Esportes

Lusa decide vaga para série B com rave gospel em seu ginásio

Redação DM

Publicado em 16 de outubro de 2015 às 08:05 | Atualizado há 11 anos

São Paulo Mergulhada numa crise financeira e de credibilidade desde que foi rebaixada para a Série B em 2013, a Portuguesa tem apelado para todos os santos para tentar voltar à elite do futebol. Com dívidas de R$ 160 milhões, o clube alugou, por 10 anos, o ginásio do Canindé para a Igreja Apostólica Renascer em Cristo, onde fiéis enchem envelopes para a oferta de milagres com doações entre R$ 150 e R$ 3 mil.

Amanhã, quando a Lusa entrar em campo no seu estádio, às 19h, na partida decisiva das quartas de final da Série C, para tentar reverter a derrota de 1 a 0 para o Vila Nova no jogo de ida, os evangélicos começarão a chegar à Arena Renascer, ao lado, para a “Sky”, “maior e melhor balada gospel do Brasil” de acordo com os organizadores da rave evangélica.

Até quinta-feira, já haviam sido vendidos 5,5 mil ingressos, com preços entre R$ 20 e R$ 30, para a festa religiosa, prevista até as 7h de domingo. Já a Portuguesa lançou uma promoção em parceria com a Federação Paulista de Futebol, em que os torcedores podem trocar garrafas PET por entradas para o jogo. O primeiro lote terminou quinta, com a troca de 5 mil ingressos e a compra de outros mil.

Mas o presidente do clube, Jorge Manuel Marques Gonçalves, crê em casa cheia. Com capacidade para 22 mil pessoas no Canindé, ele aguarda a liberação da PM de pelo menos 15 mil lugares para a decisão de amanhã. Após dois rebaixamentos consecutivos, uma vitória amanhã garante o retorno à segunda divisão.

— Na Série C, conseguimos voltar a encantar a torcida, e as pessoas estão conseguindo acreditar no time e no clube. Essa decisão é o primeiro degrau que estamos subindo para voltar à elite do futebol brasileiro — disse Gonçalves.

Apesar de não revelar o valor do aluguel pago pela Renascer, o mandatário diz que o dinheiro ajuda a pagar os salários dos funcionários do clube, que chegaram a fazer greve devido ao atraso nos pagamentos:

— É um valor bastante razoável, que nos permite bancar metade da folha. A igreja alugou por 10 anos, mas há uma cláusula que permite a rescisão sem multa se precisarmos retomar o ginásio.

O aluguel não foi muito bem-visto pela colônia portuguesa, mas o presidente garante que não haverá embate entre torcedores e fiéis num possível encontro amanhã:

— Tradicionalmente, a torcida é católica e não tem ligação com a igreja evangélica. Mas o pessoal é da paz.

Resgate de imagem

Se ajuda a aliviar a folha de pagamento, o aluguel não é suficiente para pagar as dívidas trabalhistas, estimadas em R$ 50 milhões, e as tributárias, calculadas em R$ 100 milhões. Desde que foi rebaixada em 2013 após a escalação irregular de Héverton contra o Grêmio, o que lhe custou a perda de quatro pontos, na última rodada do Campeonato Brasileiro, a Portuguesa também deve R$ 10 milhões em indenizações e contratos.

Para tentar quitar seus compromissos, o clube conseguiu patrocínio de padarias, motéis, cachaça e suplemento alimentar. Os donos de panificadoras prometem pagar o prêmio dos jogadores caso voltem à Série B. Para Gonçalves, o maior prejuízo ainda é à imagem do clube de 95 anos:

— A credibilidade foi abalada, mas a Portuguesa nunca se vendeu. As pessoas confundem muito o resultado que beneficiou Flamengo e Fluminense. Mas não há nenhum indício de algo ilícito. Se houver, espero que o MP e a Justiça punam quem estiver envolvido. Se houve má-fé ou acordo para prejudicar o clube, vamos para cima de quem prejudicou.

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