num segundo turno muito melhor do que o primeiro:

— Claro que a defasagem de pontos criou uma sobrecarga, uma pressão. Mas eu fiz parte desta caminhada e me sinto completamente responsável por este rebaixamento.

Evitou falar sobre seu futuro no clube. Dizia simplesmente não ter tido tempo para refletir:

— Nem pensei nesta situação. Não conversei com a diretoria. Primeiro, preciso digerir muito bem a nossa ida para a segunda divisão. O Vasco é o time da virada, vai se reerguer. Mudanças sempre acontecem. Jogadores entram e saem. Quem ficar fará de tudo para devolver o clube ao seu lugar.

Num clube em que não sobra dinheiro, a tentativa de não cair trouxe gastos na reta final. Foram cerca de R$ 200 mil para fretar aviões para Joinville e Curitiba. Sem falar no pagamento antecipado de salários de novembro, que surpreendeu funcionários. A política do clube na montagem do elenco de 2016 indicará com precisão a saúde econômica.

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