Revistas, vistos e exclusões desafiam discurso da Fifa antes da Copa do Mundo 2026
Léo Carvalho
Publicado em 11 de junho de 2026 às 09:06 | Atualizado há 1 hora
Promessa de portas abertas dá lugar a barreiras migratórias às vésperas da Copa de 2026 | Foto: IA/Pensar Piauí
A menos de um ano da Copa do Mundo de 2026, a Fifa enfrenta um cenário bem diferente daquele projetado por seu presidente, Gianni Infantino, em 2025. Na época, o dirigente afirmou que torcedores de todo o mundo seriam recebidos sem problemas nos três países-sede do torneio — Estados Unidos, México e Canadá — e classificou como “equívocos” as preocupações relacionadas à imigração.
Em declaração divulgada pela própria entidade, Infantino afirmou que a Fifa estava trabalhando para garantir uma experiência tranquila aos visitantes.
“Todos serão bem-vindos no Canadá, no México e nos Estados Unidos para a Copa do Mundo do próximo ano. Estamos trabalhando exatamente para isso”, disse o presidente da Fifa.
O dirigente também citou o Mundial de Clubes disputado nos Estados Unidos como exemplo de sucesso, destacando a presença de torcedores de 164 países diferentes e afirmando que o processo de obtenção de vistos ocorreria sem maiores dificuldades.

Meses depois, porém, relatos que surgem nos bastidores do futebol internacional apontam para uma realidade mais complexa e bem diferente da observada no ano anterior.
Um dos episódios mais recentes envolve a seleção do Senegal. A delegação foi submetida a uma operação de revista com detectores de metal ainda na pista de pouso, logo após desembarcar em território norte-americano. O procedimento gerou desconforto entre integrantes da equipe e repercutiu internacionalmente por ocorrer justamente durante os preparativos para a Copa do Mundo.
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Outro caso que ampliou o debate foi o do árbitro somali Omar Abdulkadir Artan. Selecionado pela Fifa para atuar no Mundial, ele foi impedido de entrar nos Estados Unidos apesar de, segundo seu relato, possuir toda a documentação exigida.
Em entrevista ao jornal The New York Times, Artan afirmou acreditar que sua nacionalidade teve peso na decisão das autoridades migratórias.
“Acho que eles têm um problema com o meu país”, declarou.

O árbitro relatou ter passado cerca de 11 horas sendo interrogado por agentes da imigração norte-americana. Após a negativa de entrada, permaneceu sob custódia por mais algumas horas antes de ser colocado em um voo para a Turquia.
Artan seria o primeiro árbitro da Somália a trabalhar em uma Copa do Mundo. Segundo ele, além do visto adequado, também apresentou documentos relacionados à sua participação oficial no torneio.
Diante da repercussão do caso, a Fifa confirmou que o árbitro não participará da competição. A entidade, no entanto, ressaltou que não interfere em decisões migratórias adotadas pelos países-sede.
A posição contrasta com o discurso adotado por Infantino no ano passado. Se em 2025 a principal preocupação da Fifa era tranquilizar torcedores e delegações diante das críticas à política migratória dos Estados Unidos, em 2026 a entidade se vê obrigada a lidar com casos concretos envolvendo profissionais credenciados e equipes nacionais.
O contexto ocorre em meio ao endurecimento das políticas de imigração norte-americanas e ao aumento das preocupações entre torcedores, jornalistas, trabalhadores temporários e integrantes de delegações de países africanos, asiáticos e do Oriente Médio que pretendem viajar para a Copa.
Embora a Fifa continue defendendo que o Mundial será uma celebração global, os episódios registrados nos últimos meses mostram que a promessa de acesso facilitado para todos ainda enfrenta obstáculos significativos na prática.
A resposta pública da Fifa