Erling Haaland, na Copa do Mundo 2026, virou guerreiro viking da bola
Redação Online
Publicado em 12 de julho de 2026 às 19:30 | Atualizado há 1 hora
Marcus Vinícius Beck
O atacante Erling Haaland foi, contra a Seleção Brasileira, um guerreiro viking cruzando as geleiras no Atlântico Norte. Mas, diante dos ingleses, no sábado (11), em Miami, a remada deixou a desejar e os noruegueses naufragaram nas quartas de final da Copa do Mundo.
Deu English Team por 2 a 1. Haaland, anulado, mal encostou na bola. Até aí, tudo bem. O craque tem uma relação minimalista com o objeto esférico. Preciso em seu ofício, ele carece apenas de uma chance. Ao encarar o time canarinho, viu duas brechas. Não as desperdiçou.
Para o nórdico, a campanha norueguesa foi marcante. “A performance é algo, derrotar o Brasil é algo, mas acho que o jeito com o qual colocamos a Noruega no mapa é o que talvez mais tenha me marcado”, afirmou o carismático atacante, depois do revés para a Inglaterra.
À CazéTV, Haaland confessou sentir um vazio após a partida, porque a sua seleção, segundo ele, merecia mais. “Mas estou super orgulhoso do que a Noruega fez no último mês. E ainda quero agradecer ao povo brasileiro pelo apoio, isso tem sido incrível”, disse, na zona mista.
Grandalhão — mede 1,95 metro de altura —, Haaland é cintura dura. Não dribla, ainda que tenha exibido durante o Mundial destreza na jogada aérea, como bem sabemos. Se a peleja exigir, tromba e, muitas vezes, derruba os zagueiros. Difícil pará-lo, mas não impossível.
No Manchester City, o nórdico refinou seu estilo. O técnico Pep Guardiola o ajudou a se tornar menos previsível. Em vez de apenas receber a bola e chutar, o delantero passou a se movimentar mais, atraindo os defensores e abrindo espaço para a infiltração dos meias.

Fenômeno
Em 2019, durante a Copa do Mundo Sub-20, Haaland marcou nove gols em uma partida. O treinador Paco Johansen contou à Fifa que a joia norueguesa, com 18 anos, se irritara por não ter feito dez. Honduras sentiu a espada afiada do jogador, cuja carreira decolou desde então.
“É a fome [de marcar gols]. São horas e mais horas de trabalho, nas seletivas da Noruega, no Bryne, no Molde, no Salzburg, no Dortmund e no Manchester City”, diz Johansen. “Ele tinha uma vontade enorme de marcar gols assim, e agora você o vê fazendo isso cada vez mais.”
Filho do ex-volante e lateral Alf-Inge Haland, o jogador nasceu em Leeds, na Inglaterra. Pouco tempo depois, seu pai assinou contrato com o Manchester City. Em um clássico contra o United, Alf recebeu um carrinho do irlandês Roy Keane, que o tirou dos campos.
Alf-Inge, vendo-se diante de uma lesão grave, encerrou a carreira e voltou para a Noruega. Haaland cresceu no país nórdico, em Bryne, cidade pacata. Começou no time local, depois mudou-se para a Áustria e foi jogar na Alemanha. Na sequência, retornou à Inglaterra.
Sobre a sua nacionalidade, Haaland analisou em 2022, após a seleção nórdica não disputar a Eurocopa naquele ano: “Não sabemos como seria se meu pai tivesse jogado mais tempo na Inglaterra. Eu poderia ser inglês.” No entanto, entende-se norueguês e se orgulha disso.
Erling Haaland parou no rock’n’roll do time inglês

Erling Haaland é um fenômeno. Conforme a Uefa, ele marcou 57 gols em 58 jogos na Liga dos Campeões. Tem 25 anos, mas já aparece dentre os dez melhores marcadores da badalada competição europeia, que venceu na temporada 2022/2023. É destaque do Manchester City.
Neste torneio, Haaland habituou-se a enfrentar brasileiros. Contra o Real Madrid, time de Vini Jr., o norueguês atravessou verdadeiras epopeias. De algumas, saiu vitorioso. Em outras, todavia, viu o seu temido time sucumbir para o todo-poderoso plantel espanhol.
Há uma rivalidade clubística, enquanto entre os jogadores o que se enxerga é respeito. Dias antes, na zona mista, depois de tirar o Brasil da Copa, o guerreiro viking parou a entrevista para dar um abraço em Vini. Flashes e microfones registraram uma cumplicidade esportiva.
Minutos antes daquele abraço, o algoz castigou a Seleção. Marcou, sem piedade, duas vezes. Um sentia o gosto da glória, o outro do fracasso. Um conhecia o êxtase, o outro o desespero. Um estava vivo, o outro morreu. Morre-se e depois renasce para a próxima Copa do Mundo.

Sai pra lá
Uma sensação que o próprio nórdico experimentaria logo em seguida diante dos ingleses. Nem Mick Jagger, notório pé-frio, azarou o English Team — let’s spend the night together total. Jude Bellingham resolveu a partida. Nas arquibancadas, só se ouvia “Hey Jude”.
Haaland fracassou nas quartas de final, Jagger livrou-se de sua maldição e a Inglaterra está em sua 4ª semifinal de Copas. O futebol voltará para a casa? Na dúvida, os ingleses recorrem a “Wonderwall”, do Oasis: “I don’t believe that anybody feels the way I do about you now.”
Enquanto isso, o simpático goleador se insere na galeria dos carrascos brasileiros, sina que começou com o uruguaio Alcides Ghiggia, em 1950, passou pelo moçambicano Eusébio, em 1966, e teve seu ápice no italiano Paolo Rossi, em 1982. Agora também há Erling Haaland.