Munir Calixto assume presidência do Goiás após renúncia de Aroldo Guidão
Léo Carvalho
Publicado em 7 de outubro de 2026 às 13:54 | Atualizado há 35 minutos
Munir Calixto Júnior assume a Presidência Executiva do Goiás e passa a comandar o clube na reta final da temporada 2026 | Foto: Divulgação
O Goiás Esporte Clube tem um novo presidente executivo. Munir Calixto Júnior assumiu o cargo após a renúncia de Aroldo Guidão Filho, anunciada na terça-feira (6). A mudança acontece em meio a um período de dificuldades financeiras, cobranças internas e definição do futuro político do clube, que terá nova eleição em dezembro.
Munir era vice-presidente jurídico e integra o Conselho Deliberativo do Goiás há anos. Advogado, ele já participava da estrutura administrativa do clube e foi escolhido para conduzir o Executivo durante o período de transição até o próximo processo eleitoral. O próprio Goiás destacou, em nota oficial, a experiência profissional do dirigente e seu conhecimento da estrutura da instituição.
A chegada de Munir ocorreu poucas horas depois da saída de Aroldo Guidão. O dirigente havia assumido a Presidência Executiva em agosto, após uma alteração no estatuto do Goiás que encerrou o modelo baseado no Conselho de Administração e retomou a figura do presidente executivo. Guidão, que anteriormente presidia o antigo Conselho de Administração, permaneceria no cargo até a realização das eleições previstas para dezembro.
A renúncia ocorreu em um momento de forte pressão sobre a administração. O Goiás enfrenta dificuldades financeiras e atrasos nos pagamentos. Em setembro, jogadores e comissão técnica chegaram a adotar um protesto silencioso depois de uma vitória sobre o Avaí. Na ocasião, o elenco publicou uma carta aberta para cobrar a regularização dos pagamentos. Segundo apuração publicada na época, havia dois meses de salários e direitos de imagem atrasados para os atletas, além de cinco premiações e um mês de salário de funcionários.
A mudança na presidência também aconteceu em meio à cobrança por desempenho dentro de campo. Antes da partida contra o Athletic, o Goiás vinha de uma derrota por 3 a 0 para o Novorizontino e ocupava a parte intermediária da classificação da Série B.
Na noite desta terça-feira, porém, a equipe reagiu. O Goiás venceu o Athletic por 2 a 1, na Serrinha, pela 32ª rodada, e chegou aos 45 pontos. O resultado colocou o time na 11ª posição e deixou a equipe sete pontos atrás do G-6 naquele momento, mantendo a disputa pelo acesso matematicamente aberta. Restam seis partidas para o encerramento da competição.
A troca no comando administrativo foi acompanhada por outra mudança na diretoria. Com a ida de Munir para a Presidência Executiva, Geraldo Costa Ferreira Neto assumiu a Vice-Presidência Jurídica. Advogado e servidor público estadual, Geraldo é sócio do Goiás e integra o Conselho Deliberativo há mais de dez anos. Ele também já havia atuado como suplente do Conselho Fiscal entre 2022 e 2025.
Na administração pública, Geraldo ocupou entre 2012 e 2014 o cargo de Superintendente de Infraestrutura da Secretaria de Estado de Infraestrutura de Goiás. Também foi conselheiro fiscal da Agência Goiana de Gás Canalizado, a Goiasgás, no biênio 2013-2014.
A estrutura atualmente divulgada pelo Goiás tem Munir Calixto na Presidência Executiva, José João Batista Stival Júnior como vice-presidente de Esportes Olímpicos, Paralímpicos, Iniciação Esportiva e Social, Geraldo Costa Ferreira Neto na área jurídica e Marcus Ulysses de Oliveira na Vice-Presidência de Marketing, Comunicação e Novos Negócios. Leonardo Pacheco permanece como diretor executivo e Michel Alves como diretor de futebol.
A atual configuração é resultado da reforma estatutária aprovada em agosto. A mudança encerrou o Conselho de Administração e devolveu ao presidente executivo a responsabilidade central pela condução administrativa do clube. O novo modelo também prevê a realização de eleições para definir a próxima direção.
A escolha de Munir, portanto, não representa o início de um novo ciclo eleitoral no Goiás, mas uma solução para manter a administração funcionando até o próximo pleito. O clube confirmou que seguirá com os trabalhos administrativos e esportivos e afirmou que a nova gestão deverá atuar com responsabilidade e equilíbrio.
A mudança ocorre justamente quando o Goiás tenta encerrar a temporada com uma reação dentro de campo e, ao mesmo tempo, enfrenta a necessidade de reorganizar suas contas e administrar um processo eleitoral que definirá os próximos anos da instituição.