Esportes

O voo de um sonho

Redação DM

Publicado em 13 de novembro de 2016 às 01:16 | Atualizado há 10 anos

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Maurício Borges Sampaio, presidente do Atlético Clube Goianiense, fala da atual fase do clube e da trajetória da construção de uma campanha sólida, onde houve  até troca de todo o elenco do time, e das perspectivas para o futuro. Confira!

 

SM:Como você avalia a campanha do Atlético em 2016?

MS: O Atlético teve um início de ano ruim. Fizemos um Campeonato Goiano irregular. Esta má fase está relacionada à má preparação física dos jogadores. Apesar dos problemas, estávamos caminhando bem, mas já no final do Campeonato Goiano fomos eliminados. Então decidi que era o momento de fazermos profundas mudanças no time.

 

SM: Quais foram as mudanças e quais foram os resultados?

MS: Toda a comissão técnica foi substituída. Contratamos o novo técnico, Marcelo Cabo. Então, durante a intertemporada do Campeonato Goiano e do Campeonato Brasileiro, o elenco foi mudado e agregamos outras contratações.  Já no início do Campeonato Brasileiro, vimos os resultados desta mudança. Tivemos quatro vitórias consecutivas. Foi a nossa arrancada, e não paramos mais. Entramos para o G4. Um momento importante foi a vitória sobre o então invicto Vasco. O time foi ganhando confiança. O grupo abraçou a causa e aquilo que existia no campo foi refletindo fora dele. A torcida foi crescendo à medida que o time crescia, o que foi muito importante. Houve uma sintonia entre a diretoria, os funcionários e o clube, além do apoio da torcida.  Mas um campeonato não se faz apenas dentro do campo. O extracampo também foi bem conduzido. Agregamos patrocinadores robustos e os contratos foram bem elaborados de maneira correta e igualitária. Os jogos são transmitidos para 80 países, de modo que não perderam aqueles que investiram na visibilidade de sua empresa através do Atlético. Tudo isso contribuiu para o sucesso do clube. O futebol é feito de várias nuances. Deus pôs a mão e os resultados vieram.

 

SM: Quais foram as dificuldades no início de sua gestão?

Pegamos um clube extremamente endividado. A má gestão da diretoria anterior levou o time à queda, e ele trouxe consigo as dívidas da Série A. Obviamente a renda do público do estádio, com o ingresso a R$ 10,00 não é suficiente. Os problemas com patrocinadores, causas trabalhista foram todos contornados.

 

SM: Sobre a imprensa goiana, ela contribui ou atrapalha o futebol goiano?

MS: O que vejo quando viajo com o time é que a imprensa brasileira é extremamente bairrista. Nos grandes times, por exemplo, só entra a imprensa que o time confia. Já a imprensa goiana é parcimoniosa e considera mais os times de fora do Estado do que os times goianos. A imprensa goiana teria a obrigação de defender o futebol, porque é um esporte que envolve toda a população. É o esporte mais barato que existe: basta uma bola rolando, por isso tem que ser valorizado. É um esporte participativo que traz alegria e entretém o povo, mobilizando a sociedade. A imprensa do Rio de Janeiro defende os times cariocas, e infelizmente a imprensa goiana defende os times de outros Estados. Isso precisa ser corrigido. Temos que valorizar o que é nosso.

 

SM: Você tinha se afastado do futebol e voltou. O que fez você voltar?

MS: São públicos e notórios os problemas por que passei. O que me fez voltar foi a minha paixão pelo esporte. Sou desportista, corro uma média de 10 km por dia e amo o futebol. Meu pai, Waldir Sampaio, era atleticano e fui criado neste ambiente, em meio aos jogadores do time. Para você ter uma ideia, nos finais de semana, o Frei Nazareno Confaloni ia aos jogos com ele, de modo que o futebol sempre fez parte do meu cotidiano. Sou um atleticano por formação hereditária. Acredito que o futebol em nada atrapalhou a minha vida. Eu gosto de futebol e essa paixão é como um vício: quando você aprende a gostar, nunca mais consegue se afastar dele. O que me motivou foi a vontade de mostrar que se pode fazer algo bom por aquilo que se acredita.

 

SM: Qual o lugar da torcida em todo esse processo de reconstrução do Atlético?

MS: A torcida teve primordial importância. Ela foi crescendo à medida que o time avançava, e a cada dia o Atlético tem amealhado novos torcedores. Por isso estamos preparando um programa de fidelidade que se chamará sócio-torcedor. Iremos beneficiar aquele que queira compor com o Atlético, privilegiando os envolvidos.

 

SM: O Atlético se consolida como o melhor time goiano?

MS: Com certeza, e está entre os 30 melhores times do Brasil. Mas ele tem uma história, que foi sendo construída com a ajuda de muitos. Nomes como Antônio Accioly, Álvaro, Antônio Ricardo, Zenha, Reis, Seu Osvaldo Stival, Pitti, serão sempre lembrados como desbravadores e corresponsáveis por esta vitória que se consolidou neste time.

 

SM: As categorias de base do Atlético vêm sendo trabalhadas?

MS: Estamos trabalhando as categorias de base com muita responsabilidade, tanto que estamos classificados nas semifinais e finais das categorias sub 15, sub 17 e sub 20 do campeonato. Um exemplo disso é o Luis Fernando, que veio das categorias de base do clube. E o trabalho é extenso. Hoje temos em torno de 2.500 crianças inscritas nas escolinhas de futebol espalhadas por Goiânia. Isto tornou-se política do clube, porque acreditamos que através do futebol, as crianças estão sendo ressocializadas. Logo haverá eleições para a composição da diretoria dos próximos anos.

 

SM: Como está o processo eletivo?

MS: ‘Eleições’ se trata do futuro do clube. Há que se dar seguimento a todo o trabalho que foi desenvolvido nesses dois anos. Existe um grupo que hoje comanda o time e que almeja a continuidade do trabalho exitoso já realizado nesta temporada. Por hora, há um consenso, até pela espetacular campanha desenvolvida pelo time. Estar classificado a três rodadas do final do campeonato é muito expressivo, e finalizar toda esta campanha como campeão da Série B não tem preço. Fechamos o ano com chave de ouro. Precisamos manter o que foi feito e trabalhar para o progresso do time na Série A do Campeonato Brasileiro.

 

SM: Como ressume a sua atuação à frente do Atlético Clube Goianiense?

MS: Desenvolvi uma boa gestão com competência e muito trabalho. Lutei pela união do clube e soube delegar nos momentos certos e decidir nos momentos apropriados. Essas atitudes, unidas a uma torcida solidária e presente, fizeram o sucesso que levaram o time à Série A do Campeonato Brasileiro. Só temos que comemorar.

 

 

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