Esportes

Investigação financeira e crise administrativa expõem cenário de instabilidade no São Paulo

Aline Drumond - Estágio DM

Publicado em 12 de janeiro de 2026 às 14:41 | Atualizado há 5 meses

Clube vive momento de instabilidade fora de campo em meio a apuração financeira | Foto: Dudu Bairros/Conmebol/São Paulo F.C.
Clube vive momento de instabilidade fora de campo em meio a apuração financeira | Foto: Dudu Bairros/Conmebol/São Paulo F.C.

O São Paulo atravessa um início turbulento no Campeonato Paulista, com dificuldades dentro e fora de campo. No último domingo (11), o Tricolor estreou com derrota por 3 a 0 para o Mirassol, resultado que aumentou a pressão sobre o elenco e a diretoria.

Fora das quatro linhas, porém, a situação se mostra ainda mais delicada e deve gerar novos desdobramentos nos próximos dias. Na próxima sexta-feira (16), o clube irá votar o pedido de impeachment do presidente Julio Casares, em meio a uma investigação que envolve integrantes da atual gestão e de administrações anteriores.

A apuração começou após uma denúncia anônima encaminhada à Polícia Civil de São Paulo. Em seguida, o Ministério Público instaurou um inquérito para analisar movimentações financeiras consideradas fora do padrão nas contas do clube. Segundo os investigadores, essas transações levantaram suspeitas sobre a gestão dos recursos.

Entre os nomes citados está Nelson Marques Ferreira, que atuou como diretor adjunto do São Paulo entre 2021 e novembro de 2025. De acordo com as autoridades, ele aparece ligado à criação de cerca de 15 franquias e outras 15 empresas instaladas em shoppings centers. Esse volume de negócios chamou a atenção e levantou dúvidas sobre um possível uso irregular de verbas associadas ao clube.

Além disso, a investigação identificou uma série de saques em dinheiro realizados com apoio de carro-forte. Ao todo, a polícia contabilizou 33 retiradas nesse formato. O maior volume ocorreu em 2024, quando 11 saques somaram aproximadamente R$ 5,2 milhões. Já em 2025, foram registrados cinco saques, que totalizaram cerca de R$ 1,7 milhão.

O inquérito também passou a analisar as contas bancárias do presidente Julio Casares e de pessoas próximas ao seu núcleo familiar. Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontaram movimentações consideradas atípicas ao longo de 29 meses, entre janeiro de 2023 e maio de 2025.

Nesse período, apesar de receber um salário mensal pouco acima de R$ 27 mil do São Paulo, as contas do dirigente movimentaram mais de R$ 3 milhões. A média mensal ficou em torno de R$ 110 mil. Parte desses valores, segundo os relatórios, teria sido depositada em dinheiro.

A defesa de Julio Casares nega qualquer irregularidade. Segundo o advogado do dirigente, não há relação entre os saques realizados pelo clube e os valores que ingressaram nas contas pessoais do presidente. Além disso, a defesa afirma que os recursos têm origem em atividades privadas anteriores e que Casares não possuía poder de decisão sobre a execução financeira das operações investigadas.


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