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Irã denuncia restrições nos EUA após empate com Nova Zelândia na Copa

Fernando Henrique - Estágio DM

Publicado em 16 de junho de 2026 às 11:17 | Atualizado há 1 hora

Seleção do Irã durante partida contra a Nova Zelândia na Copa do Mundo delegação relata restrições de viagem e problemas com vistos nos Estados Unidos | Foto: Reprodução/Instagram/@teammellifootball
Seleção do Irã durante partida contra a Nova Zelândia na Copa do Mundo delegação relata restrições de viagem e problemas com vistos nos Estados Unidos | Foto: Reprodução/Instagram/@teammellifootball

O técnico do Irã, Amir Ghalenoei, afirmou na segunda-feira (16) que sua equipe estava sendo “oprimida” e que foram obrigados a deixar os EUA imediatamente após o empate de 2 a 2 com a Nova Zelândia na Copa do Mundo.

Segundo o treinador, o Irã esperava passar a noite de segunda em Los Angeles, nos Estados Unidos, mas acabou sendo obrigado a retornar imediatamente ao México. A mudança ocorre em meio às tensões entre Teerã e Washington e à perspectiva de um acordo ser assinado entre os países.

“Devíamos ficar aqui esta noite para nos recuperarmos e voltar amanhã na hora do almoço, mas eles não nos permitiram”, disse Ghalenoei. “Disseram que temos que partir imediatamente. É muito importante para nós ter tempo para recuperação, mas nos disseram para retornar ao nosso acampamento”, afirmou.

“Para ser sincero, não faço ideia do porquê. Acho que talvez nossa equipe seja a mais oprimida de toda a Copa do Mundo.”

Ghalenoei não disse quem impôs a restrição. O Departamento de Estado dos EUA e a Fifa não responderam a pedidos de comentários da agência Reuters.

Problemas com vistos e deslocamentos

Na viagem de volta, o jogador Mehdi Torabi enfrentou dificuldades para deixar o país porque seu visto havia expirado, segundo a agência de notícias estatal iraniana Irna.

Os atletas da seleção receberam, antes da competição, vistos que permitiam múltiplas entradas e saídas dos Estados Unidos, mas o documento de Torabi era válido para apenas uma entrada. A Federação Iraniana de Futebol iniciou os trâmites para obter um novo visto.

O capitão e atacante Mehdi Taremi e um integrante da comissão técnica também enfrentaram dificuldades no aeroporto de Los Angeles e foram submetidos a um processo de atraso considerado injustificado, diz a agência.

Falando aos repórteres após o jogo, o atacante iraniano Mehdi Taremi descreveu a situação como um “desastre” e pediu que a Fifa (Federação Internacional de Futebol) fizesse mais para ajudar.

Taremi também disse que as restrições estavam impedindo a equipe de dar o seu melhor no torneio. “Não é bom para nós. Acho que não é bom para o futebol”, afirmou. “Acho que a Fifa precisa nos ajudar mais do que isso.”

O Irã volta a entrar em campo no domingo (21) contra a Bélgica, às 16h, no Estádio de Los Angeles. A equipe encerra a participação no Grupo G, contra o Egito, em Seattle, no Canadá, no dia 27 de junho, às 00h.

Tensão marcou preparação para a estreia

A preparação para a estreia da Copa foi marcada por momentos de tensão fora de campo, com o Irã jogando em solo americano apenas 24 horas após o anúncio de um acordo de paz para pôr fim à guerra que começou quando os EUA e Israel atacaram o Irã em fevereiro.

Taremi descreveu um clima de pressa no domingo (14), com a viagem de Tijuana, no México — onde fica a base de treinamento da seleção do Irã — a Los Angeles, depois ao hotel e, finalmente, ao estádio para ver o gramado. Eles deveriam ter tido dois dias para se acomodar em Los Angeles, acrescentou.

“É muito ruim e afeta nossa equipe, e nós só queremos paz”, disse Taremi, acrescentando que o presidente da Fifa, Gianni Infantino, visitou o vestiário do Irã na segunda-feira.

O técnico Ghalenoei também destacou a ausência de membros importantes da comissão técnica, já que alguns dirigentes e representantes da imprensa não puderam viajar devido a restrições de visto, o que obrigou os treinadores a assumir responsabilidades adicionais no banco de reservas. “Tivemos que assumir essas funções nós mesmos.”

Jogo contra Nova Zelândia teve protestos contra a seleção iraniana

O Irã estreou na Copa do Mundo, diante de um público dividido tanto por torcedores que aplaudiam a seleção quanto por iranianos-americanos que exibiam símbolos de protesto contra o governo de Teerã.

Em Los Angeles, torcedores iraniano-americanos dizem estar tomados pela emoção de ver a seleção no torneio, a raiva pela repressão de Teerã a manifestantes e a preocupação com a campanha de bombardeios de Washington.

Cerca de 300 a 500 manifestantes se reuniram no lado de fora do Estádio de Los Angeles, agitando cartazes e bandeiras contra o governo iraniano. Eles disseram que não queriam assistir à partida porque isso sugeriria apoio a Teerã.

Outros entraram no estádio e levaram consigo símbolos de protesto, incluindo a bandeira pré-revolucionária do Irã, que tem as mesmas cores da bandeira oficial atual, mas apresenta um padrão diferente, com o leão e o sol.

Outros torcedores se envolveram na bandeira oficial e reclamaram que haviam sido hostilizados pelos manifestantes. Alguns disseram que queriam se concentrar em seu time — carinhosamente conhecido como Team Melli — e esquecer a política.

Na semana passada, o Irã ameaçou suspender as partidas se bandeiras não oficiais fossem levadas ou slogans entoados, mas o jogo dessa segunda-feira ocorreu conforme planejado. A Fifa, entidade que rege o futebol mundial, havia afirmado, quando questionada sobre o assunto, que proíbe bandeiras ou vestuário de natureza política. (FOLHAPRESS)


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