Novo ensaio da maratona aquática em Copabacana
Redação DM
Publicado em 14 de dezembro de 2015 às 05:05 | Atualizado há 11 anosAtual campeão do circuito mundial de maratonas aquáticas, o alemão Christian Reichert participa no início do ano que vem de uma seletiva para tentar confirmar sua vaga nos Jogos Olímpicos do Rio. Caso conquiste a classificação, o alemão de 30 anos terá outro motivo para comemorar: pela primeira vez, a competição olímpica será disputada no mar, ou seja, em água salgada, fato que muda drasticamente a disputa da modalidade em relação às duas últimas edições olímpicas, que aconteceram em água doce.
— Cerca de 70% das provas que fazemos, incluindo, o circuito mundial, acontecem em água salgada. Mas, até hoje, nunca tivemos uma prova olímpica no mar. Uma grande vantagem da Rio-2016 é que, pela primeira vez, teremos a competição olímpica mais próxima da realidade do nosso esporte — disse Christian que, no último domingo, ao lado da sua compatriota Angela Maurer, terminou o Desafio Internacional Rei e Rainha do Mar na segunda colocação (37m47s).
O desafio foi disputado no Posto 5 de Copacabana, onde será a prova olímpica da modalidade, e foi tratado como mais uma prévia para o megaevento apesar do formato de revezamento incluir corridas de 50m na areia. No Rei e Rainha, os vencedores foram os americanos Christine Jennings e Chip Peterson (37m44s). Os brasileiros Allan do Carmo e Poliana Okimoto ficaram na quinta colocação (37m50s).
— O mar hoje (ontem) estava muito bom com água limpa e temperatura agradável — disse o campeão Chip Peterson.
Flutuabilidade e direção
No último domingo, foi consenso entre os atletas a boa qualidade da água. No evento-teste realizado em agosto passado, os competidores também haviam aprovado o circuito olímpico. Ou seja, existe uma expectativa positiva para o evento olímpico. Mas o principal motivo de entusiasmo é mesmo a realização da prova no mar. Em Pequim-2008 (quando a modalidade entrou no programa olímpico) e em Londres-2012, as provas aconteceram, respectivamente, em rio e lago. Ambos, em água doce.
— É completamente diferente nadar na água salgada e na água doce. No mar, a flutuabilidade é maior. Mas, por outro lado, existem mais variáveis externas e uma preocupação enorme para se estar na direção certa. São técnicas diferentes de natação — afirma Poliana Okimoto.
No lago ou rio, o atleta consegue manter o foco no ritmo de velocidade. Já no mar, é preciso colocar a cabeça o tempo todo para fora da água para ter a certeza de que se está na direção certa. Portanto, ter pontos de referências além das boias do circuito pode ser o diferencial numa disputa por medalhas. E isso explica o fato de muitos atletas estrangeiros estarem vindo ao Rio para treinar em Copacabana.
— Recentemente, as seleções italiana, holandesa e francesa estiveram treinando aqui no Rio — disse Luiz Lima, ex-atleta olímpico e treinador, que desde 2009 comanda treinos em Copacabana. — No mar, um dia nunca é igual ao outro. Mas treinar aqui faz a diferença, pois o atleta passa a ter mais senso de direção. Basta olhar para um prédio na Avenida Atlântica, por exemplo, para que se tenha uma noção melhor do seu posicionamento dentro da água.
Além do senso de direção e flutuabilidade, a intensidade do mar aumenta a dificuldade para os atletas. Este ponto, no entanto, pode ser favorável.
— Sou apontado como o atleta do circuito que sofre menos ao me adaptar com condições extremas no mar. Portanto, quanto mais ondulação tiver, melhor é para mim — disse Allan do Carmo, que venceu o evento-teste com o mar de ressaca em Copacabana.